sexta-feira, dezembro 11, 2009

Brasília para quem precisa

Foto: Dida Sampaio

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domingo, novembro 15, 2009

Quem é quem

O desabamento das vigas do Rodoanel na última semana em São Paulo, o recente apagão e as enchentes na Baixada Fluminense nos dão uma boa ideia dos políticos com os quais estamos lidando.

O Tribunal de Contas da União (TCU) classificou 79 irregularidades das obras do Rodoanel como "graves", entre elas o uso de material mais barato para redução de custos; "usaram menos material de construção, mas receberam o mesmo dinheiro", diz o relatório do TCU.
As denúncias de superfaturamento, que inclusive datam de maio deste ano, apontam prejuízo de R$ 184,4 milhões aos cofres públicos - isto na construção do trecho sul do Rodoanel.

Construtoras/empreiteiras como OAS, Mendes Jr, Carioca, Queiroz Galvão e CR Almeida participaram das obras. É bom lembrarmos da relação entre doações para campanhas políticas de São Paulo e a participação em obras tão lucrativas; uma rápida pesquisa na internet nos mostra quem é quem.

Os políticos de São Paulo que tanto arrotavam "as incríveis obras do Rodoanel" terão que engolir mais essa. Da mesma forma que o inabalável presidente da República e sua ainda candidata Dilma terão que conviver com o que ainda está obscuro no apagão.

E tem mais. Enquanto o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, dava uma de guia turístico para a cantora Madonna e dizia que a cantora era um luxo, o povo da Baixada Fluminense sofria com as enchentes e com o descaso do governo. Afinal, a Baixada, ao contrário da Madonna, não é um luxo.

Merecemos ou não?

Thiago Mattos.

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segunda-feira, outubro 26, 2009

A corrupção-nossa-de-cada-dia

De pouco adianta reclamarmos tanto da corrupção que impera no país se somos tão coniventes com a corrupção-nossa-de-cada-dia, aquela que julgamos não fazer mal e, por isso mesmo, fazemos frequentemente.

Todos que xingam os políticos e continuando votando precisam de uma vez por todas entender que eles não se elegem à toa: recebem votos e são eleitos. E é o que cada um decide - e como decide - na hora de votar que realmente faz a diferença (Ultimamente, tenho decidido não votar ou anular, mas estou sempre à procura de um candidato que conquiste o meu voto).

Além de tudo isso, a corrupção deve ser combatida começando por uma mudança de atitudes geral. De TODOS! Se não, amigo, não adianta. Então, ou a gente continua reclamando só por reclamar mesmo ou nos sentimos parte do que falta para melhorar e fazemos algo sobre isso.

Chega de dar um cafezinho aqui e outro ali como propina, de molhar a mão do policial quando estamos errados, chega dessa mania de querer sempre sair ganhando e levar vantagem em cima de todos. Ou ainda de "deixar para lá" os centavos quando não nos devolvem nosso troco certo, de querer passar na frente da fila... Enfim, exemplos não faltam.

Precisamos aprender a viver em sociedade, pois quando apenas um sai ganhando, muitos perdem. Precisamos entender que o que é público não é um bem privado e, portanto, não pode ser usado para beneficiar a poucos. Já temos que ir fazendo listinha das figuras políticas execráveis que já bagunçaram demais por aqui, para que assim a gente saiba decorado que, no que depender de nós, nem eles nem quem anda com eles jamais serão eleitos de novo.

E já que o assunto é mudança, ok, vamos falar um pouco sobre as drogas. Está na cara que quem consome drogas ilegais está alimentando um mercado que só mal a todos que afeta. Sem essa de discurso moralista de que drogas é uma coisa do demônio mas, na boa, se não houvesse tanta demanda, não haveria tanta oferta. Então, como é possível imaginarmos que a violência não tem a menor relação com o consumo impulsionado e incentivado pelo tráfico de drogas.

É bem simples: apenas não consigo entender como as pessoas querem ao mesmo tempo viver em um país bom e justo não fazer nada para que isso aconteça. É como se nossas ações, como a corrupção-nossa-de-cada-dia ou o baseado-nosso-de-cada-dia não acarretassem em uma série de consequências em cadeia. Está na hora da gente falar sério.

É muito egoísmo da parte de alguns quando pagarmos um preço tão caro para que possam tranquilamente fumar sua maconha, cheirar sua cocaína etc. As drogas devem ser tratadas como uma questão de saúde pública e a sua descriminalização ou legalização devem ser discutidas. Mas enquanto não acontecem, seria um enorme gesto de nobreza se aqueles que ainda têm a opção de consumir ou não as drogas quem vem do tráfico simplesmente as boicotassem. Mas a grande verdade é que não há homem ou mulher para isso.

Ou paramos de ser ridículos e calamos a boca ou mudamos logo essa joça com as próprias mãos!

Thiago Mattos.

PS: Imagem de http://rasuralivre.blogspot.com/

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quarta-feira, outubro 14, 2009

Ministro dos Esportes quer "desfutebolizar" o esporte brasileiro

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, esteve nesta terça-feira (13) no auditório das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) para participar das comemorações da XX Semana de Educação Física da instituição.

Em seu dircurso, o ministro destacou as oportunidades e desafios que podem surgir das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Para ele, as dimensões mais importantes do evento envolvem não só os impactos nacionais, mas também o lado econômico e social.

Com 205 países filiados ao Comitê Olímpico Internacional (COI), os Jogos Olímpicos proporcionam uma das maiores plataformas de exposição que um país pode ter, disse o ministro. "Isso é importante porque o mundo conhece pouco o Brasil", afirmou ele.

Orlando Silva chamou a atenção para a importância de diversificar as práticas esportivas no país e citou o peso exagerado que o futebol ainda tem sobre o esporte brasileiro. "Um dos desafios é o de desfutebolizar o nosso esporte. O monopólio que o futebol exerce é além do que deveria", apontou.

Quando perguntado sobre o que será feito para que não haja desvio de recursos na execução dos Jogos, o ministro disse que tem tratado a transparência como uma obsessão. "A única garantia de que não haverá desvio de recursos é se as pessoas puderem acompanhar em tempo real como os gastos estão sendo feitos. Ou é assim ou é impossível ter algum mecanismo para saber quanto custou aquele ginásio, por que custou aquele valor e qual foi o cronograma do pagamento. É preciso ter uma obsessão com a transparência".

Reportagem publicada no dia 10/10 no jornal O Globo apontou que o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para apurar por que não foram realizadas licitações para contratar empresas que elaboraram o projeto apresentado ao COI e financiado com dinheiro público. De acordo com a matéria, as despesas com consultoria internacional e nacional, além de gastos operacionais e salários de funcionários contratados pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) foram pagos com verba pública no Ministério dos Esportes.

Thiago Mattos.

PS: Reportagem publicada em http://www.fiamfaam.br/momento/?pg=leitura&id=1908&cat=2

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quinta-feira, julho 30, 2009

70% do Conselho de Ética tem ficha com problemas

Ao menos 70% dos membros do Conselho de Ética são alvos de inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), informa o Estado de S. Paulo.



Esses membros do conselho são réus em ações penais e/ou envolvimento com nepotismo e atos secretos nos últimos anos. São esses mesmos senadores que devem decidir o destino dos pedidos de abertura de processo de cassação do atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


O site do jornal afirma ainda que a esperada benevolência do Conselho de Ética com Sarney pode ser explicada pela biografia de seus integrantes.

Nas últimas semanas, os escândalos envolvendo o presidente do Senado não param de aumentar. Sarney está sendo acusado de ligação com boletins administrativos sigilosos, nomeação de parentes e afilhados, além de desvio de recursos da Petrobrás pela Fundação José Sarney.

Ou o povo brasileiro aprende a votar, pesquisando e acompanhando a ficha dos políticos em que vota, ou não tem mais jeito. Não se interessar por política num país como o Brasil só pode dar nisso.

Para ler toda a matéria, clique aqui.

Thiago Mattos.

PS: Imagem de http://rasuralivre.blogspot.com/

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sábado, novembro 03, 2007

O que menos importa é o futebol

Desde que o Brasil foi eliminado pela França na última Copa do Mundo, começou a circular na Internet um boato de que tudo já estaria armado para sediarmos a Copa de 2014. Verdade ou coincidência, agora já está confirmado: a Copa de 2014 será mesmo no Brasil.

Numa disputa sem concorrentes, o Brasil dá o pontapé inicial nesta partida pisando na bola e causando um mal-estar geral. A começar pela robusta comitiva que foi a uma simples cerimônia de confirmação da Fifa.

Estavam lá 12 governadores, entre os quais 2 presidenciáveis (Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo), o deputado federal e presidenciável Ciro Gomes (PSB-CE), 3 ministros (entre eles, Marta Suplicy, provável candidata à prefeitura paulistana em 2008 ou ao governo do estado em 2010) e o presidente da República, além de Romário, Dunga e, quem diria, o mago-escritor Paulo Coelho.

Ao final do mise-en-scène, alguns jornalistas tentaram obter respostas acerca de como serão as coisas em 2014, questionando importante temas como a violência, mas tão longo perceberam o tom grosseiro do presidente da CBF, os organizadores da festa suspenderam rapidamente as perguntas.

É claro que Ricardo Teixeira não gosta de responder perguntas aleatórias, ele já tem muitas contas a prestar. Seja pela denúncia do Ministério Público, seja por suas declarações de que a Fifa não permitirá que o Comitê Organizador do Mundial seja submetido a uma CPI, ou seja pelo que for.

O Blog do Mello preparou uma interessante lista com notícias relacionadas a essas falcatruas.

Pelo que tudo indica, nada saiu ou sairá de graça neste jogo que acabou de começar chamado Brasil 2014. Interesses e acordos políticos, trocas de favores, retirada de nomes em assinaturas para CPI, realização de obras ou campanhas publicitárias, tudo servirá como moeda de troca neste grande negócio chamado Futebol.

Fica a torcida para que não apenas assistamos a tudo passivos mas também que estejamos atentos para o que o juiz finge que não vê. Neste jogo, onde cada lance é decisivo, o que menos importa é o futebol.

Thiago Mattos.

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sábado, outubro 27, 2007

Mentes doentias, idéias perigosas

As recentes declarações do governador Sérgio Cabral Filho acerca da legalização do aborto como forma de conter a violência revelam o retrato das mentes que nos governam e das que querem nos governar, refletindo um raciocínio simplista e preconceituoso, que facilmente conquista simpatizantes.

Segundo esta lógica, pobre tem filho demais, o que gera ainda mais pobreza, que, por sua vez, gera violência. Desta forma, a legalização do aborto diminuiria o número de filhos indesejados, que teriam maior chance de se envolverem no crime, o que por sua vez, diminuiria a violência.

O fio condutor deste pensamento tem origem no livro Freakonomics, de Steven Levitt e Stephen J. Dubner, onde é divulgada a idéia de que a redução da violência nos Estados Unidos, no final do século passado, pode ser atribuída na sua maior parte à legalização do aborto.

Pura falácia – o estudo não leva em conta outros fatores, como a presença do crack na época, além de se basear em números absolutos de detenções, e não em médias per capita.

Seria muito mais conveniente à nossa realidade tomar como base dados do IBGE, que mostram a relação entre a alta fecundidade e a baixa educação e a renda; assim poderíamos adotar políticas públicas de informação e formação a quem precisa. Mas não, além do impulso ao plágio de modelos estrangeiros sem atentar para nossas especificidades, é mais fácil querer castrar todo mundo (como sugeriu um ser humano que não faria falta a ninguém), ligar as trompas de todas as “fábricas de produzir marginal” (frase do nosso governador), ou partir mesmo para o aborto das mulheres pobres.

A questão aqui em jogo não é a legalização do aborto – que deve ser discutida sim – mas a clara referência à eugenia. As mulheres pobres estão sendo pegas como bodes expiatórios de um problema social que envolve muito mais que uma simplificação preconceituosa de que o aborto diminui a criminalidade – até porque não podemos aceitar o pressuposto de que o crime vem apenas dos pobres.

Se fosse assim já teríamos a solução para os problemas da corrupção no Brasil: mães ou esposas de corruptos deveriam abortar ou serem esterelizadas a fim de conter o mal, principalmente na região do Maranhão, onde a média de filhos atinge 3,2 por mulher.

É preciso enxergar o perigo neste discurso que não tem nada de ingênuo, que é o da limpeza social. É preciso entender as raízes do problema ao invés de simplificá-lo, para que assim as mulheres possam ter o direito da escolha e do planejamento responsável.

Thiago Mattos.

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sábado, setembro 22, 2007

A turma do Capitão Gancho

Começou o mais aguardado festival de cinema da cidade. De 20 de setembro a 4 de outubro, o Festival do Rio 2007 traz centenas de filmes de várias partes do mundo, para todos os gostos. Mas além de filmes, o festival deste ano traz ao público a discussão do momento: a pirataria.

Para a abertura do festival, foi exibido o polêmico Tropa de Elite, que aborda a problemática situação em que se encontra a Polícia Militar carioca, em especial a divisão do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), cujo grito de guerra “entrar na favela e deixar corpo no chão” não deixa dúvidas da eficácia da corporação quando o assunto é matar.

Inspirado no livro Elite da Tropa (de Luís Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel), o filme já era notícia antes mesmo de sua estréia no festival, quando vazou na Internet e começou a ser vendido pelos camelôs da cidade. Foi aí então que o diretor José Padilha – o mesmo de Ônibus 174 – começou a chamar atenção com suas declarações condenando a “indústria da pirataria”, que, ironicamente, muito o ajudou com todo esse sucesso.

Como ressalta o Blog do Zé Pereira, José Padilha deveria brigar para que todo cidadão pudesse ter acesso ao seu filme, uma vez que este foi beneficiado pela política cultural de incentivo fiscal, ao invés de sair por aí querendo mais repressão a quem vende as cópias.

Se há uma demanda por um preço mais acessível a quem não pode consumir cultura (ir ao cinema, teatro, etc.) e por isso compra o “CD pirata”, da mesma maneira há uma demanda a quem precisa trabalhar vendendo os “maléficos” CDs, pois não há muitas opções de trabalho. Criminalizar a venda ou culpabilizar a compra, por si só, não encerra a questão.

Ignorar isso é ignorar a sociedade brasileira: o mercado informal existe, seja ele legal ou ilegal. E, se do ponto de vista jurídico não acham certo que outras pessoas “se apropriem” da obra de um artista para ganhar dinheiro, do ponto de vista social não é certo que apenas uma parcela da população se aproprie da cultura produzida com o dinheiro de todos.

De qualquer forma, o filme providencialmente cumpre o seu papel de atacar a pirataria e culpar quem consome a chamada ilegalidade, simplificando assim ainda mais a problemática das drogas e da corrupção, disfarçado sob o mesmo apelo social de filmes como Cidade de Deus.

Foi dado início à temporada de caça aos piratas e fica em aberto a discussão sobre a produção de cultura feita com o dinheiro público mas destinada a um seleto público: aqueles que podem se dar ao luxo de ter esta discussão da mesma forma que podem comprar a pipoca e o ingresso do cinema.

Thiago Mattos.

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terça-feira, setembro 18, 2007

Luz!

Na última semana, após confusões dignas de um país do faz de conta, onde seguranças e parlamentares se atracam em pleno Congresso Nacional antes da votação pela cassação do presidente do Senado envolvido em falcatruas, Renan Calheiros finalmente foi inocentado por seus colegas – o que já era mais que esperado, infelizmente.

Vitória do governo que, além de não correr o risco de perder o posto da presidência do Senado (que na matemática política sai mais em conta do que expurgar mais uma entre tantas ervas-daninhas do sistema), ainda conseguirá sem muitos transtornos aprovar a prorrogação da CPMF (um imposto difícil de compreender e identificar seus resultados) por mais alguns anos. Não bastasse a estranheza de tudo isso por si só, ainda surge como relator da pauta um homem que outrora também havia sucumbido às tentações do poder e, por isso mesmo, teve que sair: Antonio Palocci (alguém se lembra do caseiro?).

Derrota da verdade, da honestidade, da transparência (para que tanto segredo na hora de votar?), da ética (que como um mito, muitos a clamam mas poucos a vêem), de quem paga os impostos (inclusive a CPMF), enfim, derrota do povo como um todo, que devido às circunstâncias parece não existir.

Enquanto nosso presidente da república faz seu tour pela Europa, mais índios são assassinados sem que isso cause muita estranheza, mais acidentes mal-explicados acontecem (e da mesma forma não despertam muitos interesses), mais corrupção segue seu caminho cotidiano sem muitas perturbações, e assim percebemos o mal que nos faz a tragédia diária dessa sensação de impunidade como norma corrente.

Com os absurdos que aqui acontecem subestimando nossos maiores delírios, é preciso forças para seguir adiante acreditando numa virada de jogo, numa sociedade mais justa e humana onde haja maçica partipação popular numa solução para isso tudo. É preciso urgentemente que comecemos a ver uma luz no fim do túnel, nem que a criemos e a causemos, caso contrário podemos ficar ainda mais cegos.

Thiago Mattos.

Imagem: http://rasuralivre.blogspot.com/

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