Como usar a Vuvuzela
O site Eight Balls nos ensina como usar a Vuvezela em cada um dos momentos da Copa.Marcadores: copa do mundo, futebol
ESSE É O SANGUE BOM!
O site Eight Balls nos ensina como usar a Vuvezela em cada um dos momentos da Copa.Marcadores: copa do mundo, futebol
Desde que o Brasil foi eliminado pela França na última Copa do Mundo, começou a circular na Internet um boato de que tudo já estaria armado para sediarmos a Copa de 2014. Verdade ou coincidência, agora já está confirmado: a Copa de 2014 será mesmo no Brasil.Numa disputa sem concorrentes, o Brasil dá o pontapé inicial nesta partida pisando na bola e causando um mal-estar geral. A começar pela robusta comitiva que foi a uma simples cerimônia de confirmação da Fifa.
Estavam lá 12 governadores, entre os quais 2 presidenciáveis (Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo), o deputado federal e presidenciável Ciro Gomes (PSB-CE), 3 ministros (entre eles, Marta Suplicy, provável candidata à prefeitura paulistana em 2008 ou ao governo do estado em 2010) e o presidente da República, além de Romário, Dunga e, quem diria, o mago-escritor Paulo Coelho.
Ao final do mise-en-scène, alguns jornalistas tentaram obter respostas acerca de como serão as coisas em 2014, questionando importante temas como a violência, mas tão longo perceberam o tom grosseiro do presidente da CBF, os organizadores da festa suspenderam rapidamente as perguntas.
É claro que Ricardo Teixeira não gosta de responder perguntas aleatórias, ele já tem muitas contas a prestar. Seja pela denúncia do Ministério Público, seja por suas declarações de que a Fifa não permitirá que o Comitê Organizador do Mundial seja submetido a uma CPI, ou seja pelo que for.
O Blog do Mello preparou uma interessante lista com notícias relacionadas a essas falcatruas.
Pelo que tudo indica, nada saiu ou sairá de graça neste jogo que acabou de começar chamado Brasil 2014. Interesses e acordos políticos, trocas de favores, retirada de nomes em assinaturas para CPI, realização de obras ou campanhas publicitárias, tudo servirá como moeda de troca neste grande negócio chamado Futebol.
Fica a torcida para que não apenas assistamos a tudo passivos mas também que estejamos atentos para o que o juiz finge que não vê. Neste jogo, onde cada lance é decisivo, o que menos importa é o futebol.
Thiago Mattos.
Marcadores: copa do mundo, corrupção, eleições
Não precisamos mais esperar: pelo menos para o Brasil, terminou a Copa do Mundo. Todos de volta ao trabalho e sem mais preocupações como “onde eu vou ver o próximo jogo?”. Amigo, não terá mais próximo jogo. Agora, só daqui a 4 anos.
Mas quer saber? Eu já sabia! Essa seleção tão papagaiada e cheia de glamour só podia acabar assim mesmo, foi bem feito. Pena que todo aquele nacionalismo idiota que enchia as janelas de bandeirinhas e as ruas de verde e amarelo não vai durar até outubro, quando teremos eleições. Seria um bom uso de um sentimento tão precário.
Por falar em eleições, neste mês começam as campanhas eleitorais. Tempo para ficarmos de olho em quem vem por aí. Os candidatos realmente deveriam disputar a eleição à outra coisa; nos governos estaduais é cada um pior que o outro. Cada vez mais os eleitores têm que escolher entre o ‘de jeito nenhum’ e o ‘deus me livre’, na dúvida acaba elegendo qualquer um que vê na TV.
Falando em TV, o presidente Lula acabou se decidindo pelo padrão japonês na TV digital, favorecendo as grandes corporações em troca de apoio na sua reeleição e contrariando um sem número de interesses, principalmente o interesse popular. A batalha por trás dessa novela que estava sendo a escolha entre um dos padrões para a TV digital foi acelerada pelo clima eleitoreiro e pelo ministro das Comunicações e ex-repórter da Globo, Hélio Costa.
Agora pouco, em ato inédito, Lula pediu ao Congresso a devolução de 225 processos de renovação de concessões de rádio e TV, ameaçados de rejeição pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. A manobra, feita a pedido do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), impedirá que emissoras de políticos que estão com concessões vencidas sejam fechadas.
Mas isso tudo ainda é distante da real preocupação do povo, quando o Brasil perde a Copa poucos querem falar de outra coisa. Se a gente começar a opinar quem leva o caneco na disputa presidencial, sabe o que eu vou dizer em Outubro? Eu já sabia!
Thiago Mattos.
Marcadores: copa do mundo, eleições, esportes, lula, mídia
Não precisamos mais esperar. Começou a 18ª. edição da Copa do mundo, desta vez na Alemanha. As mais importantes seleções de futebol entram em campo disputando, entre outras coisas, o título de melhor do mundo. Até aqui a disputa vai bem; o problema está entre as ‘outras coisas’.
Como todos sabemos, atualmente o futebol é um negócio altamente lucrativo. A profissionalização do esporte veio a reboque do patrocínio de empresas que se tornaram grandes corporações e movimenta hoje grandes somas de dinheiro. O jogador, que antes jogava pelo amor ao clube, hoje segue o faro de uma figura nova que virou titular: o agente ou empresário. O amor pela camisa agora tem um preço – e também um prazo. Os grandes clubes tornaram-se grandes empresas negociadoras de passes e o futebol, como um esporte puro, já não mais existe; tornou-se business.
Não há dúvidas que esse fenômeno esportivo não é privilégio do futebol, as grandes corporações entram no negócio em forma de acessórios esportivos, fabricando chuteiras, camisetas ou o que for. Qualquer outro esporte que necessite equipamentos sofre a mesma pressão. Mas o futebol tem um appeal particular.
De acordo com uma empresa de pesquisa britânica chamada Football Economics, calcula-se que 17% da população mundial acompanhará pela TV a final da Copa do Mundo; uma oportunidade de estratégia publicitária que as empresas de material esportivo aproveitarão muito bem para inchar suas receitas.
Chama a atenção também uma reportagem que saiu no Financial Times, a bíblia dos economistas, sobre um relatório de 36 páginas encomendado pelo G14 (agremiação que reúne os 18 mais importantes clubes europeus) sugerindo que a Copa do Mundo e da Europa seja realizada a cada dois anos. O relatório ainda ousa sugerir um aumento de 32 para 48 equipes presentes na Liga dos Campeões Europeus, o que faria a receita dos clubes europeus aumentar para 600 milhões de euros. Em contrapartida, os clubes brasileiros, que cada vez mais exportam seus craques, pouco tem a ganhar, já que o dinheiro girado por lá passa pouco por aqui.
Na realidade brasileira, o futebol ganha uma conotação especial e pode explicar muita coisa em termos sociológicos e antropológicos. Entretanto, devemos também atentar para os 'perigos econômicos' que usa o futebol como fachada. A comoção nacional que o futebol invoca e a identificação coletiva que ele gera merecem ser entendidas por menos fanatismo e aplicados em campos mais férteis, como a política, que acaba usando o futebol para alienar o povo e desviar as atenções. No final, o que rola em campo de mais importante torna-se secundário e passa despercebido pelos olhos de quem assiste aos jogos. Mas, e depois que o jogo acabar?
Marcadores: copa do mundo, economia