segunda-feira, setembro 21, 2009

Se o mundo tivesse 100 pessoas ("100 people")



"100 people" é um vídeo que já ganhou diversos prêmios, dentre eles o International Advertising Festival em Cannes (2001).

A mensagem é profunda e faz as contas de quem e como vive neste mundo. Um minuto imperdível!

Thiago Mattos.

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quinta-feira, agosto 20, 2009

Quantos minutos você trabalha para poder comprar um Big Mac?

O índice Big Mac compara o real poder de compra de várias moedas do mundo. Com base nele, a revista The Economist divulgou uma tabela (baseada em dados do banco suíço UBS) mostrando o quanto é preciso trabalhar em diferentes cidades para poder comprar o mesmo sanduíche.

"O tamanho do seu salário pode ser importante, mas o poder que ele tem também é", diz a revista. De acordo com os dados, é possível comprar um Big Mac com apenas 12 minutos de trabalho em cidades como Chicago, Tokyo e Toronto.

Já em lugares como Cidade do México, Jakarta e Naiorobi, é necessário trabalhar mais de duas horas para se obter o mesmo valor. Um pouco acima da média global de 37, um Big Mac custa 40 minutos em São Paulo e 51 minutos no Rio.


Outro artigo da mesma revista, questiona a criação de impostos sobre fast food, que está em pauta nos EUA. Os argumentos para a implantação do novo imposto são os mesmo usados na taxação do álcool, cigarro e jogo: os custos sociais de cada um.

Atualmente, um terço dos estadunidenses são obesos e as despesas médicas com a obesidade ultrapassam os 200 bilhões de dólares por ano. Uma conta ainda mais cara do que a gasta com o tabagismo.

Mas, de acordo com a matéria, uma taxação sobre junk food pouco afetaria o consumo de quem é realmente viciado. Mesmo assim, poder comprar um Big Mac por tão pouco nos EUA é um convite e tanto a quem não tem muito tempo para comer, ou seria para vender?

Thiago Mattos.

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sexta-feira, novembro 14, 2008

Caixinha de boas idéias

Sacos Plasticos
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Uma caixinha de boas idéias por si só já é uma boa idéia. Para aqueles comprometidos com a melhora do mundo - trabaho infinito de formiguinha - aí vai um importante item dessa caixinha: acabarmos com nosso vício pelos sacos plásticos já!

O mais importante é sempre lembrarmos de levar conosco uma bolsa ou algo que o valha e, assim, na hora de empacotar as compras, podemos dar o exemplo e fazer com que essa moda pegue de uma vez. Pelo bem da economia e principalmente da natureza! É ou não é uma boa moda para ser copiada?

Thiago Mattos.

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terça-feira, outubro 14, 2008

"A Estória das Coisas"



Nem é preciso entender a atual crise financeira que quebrou bancos e fez da Bolsa uma "Polchete de Valores" - valeu, José Simão!


Assitir "The Story of Stuff" ("A Estória das Coisas") com Annie Leonard já é o bastante para entender como funciona nosso louco sistema que vai da Extração ao Lixo - dica de Thelêmaco Montenegro.

Depois de assistir o vídeo, fica difícil continuar consumindo tanta coisa sem pensar e olhar para aquele lindo I-Pod sem se perguntar de onde realmente ele veio.

Thiago Mattos.

PS: Para assistir a versão dublada, clique aqui.

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terça-feira, setembro 16, 2008

O homem másculo

De acordo com um artigo publicado essa semana na AOL, uma recente pesquisa do International Journal of Sexual Medicine está para acabar com os estereótipos formados há um bom tempo pela cultura machista (inclusive com a ajuda das mulheres, diga-se de passagem): os homens querem mais que sexo.

Aproximadamente 28 mil homens entre 20 e 75 anos foram aleatoriamente entrevistados por telefone nas Américas e na Europa a respeito de suas atitudes com relação a vida e ao sexo. E, segundo os pesquisadores, os resultados da percepção do homem sobre a masculinidade diferem substancialmente dos estereótipos padronizados nos filmes e nos livros.

Entre as prioridades masculinas - revela a pesquisa - ser considerado honrado, auto-confiante e respeitado pelos amigos determinam o senso de masculinidade bem mais do que ser atraente, sexualmente ativo ou bem sucedido com as mulheres.

As conclusões mostram-se consistentes entre todas as nacionalidades e grupos pesquisados - a metodologia da pesquisa usou uma escala de 7 pontos que ia de "nem um pouco importante" a "muito importante".

Por toda a parte, os homens disseram que a qualidade de vida era determinada por fatores como boa saúde, vida familiar harmoniosa e um bom relacionamento com suas companheiras, considerados mais importantes do que ter um bom emprego, uma boa casa, viver a vida de maneira intensa e até mesmo uma vida sexual satisfatória.

Revelando a identidade de um homem mais consciente do seu tempo e de si mesmo e o deslocando de um centro de percepção irremovível na maioria dos casos, a pesquisa sacode os arautos do machismo e nos faz repensar o que significa, afinal, para um homem ser homem. Alguma idéia da resposta?

Questionarão ainda alguns: então quer dizer que posso continuar másculo mesmo que eu ajude com a louça? Mesmo que não dê conta de todas as mulheres? Ou até pior: mesmo que tenha apenas uma? Vou poder até ler livros e conversar sobre outra coisa além de futebol? Uau, que pesquisa! - concluirão aliviados. E serão felizes para sempre.

Thiago Mattos.

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terça-feira, agosto 19, 2008

E você acredita em quê?

Os curiosos números das estatísticas mais uma vez estão aí: mais da metade (56,1%) da população que vive na região metropolitana do Rio não confia na Polícia Militar (PM), segundo a Pesquisa de Condições de Vida e Vitimização feita pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

O mesmo estudo diz que 36% confiam em parte e 6,9% confiam totalmente, acredita? 6,9% é um número considerável, tendo em mente que representa uma parcela superior à quantidade de mães, esposas e familiares dos policiais!

Resta saber agora onde estão esses que
ainda acreditam em alguma coisa e encomendar outra pesquisa com o mesmo recorte.

Sugestões para perguntas:

Você que ainda acredita na PM, também acredita:
- No Papai Noel?
- No Coelhinho da Páscoa?
- No Presidente Bush?
- Nas boas intenções do seu candidato esse ano?
- Na potência olímpica eternamente injustiçada que é o Brasil?

Isso é que seria uma pesquisa bem feita!

Thiago Mattos.

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domingo, maio 25, 2008

"Maio já está no final..."

O mês de Maio já vai acabando com uma sensação de que logo logo o ano também já será outro. É impressionante: quanto mais velhos ficamos, mais rápido o tempo parece passar. De qualquer forma, não vim até aqui pra isso.

Essa semana, duas notícias especialmente me chamaram a atenção.

Uma delas é um artigo do New York Times, que discute a nova situação econômica do Brasil, mostrando como agora os brasileiros da classe média podem ter acesso a bens de consumo, diferentemente de alguns anos atrás.

O artigo elogia claramente a política econômica do governo Lula - "administração competente" são as palavras exatas - comparando a atual conjuntura a um momento anterior, onde tudo era mais difícil no país.

“Antigamente quando os EUA espirravam, o Brasil pegava pneumonia, mas este não é mais o caso”, declara Marcelo Carvalho, diretor executivo do Morgan Stanley, numa interessante alusão a um passado nem tão distante assim.

Só ficou faltando falar das consequências deste novo modo de consumo, como os insuportáveis engarrafamentos diários nas grandes cidades, decorrentes do novo poder de compra da classe média brasileira. Mas isto é um apenas um detalhe, não é?

Bem, para acessar uma versão em português do artigo, clique aqui. A versão integral em inglês, aqui.

***

A outra notícia vem da TV.

É que Os Simpsons já estão na 19ª. temporada (um recorde!) e continuam cada vez mais ácidos e pungentes, com um invejável vigor. Os episódios da nova temporada trazem cenas que ainda darão muito o que falar, como os seios da Pamela Anderson balançando no ar.

A família que vez por outra é censurada (e não apenas na Venezuela) por conta de seu comportamento politicamente incorreto, continua mostrando estar a frente de seu tempo. Até hoje, poucos entendem que a série não é um desenho animado para crianças.

Enquanto a maioria das emissoras a exibem no horário nobre, a Globo insiste em exibir a série em sua programação matutina destinada às crianças, no saco de gatos que é a TV Globinho.

De qualquer forma, acompanhar esta família é estar em dia com o mundo contemporâneo e, de modo crítico, entender as loucuras pelas quais passamos. Por isso e muito mais, Os Simpsons – uma ironia sofisticada e debochada da clássica família americana – devem ser assistidos e deliciados.

Uma boa semana para todos!

Thiago Mattos.

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domingo, agosto 05, 2007

Me deixa falar mal do homem, vai...

A tragédia acontecida no dia 17 de Julho poderia ter sido evitada, caso algumas providências fossem tomadas antes da fatalidade. Houve uma soma de erros e precisamos consertá-los. Muitos são os responsáveis, mas é preciso cuidado com quem anda apontando dedos a esmo – para que lado for.

É claro, evidente e vergonhoso como setores da mídia estão utilizando politicamente 199 mortos – inclusive o piloto, que tinha 27 anos de profissão e mais de 13 mil horas de vôo, também está sendo culpado – para uma tática que tenta atingir a todo custo o Palácio do Planalto mas, ironicamente, nunca funciona. É o efeito teflon que não deixa nada de ruim grudar à imagem do presidente Lula (vide a última pesquisa Datafolha e o peso da opinião dos que não viajam de avião).

Por outro lado, há também os cegos do castelo. Inexauríveis defensores do presidente, do seu partido e da sua política, seja ela qual for, que assusta mais do que aqueles que estão sempre a atacar.

É impressionante como alguns, faça chuva ou faça sol, aconteça o que acontecer, já se colocam de antemão a favor de Lula. Isso dá medo.

O sanguedbarata não tem (nem quer ter) nenhuma ligação partidária ou compromisso com qualquer doutrina, senão com a sua própria consciência de livre-pensador. Por isso, assusta-se com as incansáveis defesas que o imbatível presidente recebe, de modo que chega a ser agressivo a quem quer que tente o atacar.

Ouso a sugerir que funciona como um patrulhamento. Se você fala mal do Lula, você não é legal, você é da direita, você não gosta de trabalhadores, você é feio e bobo! Gente, o que é isso? Não podemos engolir tudo que nos empurram e defender o governo a todo custo. Vamos pensar que às vezes ele está errado, ok? (Tudo bem, muito mais que "às vezes").

Assim, o sanguedbarata quer e irá manter sua independência. Por isso, não se assustem se daqui a alguns dias este blog defender alguma ação do governo (como já fez algumas vezes), nem se voltar a atacá-lo quando achar necessário. Me deixa falar mal do homem de vez em quando, vai...

Da mesma forma, precisamos ter cuidado com as críticas mal-intencionadas, que só querem tirar proveito da situação e não trazem nada de saudável à discussão. Mas dessas já sabemos todos de onde vêm e, logo, podemos nos defender melhor.

Viva a liberdade!

Thiago Mattos.

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sexta-feira, julho 13, 2007

"Panis et Circenses"

Aqui no Rio de Janeiro, Julho de 2007 será lembrado por vários eventos que puseram a cidade em destaque no cenário internacional.

No último Domingo 8, instalou-se na Praia de Copacabana a badalada série de concertos ao redor do mundo Live Earth, na qual escusos interesses governistas e corporativistas vem se promovendo, sob a égide de Al Gore, e usando o discurso do aquecimento global como pano de fundo para o espetáculo. Seja como for, ainda que o show não tivesse poluído tanto, gastado tanta energia elétrica ou tivesse realmente algum comprometimento sério, pouco importaria pois ninguém ali estava prestando atenção a nada, nem mesmo ao show.

Também em Julho, começou o evento mais importante do ano (para os anunciantes): a XV edição dos Jogos Pan-americanos, que já havia iniciado uma limpeza na cidade, desde o Complexo do Alemão. Os tantos policiais armados pelas ruas da Zona Sul – onde o Caveirão não passa – transmitem uma falsa impressão de que está tudo sob controle, sabe-se lá de quem.

O Pan, como é carinhosamente chamado, vem sendo tratado como outra grande sensação a serviço do entretenimento, onde mal há espaço para se questionar o estouro do orçamento das obras (muitas feitas sem qualquer licitação) ou as suspeitas de corrupção. Isso para não citar a remoção de moradores de áreas próximas ao evento. Sediar o Pan trará realmente algum benefício? Para quem?

Para quem vê de fora, ou se deixa ilusionar pela atmosfera festiva, a cidade maravilhosa parece estar mesmo com tudo; até uma das 7 maravilhas do mundo moderno agora é daqui. A estátua do Cristo Redentor derrotou monumentos como as Pirâmides do Egito e o Stonehenge do Reino Unido, muito mais relevantes à História, diga-se de passagem. Mas isso não muda em nada a vida de nós, cidadãos comuns, não é mesmo?

Nessa sociedade do espetáculo (onde tudo é um grande circo), vem sendo vendida e comprada a idéia de que nada mais pode ser levado a sério sob o sério risco de ser ridicularizado. Com tanta coisa acontecendo, quem de nós ainda resistirá a tão cômoda sugestão de relaxar e gozar? Quem?

Thiago Mattos.

PS: Imagem do mascote em http://subversivos.libertar.org/

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quarta-feira, junho 27, 2007

Eu, você e o mundo

“Temos que pegar o mundo pelos chifres e resolver nossos próprios problemas”, declarou Bob Dylan em entrevista à última edição da revista Rolling Stone (recente salvação do mercado editorial brasileiro para quem gosta de música-política-cultura).

E é isso mesmo! Não podemos mais esperar que Sibás, Cafeteiras, Rorizes e Renans, ou seja lá quem for, resolvam os nossos problemas. Corrupção? Aquecimento global? O mundo em guerra? Façamos algo a respeito. Está mais do que na hora de botarmos a mão na massa, de tomarmos as rédeas de nosso próprio destino, de atuarmos ativamente em nossa realidade para melhorá-la.

E o que seria botar a mão na massa, meu caro Watson? Como poderíamos influenciar em nosso mundo, já que nos sentimos tão zonzos e pequenos, tão impotentes e sozinhos? Se percebemos que nosso povo mal pode se preocupar com tais questões, pois toda sua energia está voltada para a busca pela sobrevivência, para o pão de cada dia ganhado às custas da morte diária de um leão. O que fazer para mudar?

Bem, não terei a arrogância de querer responder sozinho a essa pergunta que é coletiva, pois do contrário não teria sentido. Peço a cada um de vocês, meus poucos porém fiéis leitores, que me ajudem a pensar, que respondam comigo.

De minha parte, deixo aqui uma sugestão: o singelo fato de estarmos sedentos pelo aprendizado, sua própria busca já nos aponta caminhos. Precisamos porém associar teoria à prática, dar vida aos nossos pensamentos. Estamos aqui a ler e debater, trocando informações e muitas vezes discordando, mas sobretudo aprendendo (eu que o diga). Penso, meus caros amigos, que é isso o início do que fará a diferença: nosso aprendizado e a nossa união. Agora, me digam o que pensam vocês.

Thiago Mattos.

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segunda-feira, junho 25, 2007

A covardia só muda de sotaque

A notícia de que cinco jovens moradores de condomínios de luxo na Barra da Tijuca espancaram covardemente uma empregada doméstica e roubaram sua bolsa na madrugada de sábado revela um triste lado de nosso país, evidenciado especialmente nas grandes cidades.

Esse comportamento sádico dos agressores estudantes de turismo, administração, gastronomia, informática e direito, que justificam tamanha barbaridade dizendo que confundiram a vítima com uma prostituta – pasmem! – apenas reflete a maneira como nossas elites em geral tratam nossos pobres: com a mais pura e sincera humilhação, com vontade de matar.

Os cinco fortes jovenzinhos da Barra da Tijuca, que demonstraram o estrago que fazem juntos em uma só mulher, em nada diferem dos que atearam fogo a um índio pataxó há 10 anos atrás em Brasília. Ou dos falsos punks que mataram um garçom a facadas também nesse último final de semana em São Paulo. Todos são privilegiados financeiramente em relação à realidade da maioria das famílias brasileiras e nenhum deles têm qualquer noção de ética, bondade ou respeito. A corvadia só muda de sotaque.

Estão sendo formados pelos seus pais para serem esse tipo de gente mesmo, sem qualquer compromisso ou consciência social. Daqui a alguns anos, muitos se tornarão diretores de importantes empresas, respeitáveis advogados, executivos que estarão à frente de funções que lhe garantam suficiente poder para dar continuidade ao mesmo projeto de vida que mantém nosso país como é: desigual e injusto, seletivamente cruel e bárbaro, de modo que a política de extermínio aos pobres continue vagarosa e imperceptivelmente.

Assim os poderosos conservam seu poder e assim tem sido há 500 anos. Não sabemos quanto tempo os jovens-de-comportamento-desviante ficarão presos, nem tampouco se ficarão. A impunidade é um privilégio para poucos nesse país. E é claro que tudo seria bem diferente se fossem “favelados” agredindo uma empresária. De qualquer forma, tentemos vislumbrar uma esperança nisso tudo.

Temos a sorte de podermos contar cada vez mais com gente disposta a fazer justiça como o taxista que anotou a placa do carro dos jovens agressores, ato heróico de um anônimo. Talvez nem tudo esteja perdido, ainda que o futuro da nação esteja nas mãos dessa juventude doentia e ignorante – reflexo piorado de todas as gerações anteriores.

Thiago Mattos.

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quarta-feira, junho 06, 2007

"Hang The DJ"

Enquanto rádios piratas são fechadas pelo Brasil afora e universidades tentam dar voz a quem não tem, inaugurei recentemente por aqui a Rádio Sangue Bom – acionada automaticamente a quem acessa o blog.

Todo mundo já sabe que se ligar numa FM durante uma semana inteira no mesmo horário, ouvirá sempre a mesma coisa. Nenhuma rádio é sangue bom com a gente,
querem nos convencer (e muitas vezes o conseguem por osmose) de que devemos consumir aquela música. As barreiras impostas pelas rádios convencionais bloqueiam a informação, restringindo e interferindo no gosto musical dos seres humanos.


A posição passiva dos ouvintes - camuflada pelo mito das "mais pedidas" - não poderia durar muito tempo. A maravilha da Internet tornou possível a interatividade e nosso papel ativo na construção de nossas realidades: podemos ter acesso a coisas novas (ainda que de um século atrás) e trocar informações até então inacessíveis.

Numa tentativa de divulgar o que escuto por aí, mas nunca nenhum de nós ouviria numa rádio comum, surge a Rádio Sangue Bom. Com atualizações mensais, tocarei todos os estilos que me fizerem a cabeça, aceitando sugestões e pedindo opiniões.

No programa do mês de Junho, ouviremos clássicos consagrados como Hendrix, novidades como a francesinha apaixonante Olivia Ruiz, e covers como a releitura de Dylan feita pelo nigeriano Keziah Jones.

Espero que gostem, votem na que mais lhe tocarem e participem na formulação da programação. Assim vou pegando também o gosto de quem lê o blog e juntos podemos fazer a nossa rádio. É ou não é, sangue bom?

Thiago Mattos.

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terça-feira, maio 01, 2007

"O que eu quero é sossego"

"O trabalho enobrece o homem
para o qual trabalhamos"

(Moduan Matus)
Um trabalho pode ser de faculdade, físico, intelectual, lucrativo, enfadonho, temporário, escravo, digno, dispendioso e de muitos outros tipos, mas é quase sempre trabalhoso. Muitas são as definições para as atividades realizadas ao longo dos séculos pelos homens, suas motivações e transformações no tempo.

Podemos trabalhar rebecendo de forma assalariada, ou apenas pela experiência, como fazem estagiários, que muitas vezes ainda têm que pagar por isso. Podemos ralar todos os dias no calor, como os vendedores de sorvete na praia que vendem o almoço para comprar a janta; ou ganhar a vida como a maioria dos parlamentares brasileiros, que desperdiçam o dinheiro público e só trabalham três dias na semana, quando o fazem.

Poucos gostam de trabalhar, é fato. Na maioria das vezes, as pessoas o fazem apenas por questão de conveniência, precisam ganhar dinheiro para sobreviver ou manter seus pequenos luxos. Além disso, a maioria das pessoas não gosta do trabalho que tem. São exploradas e produzem algo fora de seu contexto para o ganho de uma outra pessoa e sua irrisória remuneração não paga a chatice daquela tarefa.

Penso nas moças que vendem cartões de celular pré-pago no metrô repetindo mil vezes o nome das operadoras e nos camelôs da Uruguaiana ao mesmo tempo em que penso nos empresários e doutores do nosso país. Tirem-lhes os salários e considerem apenas suas atividades, quantos deles se diriam felizes e satisfeitos no que fazem?

Ok, digamos que os camelôs não precisassem fugir ou apanhar da polícia e que os empresários ou políticos pudessem ser presos se pisassem na bola. Nessas condições, numa gama de milhares de profissões do Brasil, quantos ainda estariam satisfeitos com a sua?

É preciso
encarar e compreender nosso passado escravista para percebermos que pouco difere do nosso presente. Assim ficaria mais fácil refletirmos sobre o que é preciso para não haver mais escravos modernos num futuro próximo. E quem sabe, enfim, a palavra trabalho possa ter um significado mais agradável.

Thiago Mattos.

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quinta-feira, fevereiro 01, 2007

A minha geração

Sou da geração que hoje tem menos de 30 anos, da geração que aprendeu a tomar bomba e esculpir o corpo mas tem os maiores índices de anorexia e obesidade; que vai ao restaurante natural e pede para ficar na área dos fumantes, e quando vai a um fast food pede um hambúrguer gorduroso com açaí.

Essa é a mesma geração que aprendeu a usar a Internet mas esqueceu como ler um livro; conversa no Messenger mas não fala com seu vizinho; não sabe o que está acontecendo com o seu país ou com o mundo, mas sabe pelo Orkut quem está pegando quem.

A minha geração entende tudo de Big Brother mas nunca ouviu falar de George Orwell; escuta funk carioca mas não tem amigos negros; perde a virgindade com 12, engravida com 13 e divorcia aos 20. Acompanha a vida das celebridades e esquece da sua. Absorve e reproduz toda a hipocrisia das gerações anteriores; não reclama de nada que não seja prolixo e inconsistente.

Minha geração já se acostumou com a violência desde criança mas ainda não conseguiu encarar as crianças de rua; não estranha mais a miséria nem a guerra, até porque em matéria de respeito ao próximo e senso crítico minha geração é miserável. É a geração que acredita no progresso e na ciência mas perdeu a fé em si mesma, mesmo que os templos se multipliquem e que os filósofos passem a crer em Deus. Parece que não há mais salvação.

Um dia, fomos o futuro do país. Hoje, somos a desgraça da nação. Eu, você a minha geração.

Thiago Mattos.

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terça-feira, novembro 28, 2006

Que mundo é esse?

Digamos que a morte do Jece Valadão, ícone inspirador dos cafajestes brasileiros, e o aparecimento do meu caro amigo André Luiz Coelho no programa da TVE ontem à noite, falando sobre as eleições equatorianas, me tiraram do meu ostracismo virtual, coisa que acontece mesmo com quem escreve em blog uma hora ou outra. Chega uma hora em que dá no saco e você tem uma leve porém não desmentida sensação de quem ninguém está te lendo. Aliás, por que o fariam?


Aí então pensei: do que adianta você querer puxar um assunto sobre os altos salários dos ministros ou dos desembargadores, ou ainda especular sobre os assaltos a turistas, até mesmo a chamada “crise aérea” se você está falando sozinho? A verdade mesmo é que ninguém está interessado nem nos foguetes qassam nem em quem vai ser o próximo presidente do Equador, infelizmente.

Logo assim que comecei o Sangue, publiquei um texto falando por que não estava no Orkut. Um tempo depois resolvi estar e provar minha tese dos problemas que ele causa. Não deu outra. As pessoas perguntavam e se espantavam: Não acredito! Viu o mal que a língua faz? E as risadas de hiena ecoavam. Isso foi notícia durante um tempo: Você sabia que o Thiago entrou no orkut? Menina, que coisa! Que mundo é esse em que estamos?!

Pois é, minha vida volta e meia vira notícia, basta eu fazer alguma coisa e, quando as pessoas descobrem da coisa inicial, acaba que alguém me conta de algo que nem sabia que tinha feito. Essa é a notícia mais falada, a da boca pequena, o que acontece do outro lado da parede, a vidinha da amiga da tua prima que fez 3 abortos ou do teu vizinho traficante careca que tem uma namorada vesga e cheia de tatuagens.

Será que se eu começar a contar minhas estórias e aventuras, confessar meus erros e vangloriar-me de minhas vitórias, mentir e ser sincero, ser simplesmente humano e falar das coisas mais mesquinhas e íntimas as pessoas se interessariam? Porque ter um blog, uma banda, fazer uma peça, ser artista, tudo isso é se expor. E tenho descoberto os perigos e males de se expor. De ser simplesmente quem você é mas em olhos desfocados e alheios de quem não te é.

Thiago Mattos.

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segunda-feira, setembro 11, 2006

Árabes, israelenses e flamenguistas

Se alguém atropela um cachorro ou um ciclista porque ele não devia andar na pista, tá tudo bem. E também tá tudo bem se jogam lixo na rua para não desempregar o lixeiro ou se alguém mata um lixo de pessoa, como era considerado o Coronel que ordenou as mortes do Carandiru.

Tudo, tudo, tudo bem se há menos de um mês da eleição ninguém fala dela ou ainda se ninguém que participa dela fala de algo realmente útil. E se não se fala quase nada além do que ja foi dito sobre um Setembro de 5 anos atrás já distante, tá tudo certo, bicho.

Ferreira Gullar declarou que a parte inicial do Poema Sujo era mesmo pra embromar, Caetano Veloso disse que há muitas cancões no mundo, publicam esse tipo de coisa nos jornais, um blog chamado sanguedbarata.blogspot.com comenta essa baboseira, algumas pessoas ainda ficam lendo e tá tudo bem, qual o pobrema? A falta do que falar faz a comunicação ser ainda mais complicada, ninguém se importa.

O racismo que ninguém viu e ninguém vê, a maldade que ninguém faz, o mundo que sempre foi essa coisa quase redonda girando. Meu filho, se controle se der vontade de cantar oh baby, baby, it's a wild world porque vem a economia e seus números, as pessoas e as palavras, tudo nos dá uma idéia de que não há com o que se preocupar e não há nada fora da nova desordem mundial. Se tá tudo tão certo, como poderia dizer “árabes, israelenses e flamenguistas uni-vos”?

Thiago Mattos.

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segunda-feira, abril 24, 2006

Depois dos feriados

Após duas semanas seguidas de feriado, o sangue d barata renova seu sangue verde e volta com entradas semanais. Como diz o Zé Simão, se o bom do feriado é que o país pára, o ruim é que quando acaba o feriado ele volta a andar... pra trás! Mas de qualquer forma, o mundo continua girando e as notícias acontecendo, tudo como sempre esteve.

As eleições na Itália (onde o candidato da oposição Romano Prodi derrotou numa disputa apertadíssima o dono da Itália, Silvio Berlusconi) e no Peru (onde haverá segundo turno) evidenciam a tendência cada vez mais polarizada entre dois candidatos que as disputas eleitorais vêm ganhando. Algum palpite do que acontecerá por aqui nas eleições de outubro?

Aqui no Brasil, por mais que os celulares estejam explodindo e muitos querendo mais é que o mundo se exploda, quem está prestes a explodir é a Varig (se é que já não o fez). A cia. aérea anunciou uma dívida acumulada de R$ 7 bilhões e teve o pedido de ajuda financeira negada pelo governo. Fica a pergunta: Como uma empresa que já foi líder do setor no Brasil, detém agora menos de 20% do mercado? É o mundo girando...

Saiu no Washington Post uma matéria sobre a ampliação do conceito de ‘guerra total’ pelos EUA, num plano militar recém aprovado pelo secretário de defesa norte-americano Donald Rumsfeld, que já está tendo a sua cabeça pedida por 6 generais reformados, diga-se de passagem. Entre os pontos principais do plano está a ampliação do raio de ação do país além dos atuais palcos de guerra. Detalhe: Entre os locais de destino da América Latina está incluído o Brasil. Fica outra pergunta: de onde sai tanto dinheiro que aumentou o orçamento da “guerra do terror” em 60% desde 2003? São as notícias acontecendo...

A última novidade é daqui mesmo da cidade do Rio de Janeiro, onde metrôs e trens começaram a pôr em prática nesta segunda-feira a lei estadual 4733/06, do deputado Jorge Picciani, que determina pelo menos um vagão destinado exclusivamente às mulheres; homem não entra. A lei tem um horário específico (de 2ª. a 6ª. entre 6h às 9h e entre 17h e 20h) e é no mínimo curiosa. Mas isso já é assunto pra outro dia.

Thiago Mattos.

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sexta-feira, abril 07, 2006

'Alegria de palhaço é ver o circo pegando fogo'


Pois bem. Morreu o saudoso palhaço brasileiro Carequinha, o primeiro que veio pra carimbar a nossa condição de povo circense, e a sua morte não poderia vir em melhor hora para marcar no tempo a era da palhaçada que o país está atravessando (há muito tempo, diga-se de passagem).

Um assaltante é morto com três tiros na cabeça em plena Avenida Nossa Senhora de Copacabana às 6 da tarde, após uma perseguição cinematográfica pelas ruas do bairro por policiais depois de roubar um apartamento e ninguém acredita na letalidade da nossa policia, novamente confirmada, que não respeita o direto à vida e atira para matar. Enquanto isso, a gente assiste a tudo quieto sem reclamar, sorrindo aliviados com a morte de menos um bandido no mundo.

Deputados estão sendo absolvidos sucessivamente, mesmo após confessarem que receberam dinheiro ilegal, a classe política sendo ridicularizada e o povo dando risada, dizendo que se estivessem lá em Brasília roubariam também. Os presidenciáveis sendo engolidos na areia movediça que criaram, tergiversando desculpas e todo mundo dando gargalhada. Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor!

A verdade é que ninguém está nem aí. Exemplo simples e próximo: quando eu escrevo aqui neste blog expondo as besteiras do orkut, todos se inflamam e se manifestam. Entretanto, se aqui neste mesmo espaço proponho a discussão de temas mais políticos, por assim dizer, só 2 ou 3 pessoas deixam comentários. Se falasse sobre quem vai comer quem na novela talvez houvesse uma participação ainda maior dos meus leitores. Hoje tem goiabada? Tem, sim senhor!

De qualquer forma, agora que nosso ícone da palhaçada se foi, só precisamos nos olhar no espelho para rir da nossa própria condição burlesca de povo bestializado e besta. O circo está pegando fogo mas, de tanta gargalhada, o povo não percebe que está morrendo queimado.

Thiago Mattos

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segunda-feira, março 20, 2006

Me dá seu orkut?

Ok, você venceu! Batata frita! É assim que me sinto conforme vou me deixando seduzir pouco a pouco pelas vicissitudes tecnológicas. Primeiro foi o celular: durante um bom tempo eu me recusava a andar por aí carregando um tamagochi que além de falar também faz você falar onde você está. Até que um dia me rendi ao uso do maldito. Rapaz, passei por cada situação...

Depois veio o imeiu. “Cara, você não tem e-mail? Ta por fora, hein!” Era o que me diziam (familiar isso?), então tinha que arrumar o tal. Ninguém mais me escrevia cartas, (e olha que eu recebia cada carta de dar inveja a locutor de programa de rádio AM). Assim, eu também fui parando de escrevê-las, de tanto que era bombardeado pela propaganda do imeiu. Aí, veio o famoso messenger. “Mermão, tu tem que ter! É chuchu beleza, funciona que é uma maravilha! Pá pum, rapidim”.

Agora, esse negócio de orkut, francamente hein... Imagina só: uma vitrine virtual exibindo quem você é, do que você gosta, do que você não gosta, do que você – além de não gostar – odeia, quem são seus amigos, seus inimigos, onde você vai, se você bebe, se você fuma, se você cheira, putaquiupariu! Sai pra lá! Que que é isso, minha gente? Todos querem os seus 15 minutos de fama, todos querem ser importantes e mostrarem como são únicos, como são especiais por gostarem de música gótica espanhola, lerem Fitzgerald e comerem rúcula. Que carência é essa?

“Viu o que ele escreveu pra mim, Gertrudes?”

“Menina, se a Zilcreide ler aquilo tu tá fritinha da silva”

E olha que eu não estou nem tocando na questão política disso. A coisa fica feia mesmo quando a gente pensa que mesmo vivendo em plena era do “Sorria, você está sendo filmado” a gente quer mais é aparecer bem na fita, ali atrás da repórter. “Galvão, filma nóis!”. A gente quer mais é mostrar que existe, sonhamos em sermos os próximos a aparecer na revista Caras, nos desesperamos para sermos sorteados no Big Brother Brasil.

Essa alienação voluntária no maravilhoso mundo do controle social camufla um estilo de vida servil à uma idéia que não é nossa, compramos gato por lebre sem percebermos ou nos questionarmos o que tem por trás disso, sem essa de teoria da conspiração mas toda essa exacerbação da imagem e da individualidade não faz ninguém especial. Ao contrário, somos só mais uma ovelha no meio de um rebanho subjugado, dominado e cego. O problema é que com todo esse glamour anestésico fica difícil qualquer acorrentado se libertar da confortável caverna de Platão.

Thiago Mattos

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quarta-feira, março 15, 2006

O cidadão brasileiro médio

A desmoralização da Câmara dos Deputados e a ocupação do Exército em algumas favelas cariocas demonstram bem o arquétipo do cidadão brasileiro médio. É fácil reconhecer um cidadão brasileiro médio: ele carrega consigo idéias medíocres.

Quando ouvimos numa conversa de boteco coisas como “Eu é que queria ganhar mensalão” ou “Todo político mete a mão mesmo”, fica claro o sintoma que aproxima toda uma população. Essas frases medíocres denunciam um absurdo comum: o conformismo presente na boca do povo. E quando digo povo, envolvo todas as camadas, do primeiro andar à cobertura.

Assim, fica fácil também entender porque acontece o que acontece na Câmara dos Deputados, todo esse acordo de compadres que salva os colegas. Brasília e todos os deputados federais que votaram contra a cassação dos envolvidos no escândalo do caixa 2 é apenas um microcosmos do que é o Brasil, ou melhor dizendo, de como manifestam-se as idéias medíocres do cidadão brasileiro médio.

O cidadão brasileiro médio existe por toda a parte e é este mesmo cidadão que também participaria do acordão para livrar a cara do seu colega que roubou 20 ou 100 mil, afinal, no lugar de seu colega (outro cidadão brasileiro médio) ele também faria o mesmo (quem não faria?).

O mesmo acontece com a parcela da população que apóia a ocupação do Exército brasileiro em alguns morros do Rio de Janeiro para o resgate de 10 fuzis e uma pistola que haviam sido roubados de um quartel. Os pensamentos sanitaristas se reproduzem através da boca do cidadão brasileiro médio que acha normal apontar um tanque de guerra para o próprio povo, não importa que haja criminosos no meio (onde hão há?).

Precisamos tratar melhor novo povo e, por que não, nossos “criminosos”. Mas o cidadão brasileiro médio quer mais é ver o circo pegando fogo, quer mais é que morra toda essa raça descalça que não usa paletó (ainda que seja um deles). Esse é o sujeito que grita “Mata!”, “Lincha!”, “Tem tudo é que morrer!”,e é quem absurdamente defende a cadeira elétrica. Mas na verdade é apenas um cidadão sendo usado para a manifestação de idéias, sejam elas liberais, conservadoras ou revolucionárias.

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