Com o lema "Um mundo, um sonho", a República Popular da China estará mostrando ao mundo que está aí com todo seu poder de volta, disposta a retomar seu sonho imperial. E o primeiro passo certamente será a busca por medalhas na disputa com os Estados Unidos pelo posto de nova potência esportiva.

Não é de hoje que a conexão entre esporte e política vem aumentando. Lembremos das Olimpíadas de Berlim em 1936, quando Hitler abandonava o palco ridicularizado e enfurecido com as quatro medalhas de ouro do atleta negro Jesse Owens em solo alemão.
Lembremos do Massacre da Praça da Paz Celestial (
Tiananmen) em 1989, que sepultou a candidatura olímpica da China na época - diga-se de passagem: mais de 130 presos políticos seguem presos, 19 anos depois. Lembremos, mais recentemente, dos Jogos de Atlanta em 2004, época da invasão do Iraque pelos EUA, da autorização da tortura em Guantánamo, das prisões ilegais da CIA.

Agora, mais uma vez, é a vez da China. As polêmicas envolvendo os Jogos estão aí há muito tempo - pelo menos desde
Burma. Falamos em poluição, pedimos direitos humanos, clamamos por liberdade. Mas o governo chinês não parece estar disposto a ceder.
Apesar de tentador, um boicote aos Jogos de Beijing não seria a solução. Devemos ter em mente a oportunidade que estas Olímpiadas podem fomentar, seja através das polêmicas que não podem mais ser ignoradas e precisam ser debatidas, seja nas atenções voltadas para um dos lugares mais problemáticos do mundo contemporâneo e na pressão que isso causa.
Afinal de contas, falamos de uma só China, a mesma que também sofre por
desastres naturais e passa por momentos difíceis na reconstrução pós-tragédias. Devemos nos solidarizar com o povo chinês, guerreiro e sofredor, dividir as dores causadas por terremotos e governos. E torcer para que "um mundo, um sonho" se realize o mais rápido possível.
Thiago Mattos.