quarta-feira, junho 16, 2010
sábado, maio 01, 2010
Mr. America: a imperdível exposição de Andy Wahrol
Foi quando teve seu primeiro trabalho como ilustrador comercial publicado na revista Glamour, em 1949, que um erro de datilografia transformaria de vez Andrew Wahrola em Andy Wahrol – um dos artistas mais importantes e influentes do século XX. Até o dia 25 de maio, o público brasileiro ganha a mais completa mostra de sua obra na exposição Mr. America, que a Estação Pinacoteca exibe na capital paulista.
O título faz menção a uma competição de fisiculturismo homônima realizada na costa oeste dos Estados Unidos e chama a atenção pelo que está por trás de toda a produção do artista. Filho de imigrantes da região em que hoje é o nordeste da Eslováquia e que se mudaram para os Estados Unidos fugindo da Primeira Guerra, Wahrol começou a conquistar seu espaço no mundo artístico em 1962, quando transformou algumas latas de sopas Campbell’s em obra de arte.
Graças a sua origem proletária e a difícil infância em Pittsburgh durante a Grande Depressão, Wahrol conseguia olhar para produtos de consumo banais, como uma sopa ou uma Coca-Cola, com outros olhos. “Uma Coca é uma Coca, e não existe dinheiro no mundo que possa comprar uma Coca melhor que a Coca que o mendigo da esquina está tomando. Todas as Cocas são iguais e todas as Cocas são boas. A Liz Taylor sabe disse, o presidente sabe, o mendigo sabe, e você também sabe”, disse Wahrol.
Em Mr. America, há ainda a chance de ver as famosas fotografias polaroids de grandes personagens como Liza Minelli, Grace Jones e Dennis Hopper; os quadros de Mao Tsé-Tung, Ronald Reagan e Marilyn Monroe; as telas da sopa Campbell’s em diferentes sabores, e muito mais.
É interessante lembrar que quando uma das pinturas das latas de sopa Campbell’s foi arrematada em 1970, por 60 mil dólares, aquele era o mais alto preço já pago para a obra de um artista até então. Em 1986, sua obra 200 One Hundred Dollar Bills é vendida em um leilão por 385 mil dólares, estabelecendo um novo recorde para seu trabalho.
Wahrol pode ser esmiuçado, admirado e compreendido como nunca na exposição, que além das obras, traz também um grande referencial explicativo para cada peça. Um visitante atento terá uma super aula de quem foi Andy Wahrol e por que esse nome tem tanto peso na arte moderna.
Certa feita, o escritor Glenn O’Brien perguntou ao artista se ele acreditava no sonho americano. Ao que Wahrol respondeu: “Não. Mas acho que podemos ganhar muito dinheiro com ele”. Essas e muitas histórias vão costurando toda a exposição, situando cada momento da vida artística de quem criou um verdadeiro império artístico.
Andy Wahrol produziu filmes, gravuras, instalações, empresariou uma banda, publicou revistas, fez de um tudo. Usou e abusou das telas serigráficas e dos estênceis. Seu interesse era a cultura popular – abordava o sexo, a morte, o poder e as celebridades. Wahrol profetizou que no futuro todos teriam seus 15 minutos de fama.
“Sua vida e obra exemplificam as tensões, contradições e crenças ideológicas que definem os Estados Unidos”, escreveu o curador Philip Larrat-Smith. Ao se reinventar constantemente e elaborar uma persona pública provocadora, Wahrol promovia a si mesmo e a sua arte. Fazendo isso, ele se tornou um espelho de seu tempo e incorporou a lógica do sonho Americano.
Tudo isso e muito mais pode – deve – ser saboreado em Mr. America. Imperdível.
Thiago Mattos
Marcadores: Andy Wahrol, arte, Estação Pinacoteca, Exposição, Mr. America, Pinacoteca
quinta-feira, outubro 22, 2009
"Plano de segurança"
Poucas palavras dizem tudo. A charge acima veio do blog Koostela e exprime com precisão o sentimento atual com relação às Olimpíadas e a violência brasileira, especialmente no Rio.Quando chegamos ao ponto de não saber mais quem é o grande vilão dessa história, contra quem realmente estamos lutando, quando não se vê mais diferença entre polícia e bandido e tudo parece estar perdido, como entender esse momento?
Thiago Mattos.
Marcadores: arte, olimpíadas, rio de janeiro, violência
segunda-feira, agosto 24, 2009
Os dez maiores guitarristas do mundo
A revista Time elegeu os dez melhores guitarristas do mundo. Alguma dúvida de que Jimi Hendrix ficaria com a primeira posição?
"Ninguém combinou o blues, o rock e a psicodelia com tanta facilidade nem empunhou uma guitarra com tanto carisma", diz a revista.
Slash ficou com o segundo lugar: "Um guitarrista preciso que teve que aturar com mais merda dos vocalistas quanto nenhum outro na lista".
Em seguida, aparece B.B. King com sua guitarra Lucille; Keith Richards, o criador dos riffs mais memoráveis; e, fluente em todos os estilos do blues, Eric Clapton fica em quinto lugar.
Jimmy Page, Chuck Berry, Les Paul, Yngwie Malmsteen, Prince e Johnny Ramone ocupam as demais posições.
Alguém discorda?Thiago Mattos.
Marcadores: arte, B.B. King, Chuck Berry, Eric Clapton, jimi hendrix, Jimmy Page, Johnny Ramone, keith richards, Les Paul, música, Prince, slash, Yngwie Malmsteen
sábado, agosto 15, 2009
quarta-feira, novembro 26, 2008
"Não sou pessimista, o mundo é que é péssimo"
José Saramago é o escritor do momento. Conectado com seu blog, assistido através do seu livro que virou filme pelas mãos de Fernando Meirelles e presente aonde for necessário estar, o Nobel da literatura portuguesa (1998) veio ao Brasil inaugurar a exposição "A Consistência dos Sonhos" e lançar "A Viagem do Elefante", seu novo livro.Conhecido por ser rabugento e pessimista, Saramago destilou uma frase, no mínimo, coerente: "Não sou pessimista, o mundo é que é péssimo".
Com sua envolvente sobriedade e sua ímpar habilidade com as palavras, questionou:
E continuou:
"Quantos delinqüentes existem no mundo? A violência já atingiu o nível da barbárie. A corrupção chegou a tal ponto que é um problema de linguagem. A palavra bondade hoje significa qualquer coisa de ridículo. É preciso conquistar, triunfar. Ninguém se arrisca a dizer que seu objetivo é ser bom. Querer ser bom em uma época como esta é se apresentar como voluntário para a eliminação. Como chegamos a isso?" Até que concluiu: "Para mudarmos a vida, é preciso mudarmos de vida."
Em meio a tantos livros de auto-ajuda, de tantos "Segredos" e com um mundo precisando tanto de uma luz, Saramago mais uma vez vem jogar um balde de água fria em quem insiste em achar tudo colorido.
Como salvar o mundo se não somos capazes de salvar a nós mesmos? Focados no consumo individualista, na conquista da vitória através da acumulação de posses custe-o-que-custar, acachapados e tontos com uma completa inversão de valores, onde as idéias e as ideologias valem mais do que uma vida, como sermos simplesmente otimistas?
Se apenas o otimismo fosse suficiente para salvar o mundo, seria perfeito. A única coisa é que, como todos sabemos, o inferno está cheio de boas intenções.
Thiago Mattos.
Marcadores: arte
sábado, outubro 04, 2008
"O analfabeto político"
Eleições chegando. Momento propício para lembrarmos de Berthold Brecht. O dramaturgo e poeta alemão, infelizmente, continua atualíssimo com suas palavras contundentes e arrebatadoras sobre a vida político-social.Seu teatro épico prestrou-se a integrar a arte e o povo. Sua visão de mundo era de uma sobriedade ímpar. Para nos inspirarmos neste momento eleitoral, um pouco de Brecht.
Com vocês, o pior analfabeto:
(Berthold Brecht)
O pior analfabeto
é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política,
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista, pilantra, corrupto
e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Eleições vêm e vão, mas enquanto não mudarmos a nós mesmos como cidadãos, pouco na vida social pode mudar. Afinal, falar de política numa nação de corruptos é o mesmo que escrever num país de analfabetos.
Thiago Mattos.
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Yes! Yes! Yes! Yes! Yes!
Amy Winehouse vem fazendo história de novo - desta vez uma das boas. A cantora britânica ganhou cinco das seis categorias do Grammy nas quais havia sido indicada - Gravação do Ano, Canção do Ano, Melhor Artista Revelação, Melhor Interpretação Vocal Feminina Pop e Melhor Álbum Pop – perdendo apenas na categoria Álbum do Ano para a lenda viva do jazz, Herbie Hancock.
Mesmo tendo problemas com seu visto de entrada nos EUA (“uso e abuso de narcóticos”, segundo uma fonte da embaixada americana na capital inglesa), Winehouse arrasou via satélite com uma apresentação de primeira de alguns dos seus hits e dedicou os prêmios especialmente à sua querida Londres.
Já que seu talento ficou mais que provado e aprovado, fica agora a torcida para que outras boas histórias venham da cantora que sempre dá no que falar. Parabéns, Amy!
Thiago Mattos.
A surpresa da vitória
A diva do Grammy ao vivo
quarta-feira, outubro 10, 2007
Boas idéias
Genial! Não há melhor palavra para definir a louvável iniciativa da banda inglesa Radiohead, que a partir de hoje disponibiliza para download seu novo álbum In Rainbows pela quantia de £quanto-você-quiser-pagar. Isso mesmo, quanto você quiser!A sacada da banda deixou de cabelo em pé os executivos da indústria musical, até porque iniciativas como esta já haviam sido tomadas por outras bandas como The Charlatans, e ao que tudo indica será mesmo o destino de outras tantas, como Oasis e Jamiroquai.
A empreitada “aventureira” não tem nada de ingênua e tem tudo para dar certo. Ao que tudo indica, o Radiohead faturará ainda mais do que se ainda estivesse atrelado às garras gananciosas de uma grande gravadora – somente a pré-publicidade em torno do lançamento já foi capaz de lhes gerar uma pequena fortuna.
Eu mesmo já comprei meu álbum, não tanto pela música (que poderia conseguir de graça numa questão de horas), mas principalmente pela oportunidade de participar e aplaudir esta iniciativa histórica.
Quem acompanha os rumos da indústria musical sabe que não dá mais para jogar o mesmo jogo com as regras antigas. O mundo está mudando e a indústria também precisa mudar, ou não sobreviverá – a constante queda na venda de CDs não deixa dúvidas.
Pôr a culpa na pirataria então, nem se fala. Não dá mais para engolir essa hipocrisia. Quando não existia Internet já podíamos gravar nossas músicas preferidas em fitas cassetes, seja de um LP emprestado ou diretamente da rádio, e isso não era considerado pirataria nenhuma. O que acontece hoje é a mesma coisa, só que numa escala infinitamente maior e com uma qualidade extremamente superior.
Ter a possibilidade de acessar a uma nova informação, descobrir uma banda de um lugar que nunca se poderia imaginar que existe, tudo isso sem sair de casa é ou não é o máximo? Por que não abraçar isso?
Quem escreve isso é uma pessoa que ama música, respira música, faz música e musica música. Também quando tiver minhas músicas gravadas vou permitir que façam cópias, que a divulguem, que a espalhem como um vírus, porque sei que isso, apesar de não ser do interesse das grandes gravadoras, é bom para o artista. Há mais coisas envolvidas neste jogo; principalmente quando há uma corporação que morde boa parte da quantia que o artista deveria receber.
Quem compra uma música não compra o som, nem o material físico; mais que isso, compra uma idéia. E a idéia não fica velha, não desbota nem arranha. A idéia não tem preço: está por toda a obra e é indivisível, ou você compra aquela idéia ou não – e muitas vezes as idéias não cobram nada por isso.
Boas idéias, é disso o que precisamos.
Thiago Mattos.
Marcadores: arte, música, tecnologia
quinta-feira, agosto 30, 2007
O estranho e o familiar

Pricilla Bracks, em sua obra "Bearded Orientals: Making the Empire Cross" (Orientais Barbudos: Representando a Cruz do Império), retrata Osama Bin Laden como Jesus Cristo e ao mesmo como a Virgem Maria usando uma burka.

Ambas as obras polemizam com o senso comum e, mais que isso, nos fazem exercitar o famoso preceito antropológico sugerido por Clifford Gertz: é preciso estranhar o familiar e familiarizar-se com o estranho, na tentativa de entender o outro e de compreender a nós mesmos.
Mais que contestar, censurar ou rir da piada, vale exercitar.
Thiago Mattos.
Marcadores: arte
domingo, agosto 12, 2007
Yes! Yes! Yes!
Ela tem talento, um penteado ousado, uma voz maravilhosa e muitos problemas. Amy Winehouse vem ganhando destaque por conta de seu novo álbum, Back to Black, e também por seu estilo de vida que parece seguir direitinho a cartilha suicida do rock’n’roll.A cantora inglesa, que vez por outra está nos tablóides, mais uma vez foi notícia. Após passar três dias misturando vodka, whiskey, ecstasy e remédio para cavalos, Amy foi parar num hospital em Londres na última quarta-feira, após suspeita de overdose. Mas, ao que tudo parece, ainda teima em ir ao Rehab (clínica de reabilitação) e se tratar.
Apesar do seu estilo de vida perigoso e problemático, que a inclina a uma postura rebelde e blasée diante do mundo – seja quando manda Bono Vox calar a boca, dá declarações polêmicas sobre suas condições de saúde, ou sai correndo de um palco para vomitar – o que mais impressiona nessa jovem de 23 anos é, sem dúvida alguma, sua música.
Amy Winehouse conseguiu de maneira espontânea misturar suas influências de hip hop, R&B, soul e jazz com letras desesperadas, que falam de amor, traição, drogas e sofrimento. Tudo de um modo incrivelmente natural e sincero. Quem a vê, se encanta. Quem a ouve, se apaixona.
Mas Amy está seriamente ameaçada por seus problemas com as drogas, que a levam toda hora ao seu limite. Na letra de sua música mais famosa, Rehab, ela expõe justamente sua teimosia em não ir para a clínica se tratar – No! No! No! – insiste o refrão que evidencia um dos grandes temas da sua vida.
Seu comportamento maníaco-depressivo a impede de tomar medicamentos e se tratar. Seu futuro parece estar mais curto. Mas Amy parece não se importar muito com nada. O que, realmente, é uma droga!
De nossa parte, fãs da boa música e dos bons artistas, o que podemos fazer é mostrar o quanto nos importamos. Quanta falta nos faz um Kurt Cobain ou um John Bonham, que morreram por causa da mistura indigesta entre drogas e depressão. Devemos aprender por esses péssimos exemplos.
Para ser mais exato, para uma menina judia tão charmosa e brilhante, não vale a pena viver e morrer como Billie Holiday. Não precisamos disso. Vamos aproveitar e mudar a letra – Yes! Yes! Yes!
Thiago Mattos.
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quinta-feira, abril 26, 2007
70 anos de Guernica
No dia 26 de Abril de 1937, a cidade espanhola de Guernica era cruelmente bombardeada pela Legião Condor da Luftwaffe, a força aérea nazista. Na época, morando em Paris, o pintor espanhol Pablo Picasso ficaria tão arrasado com a notícia que decidira revidar com arte a violência, retratando em preto e branco o sofrimento daquele povo.Interessante notar que tamanha dor ao longo dos séculos inspira inúmeras obras-primas. Seria possível a um artista criar uma obra-prima sem sofrimento? Ou é preciso sempre doer para que haja uma bela criação?
Picasso teria dito na época, em referência ao papel engajado de sua arte: "La pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo."
Mas um único episódio resume tudo. "Foi o senhor quem fez isso?", havia perguntado um embaixador alemão a Picasso em Paris, durante a Segunda Guerra Mundial, diante de uma foto do quadro de Guernica. Ao que Picasso impecavelmente responde: "Não, foram vocês".
A guerra e dor marcaram, mas no fim venceu a arte.
Thiago Mattos.
sábado, março 31, 2007
A capa de disco mais famosa do mundo completa 40 anos

Circulava entre elas nomes como o mago Aleister Crowley, o poeta beat William Burroughs, o escritor Oscar Wilde, o guru indiano Sri Yukteswar Giri, a atriz norte-americana Mae West, o dançarino Fred Astaire, o músico Bob Dylan e muitos outros. Os próprios Beatles apareciam em estátuas de cera do museu Madame Tussaud ao lado da Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta (livre tradução), como se aquilo tudo não fosse mesmo eles, mas um alter-ego da banda.
Thiago Mattos.





