terça-feira, março 09, 2010

Sérgio Cabral falando inglês (completamente) bêbado

Quando a gente acha que já viu de tudo neste mundo, que nada... No vídeo abaixo o ilustre governador carioca, Sérgio Cabral, mostra que aprendeu inglês com o Joel Santana. A diferença é a completa embriaguez em que se encontra o político. Que vergonha alheia dá de ver essa cena!


Ai ai... que vergonha dele!

Thiago Mattos

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terça-feira, janeiro 26, 2010

Herdeiro de uma herança maldita

A Obamamania acabou, clamam os analistas. A recente derrota democrata em Massachussetts parece ter marcado o fim de uma era que, como alguns insistem, durou um ano.

A suada reforma da saúde, que ainda não está encerrada, e a enorme ajuda aos bancos e à General Motors parecem ter ponteado esse o primeiro ano de governo, revelando desafios que vão tornando o lema de campanha cada vez mais distante. Em vez daquela afirmação pungente (“Sim, nós podemos” ), a pergunta que todos fazem agora é “Podemos mesmo?”

Apesar de tudo, ainda é cedo para uma avaliação mais precisa de um governo que já chegou causando frisson e, ao deparar-se com obstáculos quase intransponíveis, causa o mesmo alvoroço – seja entre críticos ou partidários.

O governo Obama, pelo menos por enquanto, é um herdeiro de uma herança maldita. Mas é bom que não se esqueça: pode – e deve – ser muito mais que isso.

Thiago Mattos.

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domingo, novembro 15, 2009

Quem é quem

O desabamento das vigas do Rodoanel na última semana em São Paulo, o recente apagão e as enchentes na Baixada Fluminense nos dão uma boa ideia dos políticos com os quais estamos lidando.

O Tribunal de Contas da União (TCU) classificou 79 irregularidades das obras do Rodoanel como "graves", entre elas o uso de material mais barato para redução de custos; "usaram menos material de construção, mas receberam o mesmo dinheiro", diz o relatório do TCU.
As denúncias de superfaturamento, que inclusive datam de maio deste ano, apontam prejuízo de R$ 184,4 milhões aos cofres públicos - isto na construção do trecho sul do Rodoanel.

Construtoras/empreiteiras como OAS, Mendes Jr, Carioca, Queiroz Galvão e CR Almeida participaram das obras. É bom lembrarmos da relação entre doações para campanhas políticas de São Paulo e a participação em obras tão lucrativas; uma rápida pesquisa na internet nos mostra quem é quem.

Os políticos de São Paulo que tanto arrotavam "as incríveis obras do Rodoanel" terão que engolir mais essa. Da mesma forma que o inabalável presidente da República e sua ainda candidata Dilma terão que conviver com o que ainda está obscuro no apagão.

E tem mais. Enquanto o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, dava uma de guia turístico para a cantora Madonna e dizia que a cantora era um luxo, o povo da Baixada Fluminense sofria com as enchentes e com o descaso do governo. Afinal, a Baixada, ao contrário da Madonna, não é um luxo.

Merecemos ou não?

Thiago Mattos.

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segunda-feira, outubro 26, 2009

A corrupção-nossa-de-cada-dia

De pouco adianta reclamarmos tanto da corrupção que impera no país se somos tão coniventes com a corrupção-nossa-de-cada-dia, aquela que julgamos não fazer mal e, por isso mesmo, fazemos frequentemente.

Todos que xingam os políticos e continuando votando precisam de uma vez por todas entender que eles não se elegem à toa: recebem votos e são eleitos. E é o que cada um decide - e como decide - na hora de votar que realmente faz a diferença (Ultimamente, tenho decidido não votar ou anular, mas estou sempre à procura de um candidato que conquiste o meu voto).

Além de tudo isso, a corrupção deve ser combatida começando por uma mudança de atitudes geral. De TODOS! Se não, amigo, não adianta. Então, ou a gente continua reclamando só por reclamar mesmo ou nos sentimos parte do que falta para melhorar e fazemos algo sobre isso.

Chega de dar um cafezinho aqui e outro ali como propina, de molhar a mão do policial quando estamos errados, chega dessa mania de querer sempre sair ganhando e levar vantagem em cima de todos. Ou ainda de "deixar para lá" os centavos quando não nos devolvem nosso troco certo, de querer passar na frente da fila... Enfim, exemplos não faltam.

Precisamos aprender a viver em sociedade, pois quando apenas um sai ganhando, muitos perdem. Precisamos entender que o que é público não é um bem privado e, portanto, não pode ser usado para beneficiar a poucos. Já temos que ir fazendo listinha das figuras políticas execráveis que já bagunçaram demais por aqui, para que assim a gente saiba decorado que, no que depender de nós, nem eles nem quem anda com eles jamais serão eleitos de novo.

E já que o assunto é mudança, ok, vamos falar um pouco sobre as drogas. Está na cara que quem consome drogas ilegais está alimentando um mercado que só mal a todos que afeta. Sem essa de discurso moralista de que drogas é uma coisa do demônio mas, na boa, se não houvesse tanta demanda, não haveria tanta oferta. Então, como é possível imaginarmos que a violência não tem a menor relação com o consumo impulsionado e incentivado pelo tráfico de drogas.

É bem simples: apenas não consigo entender como as pessoas querem ao mesmo tempo viver em um país bom e justo não fazer nada para que isso aconteça. É como se nossas ações, como a corrupção-nossa-de-cada-dia ou o baseado-nosso-de-cada-dia não acarretassem em uma série de consequências em cadeia. Está na hora da gente falar sério.

É muito egoísmo da parte de alguns quando pagarmos um preço tão caro para que possam tranquilamente fumar sua maconha, cheirar sua cocaína etc. As drogas devem ser tratadas como uma questão de saúde pública e a sua descriminalização ou legalização devem ser discutidas. Mas enquanto não acontecem, seria um enorme gesto de nobreza se aqueles que ainda têm a opção de consumir ou não as drogas quem vem do tráfico simplesmente as boicotassem. Mas a grande verdade é que não há homem ou mulher para isso.

Ou paramos de ser ridículos e calamos a boca ou mudamos logo essa joça com as próprias mãos!

Thiago Mattos.

PS: Imagem de http://rasuralivre.blogspot.com/

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quinta-feira, agosto 13, 2009

Os polêmicos peitos alemães

Às vésperas das eleições alemãs de Setembro, cartazes de campanha exibindo um senhor decote da chanceler Angela Merkel estão dando o que falar.

Na foto do cartaz, ao lado da chanceler e com outro decote no mesmo nível, aparece a candidata ao parlamento alemão Vera Lengsfeld, 57 anos. E também uma frase sugestiva: "Nós temos mais a oferecer".

Lengsfeld concorre pela União Democrata Cristã (UDN) – mesmo partido que Merkel – e em um distrito altamente esquerdista de Berlim (Kreuzberg-Friedrichshain). Em entrevista ao jornal popular Bild, ela disse que precisava de um cartaz chamativo para a eleição, já que seu partido obteve apenas 12,4% dos votos na última eleição, há quatro anos.

Com o cartaz, a polêmica candidata (e ex-ativista pelos direitos civis da Alemanha Oriental) acabou irritando a liderança do partido. A foto de Merkel havia sido tirada numa visita da chanceler à inauguração da Ópera de Oslo, em abril de 2008, e causou a mesma surpresa na época.


Mas se a ideia era chamar atenção, a tarefa está cumprida. Afinal, quem não toma um susto ao ver metade dos peitos de uma senhora para fora? Imagine então vendo os peitos de duas senhoras de uma vez só...

E olha que elas ainda tem "mais a oferecer", hein!


Thiago Mattos.

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quinta-feira, julho 30, 2009

70% do Conselho de Ética tem ficha com problemas

Ao menos 70% dos membros do Conselho de Ética são alvos de inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), informa o Estado de S. Paulo.



Esses membros do conselho são réus em ações penais e/ou envolvimento com nepotismo e atos secretos nos últimos anos. São esses mesmos senadores que devem decidir o destino dos pedidos de abertura de processo de cassação do atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


O site do jornal afirma ainda que a esperada benevolência do Conselho de Ética com Sarney pode ser explicada pela biografia de seus integrantes.

Nas últimas semanas, os escândalos envolvendo o presidente do Senado não param de aumentar. Sarney está sendo acusado de ligação com boletins administrativos sigilosos, nomeação de parentes e afilhados, além de desvio de recursos da Petrobrás pela Fundação José Sarney.

Ou o povo brasileiro aprende a votar, pesquisando e acompanhando a ficha dos políticos em que vota, ou não tem mais jeito. Não se interessar por política num país como o Brasil só pode dar nisso.

Para ler toda a matéria, clique aqui.

Thiago Mattos.

PS: Imagem de http://rasuralivre.blogspot.com/

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sexta-feira, abril 24, 2009

"A família é sagrada"

O mais novo escândalo político brasileiro vem da chamada "farra" das passagens aéreas a que nossos parlamentares clamam, choram, exigem ter por direito.

Após vir à tona um esquema de venda de bilhetes aéreos bancados com verba pública e repassados por agências de viagens, o que veio adiante surpreende ainda mais: as declarações e posicionamentos dos nossos eleitos da Câmara e do Senado.

Além da maneira como usam os bihetes (extendendo o privilégio a toda a parentela), a "revolta" causada nos políticos que se vêm ameaçados em seus privilégios é espantosa.

Os argumentos para a manutenção de um privilégio que desperdiça dinheiro público aos montes são os mais estapafúrdios possíveis e revelam a alma de quem está (ou quer entrar) para a vida política do país - os próprios brasileiros, que sempre querem uma boquinha.

Na semana passada, relembrando o episódio do deputado Fábio Farias (PMN-RN) que deu sete passagens aéreas a apresentadora de TV Adriane Galisteu, os jornalistas perguntaram ao primeiro-secretário do Senado Heráclito Fortes (DEM-PI):

"Pode dar passagem para namorada?". Ao que ele respondeu prontamente: "Se for bonita, pode" - e engoliram a piada e, de quebra, o sapo.

Inocêncio Oliveira (PR-PE), segundo-secretário da Câmara, já utilizou as passagens para viajar com a família a New York, Frankfurt, Milão e Miami. Acha tudo tão normal que fez uma declaração onde diz tudo sobre a maneira como pensam não só os políticos, mas qualquer brasileiro médio que estivesse ali em seu lugar:

"A família é sagrada".

Sentiu-se abençoado com sua "boa ação" e pouco foi questionado.

O que não percebemos - políticos ou eleitores - é que nem a família, nem a namorada ou amigos foram eleitos. Quem foi, além de contar com tantas regalias, já dispõe de um salário suficientemente bom para bancar os seus.

O episódio das passagens ainda não acabou por aí. Novas votações virão e novos sapos deveremos engolir. Se os brasileiros não mudarem a si mesmos, os políticos continuarão os mesmos.

Thiago Mattos.

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quinta-feira, abril 02, 2009

Os pontos altos do G-20


English version - click here

O encontro do G-20 nesta semana em Londres merece nossa atenção.


Além da aprovação do maior plano econômico da história para sair da crise, com a injeção de um trilhão de dólares em dinheiro e uma série de outras medidas que devem representar cinco trilhões de dólares até 2010, os pontos altos do encontro foram outros.

O abraço de Michele Obama na intocável rainha Elizabeth II no Palácio de Buckingham causou alvoroço por lá. A polêmica se deu por causa de um gesto com a mão feito pela rainha, como se fosse abraçar Obama, quando então a primeira-dama norte-americana quis retribuir o gesto.

Segundo aquela norma, é proibido tocar a rainha – embora a realeza possa tocar seus convidados. Times, Daily Telepgraph e outros veículos de comunicação ingleses se incomodaram com a quebra de protocolo. Mas alguém ainda se espanta com a imprensa britânica?

Outra cena que vai ficar marcada foi a gravada pela BBC, quando Barack Obama rasga a ceda de Lula antes do início da cúpula, dizendo: "Ele é o cara... Eu adoro esse cara! Ele é o político mais popular da Terra!", e emendando: "Isso é porque ele é boa pinta".


Ao final do encontro, Lula ainda tirou um sarro: "Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?".

Bem, se Obama ama Lula ou se Lula é o mais popular da Terra eu não sei, mas "boa pinta"?!? Cá entre nós, Mr. President, pegou pesado, hein?

Thiago Mattos.

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terça-feira, fevereiro 03, 2009

O partido sem alma

A vida política brasileira há muito não desperta interesse algum na maior parcela dos cidadãos. Partidos como o PMDB estão aí para nos ajudar a entender o por quê.


Desde 1964, esse partido essencialmente sem alma sintetiza de forma vistosa o que é e como é feita a política no Brasil. Não importa o governo, ideologias, nada; o PMDB sempre estará ao lado de quem manda. E com essa fórmula mágica acaba sempre mandando também.

A recente vitória do partido para a presidência da Câmara e do Senado Federal demostra mais uma vez o grau de hegemonia política que faz do PMDB o partido mais influente da atual política nacional.

Vamos lembrar que o partido agora ocupa as duas presidências do Legislativo; cinco ministérios e diversas diretorias e presidências de importantes estatais, no Executivo; além de ter eleito uma boa quantidade de governadores e prefeitos no último pleito.

Com a eleição de José Sarney (AP) e Michel Temer (SP), controlarão um orçamento de mais de R$ 6 bilhões e uma estrutura com milhares de funcionários, emissoras de rádios e TV, gráficas, informativos diários, enfim, mandarão e desmandarão num bom pedaço do que é o Brasil. Isso sem mencionar a influência política que vem à reboque de tudo isso.

Assim ficaria fácil questionar como pode alguém se interessar por um jogo onde as cartas já estão marcadas. Dito o óbvio, fica a indagação: essa política nojenta que nos deixa apáticos ou por sermos tão apáticos temos o que merecemos?

Muito de "por que o PMDB é o que é" deve-se a mesma razão - quiçá um reflexo - de "por que somos como somos". E aí fica fácil entender as regras políticas que temos - nós as louvamos e aceitamos - e também por que simplesmente estamos assistindo continuamente a mais do mesmo.

Cada um de nós está acostumado a pensar primeiro em si, sem saber o que é pensar coletivamente. As pequenas vantagens, o lixo no chão, nossa ética é especial. Por isso, só no Brasil poderia haver um partido político como o PMDB - o partido sem alma.

Thiago Mattos.

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segunda-feira, outubro 06, 2008

Pádua dá exemplo de insatisfação

Parece até que os eleitores da cidade de Santo Antônio de Pádua (RJ) leram a última postagem do blog, onde sugeri o voto nulo como um voto de protesto.

Mais de 50% dos eleitores da cidade do norte fluminense anularam o voto - fenômeno raríssimo! - e dos três candidatos a prefeito, dois deles não receberam um voto sequer - ao que tudo indica nem deles mesmos!

Parabéns aos eleitores de Pádua que deram uma lição bem dada nos políticos mostrando sua insatisfação de forma bem explícita nas urnas. Como seria bom se a moda pegasse, seria ou não seria?

Thiago Mattos.

Imagem: http://rasuralivre.blogspot.com/

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sábado, outubro 04, 2008

"O analfabeto político"

Eleições chegando. Momento propício para lembrarmos de Berthold Brecht. O dramaturgo e poeta alemão, infelizmente, continua atualíssimo com suas palavras contundentes e arrebatadoras sobre a vida político-social.

Seu teatro épico prestrou-se a integrar a arte e o povo. Sua visão de mundo era de uma sobriedade ímpar. Para nos inspirarmos neste momento eleitoral, um pouco de Brecht.

Com vocês, o pior analfabeto:

O Analfabeto Político
(Berthold Brecht)

O pior analfabeto
é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política,
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista, pilantra, corrupto
e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.


Eleições vêm e vão, mas enquanto não mudarmos a nós mesmos como cidadãos, pouco na vida social pode mudar. Afinal, falar de política numa nação de corruptos é o mesmo que escrever num país de analfabetos.

Thiago Mattos.

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quinta-feira, outubro 02, 2008

O direito e o dever

Estava pensando em fazer o mesmo com os candidatos de São Paulo e exibi-los aqui, mas, afinal, quem se importa com qualquer um deles? Estão todos aí nas infinitas páginas da Internet com toda a informação necessária, e o blog fica muito poluído com essas caras nada simpáticas por aqui.

Se estamos numa democracia, deveríamos ao menos ter o direito de escolher não votar e esse será meu voto esse ano. Um voto pelo não.

Quem pode se sentir representado numa Eleição assim, onde um direito torna-se um dever, uma Eleição com 27 partidos e sabe-se lá quantos candidatos, uma Eleição que parece ser a mesma e parece deixar tudo na mesma, como podemos ter vontade de votar diante de tanta falta de opção mascarada por opções inconsistentes?

Ainda dirão: "Mas você tem que votar! Não podemos deixar fulano ganhar! Vamos usar o voto útil ao menos!" E eu direi: não adianta, enquanto não me sentir parte integrante e realmente atuante deste sistema, ele não serve para mim e eu não sirvo para ele.

Não! Não vou dar meu voto a ninguém. Eles já têm muitos de mão beijada, vão ter que se esforçar mais para terem o meu. Terão que me convencer, afinal meu voto é "muito importante", não é o que dizem? Vai ter que suar mais a camisa, amigo!

Quem sabe se uma parcela maior de descontentes anulasse ou não comparecesse, talvez o voto pudesse se tornar um pouco mais válido e valioso. Talvez pudéssemos começar a mudar as regras deste jogo que já sabemos sempre quem serão os eternos vencedores - até que as coisas mudem. Sonho? Talvez. Mas meu voto não terão.

Por enquanto, e por um bom tempo, este será meu único voto: não!

Thiago Mattos.

Imagem: http://rasuralivre.blogspot.com/

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sábado, setembro 27, 2008

"Tas na Zona... Eleitoral"








(Pausar a Rádio Sangue Bom para assistir aos vídeos)

O jornalista-ator-comediante Marcelo Tas realizou em quatro episódios a série "Tas na Zona... Eleitoral", onde discute política e eleição de um jeito bem cool.

Do primeiro ao último episódio, ele ouve o povo, especialistas e políticos. O resultado é bem interessante. Pelo que parece, até o Jornal Nacional produziu uma série muito similar com a mesma pauta.


De qualquer forma, aqui vai minha declaração de voto: não.

Thiago Mattos.

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segunda-feira, junho 30, 2008

Foi dada a largada

Já estão definidas as candidaturas à prefeitura do Rio de Janeiro para a eleição deste ano. E depois de muito tempo anulando, duas opções chegam a despertar o interesse de finalmente dar para alguém o meu voto.

Com Chico Alencar (PSOL) e Fernando Gabeira (PV-PSDB-PPS) na disputa, esta eleição tem tudo para se tornar um debate sóbrio e inteligente sobre os problemas da cidade e para que discutemos de maneira sensata como começar a resolvê-los.

Só espero que no final não perceba que estou errado. Afinal, outros grandes nomes da política já desapontaram uma vez no poder. E a torcida é enorme para que não esteja tudo perdido.

Chico Alencar sempre teve minha admiração como deputado e homem público lutando por questões nobres; Gabeira, apesar de estar numa chapa curiosa com o PSDB, carrega consigo uma imagem de incorruptibilidade e compromisso social. Dá até medo elogiar...

Um segundo turno com os dois não faria mal a ninguém. Vamos ver o que terão a dizer.

Estarão também na disputa Jandira Feghali (PC do B), Solange Amaral (DEM), Eduardo Paes (PMDB), Marcelo Crivella (PRB-PR-PSDC), Alessandro Molon (PT), Paulo Ramos (PDT), Filipe Pereira (PSC) e Vinicius Cordeiro (PT do B).

Foi dada a largada.

Thiago Mattos.

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quinta-feira, junho 26, 2008

Super-suplentes

A cientista política Lucia Hippolito chama a atenção para um crescente problema que passa despercebido e ganha pouca (ou nenhuma) cobertura da mídia: os suplentes de senadores.

O cidadão se elege para uma vaga no Senado Federal tendo dois camaradas seus como suplentes - às vezes um filho, um pai, um amigo. Quando não, o financiador da campanha que lhe pôs ali dentro - nesse caso, o camarada mais legal.

O caso é que tem sido cada vez mais comum o suplente (que ninguém nunca sabe quem é) ocupar a vaga do eleito e ter poder de voto para decisões importantes que passam pelo Senado.


Esse ano já atingimos a marca de 20 suplentes entre 81 senadores. Para ficar mais fácil, um em cada quatro ocupantes simplesmente "vira" senador da noite para o dia. É como soltar uma criança numa vidraçaria: vai dar merda.


Vale a pena ir até o blog da cientista e se informar melhor sobre mais uma normalidade absurda do nosso país do faz-de-conta.


Agora, fica a pergunta: por que até hoje não existe qualquer dispositivo legal para que se esclareça durante a eleição quem são os suplentes de cada candidato? Assim ficaria mais fácil saber com quem andam se juntando Vossas Excelências, não é não?

Thiago Mattos.

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segunda-feira, junho 23, 2008

Vossas Excelências - quem votou a favor da nova CPMF

O Blog do Tas divulgou a lista com o nome das Vossas Excelências que votaram a favor da nova CPMF, a CCS. Muda o nome mas o efeito e a desgraça é a mesma.

Com a nossa carga tribuitária já nas marcas de um aumento histórico (quase 40% do PIB), ficou claro que, mesmo com o fim da velha CPMF, o governo já arrecadou esse ano em impostos mais do que no mesmo período no ano passado - 1,87% em relação a 2007.

Segue abaixo a longa lista de quem votou a favor:

Partido Comunista do Brasil (PC do B)
Aldo Rebelo (SP)
Alice Portugal (BA)
Daniel Almeida (BA)
Edmilson Valentim (RJ)
Evandro Milhomen (AP)
Flávio Dino (MA)
Jô Moraes (MG)
Manuela DÁvila (RS)
Osmar Júnior (PI)
Perpétua Almeida (AC)
Renildo Calheiros (PE)
Vanessa Grazziotin (AM)

Partido da República (PR)
Airton Roveda (PR)
Aracely de Paula (MG)
Chico Abreu (GO)
Chico da Princesa (PR)
Dr. Adilson Soares (RJ)
Giacobo (PR)
Inocêncio Oliveira (PE)
Jaime Martins (MG)
José Santana de Vasconcellos (MG)
Leo Alcântara (CE)
Lincoln Portela (MG)
Lucenira Pimentel (AP)
Luciano Castro (RR)
Lúcio Vale (PA)
Marcelo Teixeira (CE)
Marcio Marinho (BA)
Maurício Quintella Lessa (AL)
Maurício Trindade (BA)
Milton Monti (SP)
Neilton Mulim (RJ)
Nelson Goetten (SC)
Valdemar Costa Neto (SP)
Vicente Arruda (CE)
Vicentinho Alves (TO)
Wellington Fagundes (MT)

Partido Democrático Trabalhista (PDT)
Ademir Camilo (MG)
Brizola Neto (RJ)
Dagoberto (MS)
Damião Feliciano (PB)
Davi Alves Silva Júnior (MA)
Giovanni Queiroz (PA)
João Dado (SP)
Marcos Medrado (BA)
Mário Heringer (MG)
Paulo Pereira da Silva (SP)
Pompeo de Mattos (RS)
Sérgio Brito (BA)
Vieira da Cunha (RS)
Wolney Queiroz (PE)

Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)
Alexandre Santos (RJ)
Aníbal Gomes (CE)
Antônio Andrade (MG)
Antonio Bulhões (SP)
Átila Lins (AM)
Carlos Alberto Canuto (AL)
Carlos Bezerra (MT)
Celso Maldaner (SC)
Cezar Schirmer (RS)
Cristiano Matheus (AL)
Darcísio Perondi (RS)
Edio Lopes (RR)
Edson Ezequiel (RJ)
Eduardo Cunha (RJ)
Elcione Barbalho (PA)
Eliseu Padilha (RS)
Eunício Oliveira (CE)
Fátima Pelaes (AP)
Fernando Diniz (MG)
Fernando Lopes (RJ)
Flávio Bezerra (CE)
Gastão Vieira (MA)
Geraldo Pudim (RJ)
Geraldo Resende (MS)
Henrique Eduardo Alves (RN)
Hermes Parcianello (PR)
Ibsen Pinheiro (RS)
Íris de Araújo (GO)
João Magalhães (MG)
João Matos (SC)
Joaquim Beltrão (AL)
Jurandil Juarez (AP)
Leandro Vilela (GO)
Luiz Bittencourt (GO)
Marcelo Almeida (PR)
Marcelo Castro (PI)
Marcelo Melo (GO)
Maria Lúcia Cardoso (MG)
Marinha Raupp (RO)
Mauro Benevides (CE)
Mauro Lopes (MG)
Mendes Ribeiro Filho (RS)
Moacir Micheletto (PR)
Natan Donadon (RO)
Nelson Bornier (RJ)
Nelson Trad (MS)
Odílio Balbinotti (PR)
Olavo Calheiros (AL)
Osmar Serraglio (PR)
Osvaldo Reis (TO)
Paulo Henrique Lustosa CE)
Paulo Piau (MG)
Pedro Chaves (GO)
Pedro Novais (MA)
Professor Setimo (MA)
Rita Camata (ES)
Saraiva Felipe (MG)
Solange Almeida (RJ)
Tadeu Filippelli (DF)
Valdir Colatto (SC)
Veloso (BA)
Vital do Rêgo Filho (PB)
Waldemir Moka (MS)
Wilson Braga (PB)
Wilson Santiago (PB)
Wladimir Costa (PA)
Zé Gerardo (CE)
Zequinha Marinho (PA)

Partido dos Trabalhadores (PT)
Adão Pretto (RS)
Angelo Vanhoni (PR)
Anselmo de Jesus (RO)
Antônio Carlos Biffi (MS)
Antonio Carlos Biscaia (RJ)
Antonio Palocci (SP)
Beto Faro (PA)
Cândido Vaccarezza (SP)
Carlito Merss (SC)
Carlos Abicalil (MT)
Carlos Santana (RJ)
Carlos Zarattini (SP)
Cida Diogo (RJ)
Dalva Figueiredo (AP)
Décio Lima (SC)
Devanir Ribeiro (SP)
Dr. Rosinha (PR)
Eduardo Valverde (RO)
Elismar Prado (MG)
Eudes Xavier (CE)
Fátima Bezerra (RN)
Fernando Ferro (PE)
Fernando Melo (AC)
Francisco Praciano (AM)
Gilmar Machado (MG)
Guilherme Menezes (BA)
Henrique Afonso (AC)
Henrique Fontana (RS)
Iran Barbosa (SE)
Iriny Lopes (ES)
Janete Rocha Pietá (SP)
Jilmar Tatto (SP)
Jorge Bittar (RJ)
José Airton Cirilo (CE)
José Eduardo Cardozo (SP)
José Genoíno (SP)
José Guimarães (CE)
José Mentor (SP)
Joseph Bandeira (BA)
Leonardo Monteiro (MG)
Luiz Bassuma (BA)
Luiz Couto (PB)
Luiz Sérgio (RJ)
Magela (DF)
Marco Maia (RS)
Maria do Carmo Lara (MG)
Maria do Rosário (RS)
Maurício Rands (PE)
Miguel Corrêa (MG)
Nazareno Fonteles (PI)
Nelson Pellegrino (BA)
Nilson Mourão (AC)
Odair Cunha (MG)
Paulo Pimenta (RS)
Paulo Rocha (PA)
Paulo Teixeira (SP)
Pedro Eugênio (PE)
Pedro Wilson (GO)
Pepe Vargas (RS)
Reginaldo Lopes (MG)
Sérgio Barradas Carneiro (BA)
Tarcísio Zimmermann (RS)
Vander Loubet (MS)
Vicentinho (SP)
Vignatti (SC)
Virgílio Guimarães (MG)
Walter Pinheiro (BA)
Zé Geraldo (PA)
Zezéu Ribeiro (BA)

Partido Humanista da Solidariedade (PHS)
Felipe Bornier (RJ)
Miguel Martini (MG)

Partido da Mobilização Nacional (PMN)
Silvio Costa (PE)

Partido Progressista (PP)
Benedito de Lira (AL)
Ciro Nogueira (PI)
Eduardo da Fonte (PE)
Eliene Lima (MT)
Eugênio Rabelo (CE)
George Hilton (MG)
Gladson Cameli (AC)
João Leão (BA)
João Pizzolatti (SC)
José Otávio Germano (RS)
Lázaro Botelho (TO)
Luiz Fernando Faria (MG)
Márcio Reinaldo Moreira (MG)
Mário Negromonte (BA)
Nelson Meurer (PR)
Neudo Campos (RR)
Pedro Henry (MT)
Ricardo Barros (PR)
Roberto Britto (BA)
Simão Sessim (RJ)
Vilson Covatti (RS)
Waldir Maranhão (MA)

Partido Republicano Brasileiro (PRB)
Cleber Verde (MA)
Léo Vivas (RJ)
Marcos Antonio (PE)
Walter Brito Neto (PB)

Partido Social Cristão (PSC)
Costa Ferreira (MA)
Deley (RJ)
Eduardo Amorim (SE)
Filipe Pereira (RJ)
Hugo Leal (RJ)
Takayama (PR)

Partido Socialista Brasileiro (PSB)
Ana Arraes (PE)
Ariosto Holanda (CE)
Átila Lira (PI)
B. Sá (PI)
Beto Albuquerque (RS)
Ciro Gomes (CE)
Dr. Ubiali (SP)
Eduardo Lopes (RJ)
Fernando Coelho Filho (PE)
Givaldo Carimbão (AL)
Laurez Moreira (TO)
Lídice da Mata (BA)
Manoel Junior (PB)
Marcelo Serafim (AM)
Márcio França (SP)
Maria Helena (RR)
Ribamar Alves (MA)
Rodrigo Rollemberg (DF)
Sandra Rosado (RN)
Valadares Filho (SE)
Valtenir Pereira (MT)

Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)
Alex Canziani (PR)
Armando Abílio (PB)
Arnon Bezerra (CE)
Augusto Farias (AL)
Jovair Arantes (GO)
Luiz Carlos Busato (RS)
Nelson Marquezelli (SP)
Paes Landim (PI)
Pastortd Manoel Ferreira (RJ)
Paulo Roberto (RS)
Pedro Fernandes (MA)
Sérgio Moraes (RS)
Tatico (GO)

Partido Trabalhista Cristão (PTC)
Carlos Willian (MG)

Partido Trabalhista do Brasil (PT do B)
Vinicius Carvalho (RJ)

PS: Nem eu sabia que tinham tantos partidos no Brasil...

Thiago Mattos.

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quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Indecência brasileira

Acompanhando o calendário lunar, começo o Ano do Rato em sincronia com os orientais, após fartas férias tiradas sem prazo nem explicação. Que me perdoem os fiéis leitores pela ausência, mas cá estou novamente por mais um longo período – pelo menos até as próximas férias.

Começo o ano escandalizado com os cartões corporativos do governo muito mais do que com a nudez da passista da São Clemente, Viviane Castro. A escola de samba carioca foi penalizada perdendo pontos e (não pelo mesmo motivo) acabou sendo rebaixada para o grupo de acesso. Mas e os usuários dos cartões corporativos, que castigo terão?

Ok, uma já caiu (Matilde Ribeiro) e outro (Orlando Silva) ameaça devolver R$ 30 mil. Mas será o suficiente? O que acontecerá aos outros protegidos pelas chamadas “despesas de caráter sigiloso” ou por “órgãos especiais”? Alguém em Brasília já ouviu falar em accountability?

De certo, mesmo que aprovada mais uma CPI para investigar o atual escândalo, não daria em muita coisa a tentativa vazia de reunir bodes expiatórios quando se mantém o sistema que os produz e, logo, tudo voltaria ao normal até descobrirmos o próximo absurdo rotineiro do mundo da política.

Mas, assim como a apuração do desfile do carnaval carioca já deixou de ser interessante há muito tempo, o interesse pelas questões políticas – talvez pela mesma previsibilidade – não rende muito mais do que algumas linhas de revolta fantasiada de resignação.

E que comece o Ano do Rato!

Thiago Mattos.

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quinta-feira, junho 07, 2007

Renan Calheiros encalhará?

Após muita pressão e temendo desgaste político, o Conselho de Ética do Senado abriu ontem processo contra o presidente da instituição, Renan Calheiros (PMDB-AL), para investigar indícios de quebra de decoro parlamentar.

Nosso senador adúltero é suspeito de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Segundo os indícios, Gontijo entregava R$ 12 mil mensais a jornalista Mônica Veloso, com quem o presidente do Senado teve uma filha numa relação extra-conjugal. Os favores do lobista seriam retribuídos generosamente pelo nobre senador com a indicação de nomes para cargos públicos.

Apesar da abertura do processo, tudo parece andar conforme quer seu grupo político - até o relator indicado é um aliado (Epitácio Cafeteira, PTB-MA). No entanto, a partir do momento em que for citado no processo, Renan Calheiros não poderá mais renunciar ao mandato e corre o risco – ainda que mínimo – de ser cassado.

Ok, sabemos que Brasília inspira entre os colegas parlamentares uma solidariedade quase materna. Mas o fato é que mesmo após demonstrar em documentação - com uma naturalidade espantosa, diga-se de passagem - que seu patrimônio cresceu 73% em 4 anos (de 984 mil em 2002 para R$ 1,7 milhão em 2006), nosso senador milionário não se livrou das acusações, já que não há nada que comprove o recebimento do dinheiro pela jornalista.

Segundo as contas apresentadas – que incluem desde a verba indenizatória usada para ressarcir os parlamentares de gastos relativos ao exercício do mandato até “ganhos agropecuários” da sua fazenda – Renan Calheiros teria condições suficientes para realizar esse pagamento. No entanto, essa quantia poderia ter qualquer destino, visto que a falta de recibos impossibilita dizer que o dinheiro pago saíra de seu próprio bolso.

Até os colegas mais solidários temem o risco de que a situação saia do controle e o senador encalhe nesse mar de lama que é o da corrupção. Infelizmente, todos os esforços no Senado serão para que o processo termine o quanto antes com a absolvição do senador e que assim a denúncia se perca na memória popular. Estamos no país do tapinha nas costas.

Thiago Mattos.

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terça-feira, maio 22, 2007

CPI em todo mundo!

Sidarta Gautama (que na história budista largou sua vida de príncipe para atingir o nirvana) - quem diria - teria seu nome associado à construtora que, segundo os relatórios da Polícia Federal (PF), pagou uma propina de R$ 100 mil ao então ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau. A explicação é que o dono da Gautama (construtora) se diz budista. Sabe-se lá que budismo é esse.

Todo esse estardalhaço para nada, pois qualquer brasileiro sabe que no Brasil funciona assim: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”, isto é, a Igualdade escrita em nossa Carta Magna nunca foi igual. Quanto melhor um cidadão se coloca na esfera pública – seja exercendo um mandato ou ocupando um cargo – mais privilégios ele tem a sua disposição e, logo, é mais difícil de puni-lo.

Fico maravilhado em como a PF trabalha bem e traz resultados. A cada mês, um novo escândalo político. Ora, ou corrompemos de modo muito sedutor (e por isso tanta coisa podre aparecendo), ou tudo está sendo transformado em espetáculo, passível de venda e consumo.

Não ponho minha mão no fogo por ninguém. Estudo os problemas deste país e nossa história de corrupção. Sei como é difícil pôr na cabeça de quem ocupa um posto público que aquilo não é seu – esse ranço patrimonialista grudou. Posto isto, não pretendo eximir ninguém de culpa. A probabilidade de que tudo ainda seja muito pior do que mostram os jornais é grande.

Fatos como o desespero dos parlamentares frente a qualquer sugestão de criação de uma CPI dentro do Congresso (apenas defendida pelo PSOL e PPS) e investigando os indícios de aliciamento de parlamentares em troca de emendas, diz muito. No fim das contas, os partidos se protegem. É vergonhoso.

Por outro lado, não consigo deixar de pensar que há algo de podre em nosso reino quando um assunto é alardeado sem ser discutido do jeito que é. Por exemplo, por que a grande imprensa não explora o tema do financiamento de campanha, ou da relação entre os mandatos de Brasília e as emendas vendidas? Por que não é divulgado quem banca cada ocupante de uma cadeira no Congresso? Quem representa os interesses de quem?

No final, com tanta informação truncada e acusação atrás de acusação, parece que nossa grande mídia corporativa (aquela que precisa vender) apenas nos entretém. Caso contrário, poderia ter seu calcanhar de Aquiles exposto. Afinal, quem lhe disse que sua ficha é limpa?

Já sei. Vamos mandar a PF investigar!

Thiago Mattos.

Imagem:
http://www.ribimbocadaparafuseta.blogspot.com/

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quinta-feira, maio 10, 2007

Precisamos de um milagre!

O espetáculo criado em torno da visita do Papa Bento XVI ao Brasil só perde para o espetáculo criado em torno do tão aguardado Pan – apelido carinhoso da 15ª. edição dos Jogos Pan-americanos, que acontecerá desta vez no Rio de Janeiro.

Joseph Ratzinger chegou ao Brasil num dia bem conveniente aos parlamentares de Brasília: a mesma quarta-feira em que foi aprovado o aumento dos salários dos nossos congressistas em 29,81%, passando para R$ 16.512,09 - o que representará um gasto extra superior a R$ 600 milhões por ano. Os novos salários serão:

Presidente da República

R$ 11.400

Vice-Presidente da República

R$ 10.700

Ministros

R$ 10.700

Parlamentares

R$ 16.512


Para se ter uma idéia, além do seu salário, um deputado atualmente recebe outros benefícios como:

13º. salário

R$ 12.847

Verba indenizatória

R$ 15.000

Auxílio-moradia

R$ 3.000

Verba de gabinete

R$ 50.851

Telefones e correios

R$ 4.268

Ajuda de custo (2 vezes ao ano)

R$ 12.847

Passagens aéreas

Depende do Estado


A visita estratágica do Papa que, entre outras coisas, tenta recuperar a cambaleante influência da Igreja Católica na América Latina, veio em boa hora. Com o catolicismo falido e desertado - nem os shows do Padre Marcelo conseguiram segurar por muito tempo os fiéis - toda manobra política dentro da Igreja é possível. Não se espantem se em pouco tempo João Paulo II for canonizado também. Opus Dei... Opus Dei...

Em boa hora vem a questão se o Brasil é realmente um Estado laico e até onde vai a interferência insistente e chata da Igreja Católica em assuntos vitais como a legalização do aborto e a polêmica que envolve as pesquisas com células tronco, por exemplo. Como disse nosso atual ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o aborto não é uma questão filosófica mas sim uma questão de saúde pública - milhões de mulheres morrem por ano devido a esse problema que não é discutido abertamente.

Mas quem se importa? Temos o Papa e logo teremos o Pan! Mais que isso: teremos um santo brasileiro e (oba!) talvez mais um feriado! Com tantos absurdos por aqui, parece que precisamos mesmo de um milagre.

Thiago Mattos.

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