quarta-feira, agosto 12, 2009

As semelhanças entre os golpes de Brasil (64) e Honduras (09)

O professor e pesquisador Pedro Paulo Funari (da Unicamp) compara o golpe que tirou Manuel Zelaya do poder em Honduras, em Junho deste ano, ao golpe militar de 1964 que tirou João Goulart do poder no Brasil.

Em entrevista ao UOL Notícias, o professor aponta semelhanças em ambos os golpes.

"Uma semelhança importante é que a ação ilegal dos militares - tirar um presidente do cargo à força é ilegal aqui e em Honduras - acabou referendada por um órgão legítimo, o Congresso", disse ele.

Funaria reconhece na condenação ao golpe pelo governo brasileiro uma ligação com o trauma já vivido por quem hoje está no poder, mas que antes havia conhecido os efeitos de um golpe militar no país.

Lula, que recebe Zelaya hoje (12) em Brasília, declarou que o golpe em Honduras é "um retrocesso democrático que não pode ser tolerado."

Para ler a entrevista completa com o professor da Unicamp, clique aqui.

Thiago Mattos.

Marcadores: ,

quinta-feira, abril 02, 2009

Os pontos altos do G-20


English version - click here

O encontro do G-20 nesta semana em Londres merece nossa atenção.


Além da aprovação do maior plano econômico da história para sair da crise, com a injeção de um trilhão de dólares em dinheiro e uma série de outras medidas que devem representar cinco trilhões de dólares até 2010, os pontos altos do encontro foram outros.

O abraço de Michele Obama na intocável rainha Elizabeth II no Palácio de Buckingham causou alvoroço por lá. A polêmica se deu por causa de um gesto com a mão feito pela rainha, como se fosse abraçar Obama, quando então a primeira-dama norte-americana quis retribuir o gesto.

Segundo aquela norma, é proibido tocar a rainha – embora a realeza possa tocar seus convidados. Times, Daily Telepgraph e outros veículos de comunicação ingleses se incomodaram com a quebra de protocolo. Mas alguém ainda se espanta com a imprensa britânica?

Outra cena que vai ficar marcada foi a gravada pela BBC, quando Barack Obama rasga a ceda de Lula antes do início da cúpula, dizendo: "Ele é o cara... Eu adoro esse cara! Ele é o político mais popular da Terra!", e emendando: "Isso é porque ele é boa pinta".


Ao final do encontro, Lula ainda tirou um sarro: "Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?".

Bem, se Obama ama Lula ou se Lula é o mais popular da Terra eu não sei, mas "boa pinta"?!? Cá entre nós, Mr. President, pegou pesado, hein?

Thiago Mattos.

Marcadores: , ,

domingo, agosto 05, 2007

Me deixa falar mal do homem, vai...

A tragédia acontecida no dia 17 de Julho poderia ter sido evitada, caso algumas providências fossem tomadas antes da fatalidade. Houve uma soma de erros e precisamos consertá-los. Muitos são os responsáveis, mas é preciso cuidado com quem anda apontando dedos a esmo – para que lado for.

É claro, evidente e vergonhoso como setores da mídia estão utilizando politicamente 199 mortos – inclusive o piloto, que tinha 27 anos de profissão e mais de 13 mil horas de vôo, também está sendo culpado – para uma tática que tenta atingir a todo custo o Palácio do Planalto mas, ironicamente, nunca funciona. É o efeito teflon que não deixa nada de ruim grudar à imagem do presidente Lula (vide a última pesquisa Datafolha e o peso da opinião dos que não viajam de avião).

Por outro lado, há também os cegos do castelo. Inexauríveis defensores do presidente, do seu partido e da sua política, seja ela qual for, que assusta mais do que aqueles que estão sempre a atacar.

É impressionante como alguns, faça chuva ou faça sol, aconteça o que acontecer, já se colocam de antemão a favor de Lula. Isso dá medo.

O sanguedbarata não tem (nem quer ter) nenhuma ligação partidária ou compromisso com qualquer doutrina, senão com a sua própria consciência de livre-pensador. Por isso, assusta-se com as incansáveis defesas que o imbatível presidente recebe, de modo que chega a ser agressivo a quem quer que tente o atacar.

Ouso a sugerir que funciona como um patrulhamento. Se você fala mal do Lula, você não é legal, você é da direita, você não gosta de trabalhadores, você é feio e bobo! Gente, o que é isso? Não podemos engolir tudo que nos empurram e defender o governo a todo custo. Vamos pensar que às vezes ele está errado, ok? (Tudo bem, muito mais que "às vezes").

Assim, o sanguedbarata quer e irá manter sua independência. Por isso, não se assustem se daqui a alguns dias este blog defender alguma ação do governo (como já fez algumas vezes), nem se voltar a atacá-lo quando achar necessário. Me deixa falar mal do homem de vez em quando, vai...

Da mesma forma, precisamos ter cuidado com as críticas mal-intencionadas, que só querem tirar proveito da situação e não trazem nada de saudável à discussão. Mas dessas já sabemos todos de onde vêm e, logo, podemos nos defender melhor.

Viva a liberdade!

Thiago Mattos.

Marcadores: , ,

quarta-feira, abril 25, 2007

"Oh Captain, my Captain"

Ontem, o presidente Lula lançou em Brasília o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), reconhecendo o Brasil como um dos piores países na área e propondo elevá-lo à condição de um melhores. Longo caminho, ahn?

Não é preciso muito esforço para constatarmos que somos mal-educados (em ambos os sentidos) e precisamos urgentemente de instrução de qualidade. A melhoria da educação brasileira é condição sine qua non para que nossos cidadãos tenham uma vida melhor e melhores salários, saibam ponderar suas escolhas, sejam esclarecidos quanto ao que se passa no mundo para poder modificá-lo e disponham do mínimo de senso crítico.

Uma educação melhor também precisa de mais que bons números na estatística. Envolve qualificação e pagamento apropriado aos profissionais da área; financiamento dos estudantes carentes com livros, transporte e alimentação; uma decente infra-estrutura escolar com laboratórios, quadras e o que mais possa envolver os alunos; exige muita determinação e vontade política na transparência com os gastos do Plano.

Do jeito que ia nossa educação, qualquer proposta de melhora chegaria muito bem-vinda, concordam intelectuais e analfabetos. Agora, é ver para crer.

Thiago Mattos.

Marcadores: , ,

domingo, março 18, 2007

Educação brasileira

Foi-se o tempo de nos assustarmos com a queda de algum ministro. Esse cargo, outrora tão distinto, parece estar amaldiçoado por quem o deseja ocupar. Hoje em dia, os ministros estão caindo tão depressa que nem esperam tomar posse; vide o caso Balbinotti.

A política brasileira – ô assunto! – não tem sabido se reinventar. Raymundo Faoro, ao analisar a história política brasileira, teve a grande sacada de que todo esse descaso com o patrimônio público, grosso modo, explica-se pelo fato de confundirmos o público com o privado desde a coroa portuguesa, de nos apoderamos do que é público e o tratamos como se fosse privado, daí o nome do seu livro: Os Donos do Poder.

Fica fácil assim entender quando o presidente Lula fala que em educação estamos entre os piores do mundo. Nem precisamos de pesquisa na área para concluir o que percebemos assistindo a uma reunião de congressistas na Câmara ou no Senado, que sabem perfeitamente conjugar o verbo e acertar na concordância mandando o nobre colega para aquele lugar, mas não têm o mínimo de educação quando pensamos em civilidade, ética e respeito.

É Vossa Excelência pra lá, Vossa Excelência pra cá – um bando de mal-educados perigosos em potencial. O Ministério Público investiga um em cada oito deputados federais que podem ser cassados por crimes como caixa dois, compra de votos, uso da máquina pública, evasão fiscal etc. Mais de 12% da nova legislatura já nasceu podre e até o final dela muitas maçãs do mesmo cesto se estragarão.

A bela educação intelectual contrasta com pouca vergonha e nenhuma cortesia. Ali no Congresso Nacional todos falam ao mesmo tempo, um põe o dedo na cara do outro e vez por outra saem até no tapa. Falta o mínimo de decoro, da educação que não se aprende na escola.

E se nossas elites ridículas não tem exemplo algum para dar, que ao menos fiquem caladas. Pois quando um burro fala, o outro abaixa a orelha.

Thiago Mattos.

Marcadores: , , ,

quinta-feira, março 15, 2007

Cachaça versus Whisky

De vez em quando, escrevo uns artigos para um site bem legal dos EUA, thesequitur.com. Acabaram de publicar por lá um artigo meu sobre o tour do presidente norte-americano George W. Bush pela América Latina e sua parada estratégica no Brasil, que deu direito a conversas etílicas, samba, protesto de mulher pelada e revolta em São Paulo.
De qualquer forma, o interesse dos gringos no Brasil aumenta cada vez mais. Uma vez ouvi da boca do próprio Bill Clinton, numa palestra para estudantes da qual participei em Los Angeles, que os americanos deviam olhar para o exemplo do Brasil na questão do álcool, um combustível limpo, dizia ele - A Califórnia é o estado americano onde o ar é o mais poluído. A preocupação deles com o meio ambiente começava a virar uma coisa cool.
Pois bem, Bush (ex-alcólatra) passou por aqui e viu como se tira o etanol da cana - lá eles fazem o mesmo processo através do milho - mas pouco se avançou nas negociações concretas. Todo o alarde em cima de sua visita relâmpago, todo o absurdo do que foi semana passada aqui foi descrita no artigo publicado por lá.
Enfim, para quem quiser conferir o artigo, é só clicar aqui.

Thiago Mattos.

PS: Essas e muito mais fotos da visita de Bush no Brasil podem ser encontradas em http://knuttz.net/hosted_pages/George-W-Bush-in-Brazil-20070313

Marcadores: , , , , ,

sábado, março 10, 2007

Êta nóis

Desde a última quarta-feira de Cinzas, muitas coisas aconteceram. O ano começou de verdade e pra valer. Houve um recall de Toddynho nos supermercados, mais buracos se abriram na terra e o presidente George W. Bush veio ao Brasil tirar um sarro e dançar um samba, enquanto Lula vinha com suas metáforas sexuais de tudo que era jeito.

Não se falava em outra coisa, a não ser de etanol. No entanto, toda a conversa em cima da potencialidade do biocombustível brasileiro produzido através da cana-de-açucar pode trazer a reboque conseqüências mais nefastas que as altas taxas de importação cobradas pelos Estados Unidos. Nenhum jornal falou disso, exceto o The Guardian.

O jornal britânico denuncia o que há por trás da tão aclamada tecnologia brasileira, lançada durante o regime militar: o trabalho escravo dos cortadores de cana movendo as engrenagens do mega negócio verde e amarelo. E alerta para os abusos cometidos contra trabalhadores que mal fazem 410 reais por mês em condições calamitosas, morrendo aos montes por excesso de trabalho. É realmente muito grave.

Fica a lição: de que adianta termos um biocombustível “limpo”, ecologicamente correto, sermos líderes internacionais na sua produção, se essa liderança é conseguida de modo sujo e pérfido, agredindo básicos direitos sociais? Ainda há muito o que se descobrir.

Marcadores: , , ,

sábado, dezembro 30, 2006

Feliz tudo de novo!

Por mais que se tentasse impedir, e antes que pudéssemos perceber, o ano de 2006 já era. Foi embora levando sonhos, ilusões e, para muitos até, esperança. Ficará conhecido, entre outras coisas, como o ano que enforcou Saddam Hussein, reelegeu Lula e fechou com chave de ouro, com uma súbita onda de violência na cidade do Rio de Janeiro.

2006 já era, mas deixa perguntas. Será que a execução de Saddam Hussein – espetáculo sádico de um mundo que deseja acabar com a violência e fazer justiça dando exemplos hipócritas e sanguinários – desviará a atenção das mortes diárias no Iraque, ou apenas as aumentará? Quanto tempo ainda levará antes que os senhores da guerra decidam deixar o país à própria sorte dos iraquianos? Com quantas guerras se faz uma paz?

Depois de tantos escândalos políticos, do povo desenganado com seus governantes, de mais do mesmo, será que a reeleição de Lula mudará algo substancial no destino do país ou sua maneira curiosa de governar – que vem misturando coalizão e colisão – não aprenderá com os erros do passado? O que vem pela frente: mais sujeira ou uma melhora nas consciências? Com quantos escândalos se faz um político?

A cidade do Rio de Janeiro, a menos de uma semana para terminar o ano, sofreu com inúmeros ataques de violência onde ônibus foram queimados e pessoas foram mortas. Mas, a vida na cidade continuou normalmente, como se nada tivesse acontecido. Por mais que a violência chocasse, no fundo, para quem era apenas expectador, pouco se espantou. Tudo seguiu como se a violência fizesse parte do nosso cotidiano – e o pior é que realmente faz. Com quantas mortes se tomam providências?

Fica mais uma pergunta: se foram as tais milícias – como tanto se tem dito – que expulsaram traficantes dos morros cariocas, e se elas são formadas por policiais, agentes penitenciários, bombeiros, ou seja, agentes do Estado que deveriam combater a isso tudo como agentes do Estado e não encapuzados, por que o Estado, que os emprega e portanto tem poderes para fazer o mesmo de uma maneira legítima, não o faz? O que, se não vontade política, ainda falta para isso acontecer?

Mesmo que tenham ficado perguntas sem respostas e muitas por responder, 2007 já está aí e não adianta mais fingir que não é com a gente. Que este ano – que de novo não tem nada – traga a todos nós um pouquinho mais de respostas para que aos poucos as melhoras possam vir. Enquanto isso, deixa eu cantar: Get upa! Get on up!

Thiago Mattos.

Marcadores: , ,

segunda-feira, julho 03, 2006

Eu já sabia!

Não precisamos mais esperar: pelo menos para o Brasil, terminou a Copa do Mundo. Todos de volta ao trabalho e sem mais preocupações como “onde eu vou ver o próximo jogo?”. Amigo, não terá mais próximo jogo. Agora, só daqui a 4 anos.


Mas quer saber? Eu já sabia! Essa seleção tão papagaiada e cheia de glamour só podia acabar assim mesmo, foi bem feito. Pena que todo aquele nacionalismo idiota que enchia as janelas de bandeirinhas e as ruas de verde e amarelo não vai durar até outubro, quando teremos eleições. Seria um bom uso de um sentimento tão precário.

Por falar em eleições, neste mês começam as campanhas eleitorais. Tempo para ficarmos de olho em quem vem por aí. Os candidatos realmente deveriam disputar a eleição à outra coisa; nos governos estaduais é cada um pior que o outro. Cada vez mais os eleitores têm que escolher entre o ‘de jeito nenhum’ e o ‘deus me livre’, na dúvida acaba elegendo qualquer um que vê na TV.

Falando em TV, o presidente Lula acabou se decidindo pelo padrão japonês na TV digital, favorecendo as grandes corporações em troca de apoio na sua reeleição e contrariando um sem número de interesses, principalmente o interesse popular. A batalha por trás dessa novela que estava sendo a escolha entre um dos padrões para a TV digital foi acelerada pelo clima eleitoreiro e pelo ministro das Comunicações e ex-repórter da Globo, Hélio Costa.

Agora pouco, em ato inédito, Lula pediu ao Congresso a devolução de 225 processos de renovação de concessões de rádio e TV, ameaçados de rejeição pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. A manobra, feita a pedido do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), impedirá que emissoras de políticos que estão com concessões vencidas sejam fechadas.

Mas isso tudo ainda é distante da real preocupação do povo, quando o Brasil perde a Copa poucos querem falar de outra coisa. Se a gente começar a opinar quem leva o caneco na disputa presidencial, sabe o que eu vou dizer em Outubro? Eu já sabia!


Thiago Mattos.

Marcadores: , , , ,

terça-feira, junho 06, 2006

Cansados de esperar

Essa semana completa um ano que a palavra ‘mensalão’ passou a fazer parte do vocabulário da política nacional brasileira. Há exatos 12 meses, o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) dava uma entrevista à Folha de S. Paulo declarando que o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pagava R$30 mil mensais a deputados de Brasília em troca de apoio ao governo. Dias depois da entrevista, Jefferson vai depor na Câmara e dispara uma metralhadora verborrágica de acusações para todos os lados do Congresso, poupando só o presidente.

Seu depoimento transmitido ao vivo pela TV se tornaria mais um espetáculo de entretenimento do que uma sessão do Conselho de Ética da Câmara e ficaria marcado na história política do país como o primeiro de muitos outros que virariam diversão das nossas tardes. Mais uma vez a podridão da política era destampada in loco e assim começava a crise política na segunda metade do governo Lula.

Entre as muitas revelações de Jefferson (que quase virou herói da pátria, não fosse sua própria confissão de envolvimento no esquema), havia a de que o dinheiro do ‘mensalão’ vinha de estatais e de empresas privadas e chegava a Brasília em malas para ser distribuído a parlamentares com a ajuda de um publicitário “carequinha”; suas acusações solaparam presidentes de partidos e quadros do alto escalão do governo. Hoje, dos 19 deputados suspeitos de envolvimento no esquema, 11 foram absolvidos, 1 aguarda julgamento, 4 renunciaram para não perder o mandato e 3 foram cassados, entre os quais, o ilustre deputado citado.

Com a crise, o Partido dos Trabalhadores, que antes de alcançar o poder passava incólume pela seara da corrupção, foi seriamente comprometido e maculado pelas denúncias, que aos poucos iam respingando no presidente. Os homens fortes do governo foram caindo um a um, porém o presidente-operário, que veio do povo e ali estava por ele, vem resistindo às mais de 20 tentativas de impeachment, à denúncias-crime da OAB, do Procurador-geral da República, do que vier. Especialistas políticos são procurados aos montes para explicar o “fenômeno” de um presidente que quanto mais apanha mais se fortalece. A um mês do início oficial da campanha política, pesquisas mostram que o presidente Lula é disparado o vencedor das eleições, caso fossem hoje.

Passou-se um ano e muitos estavam se perguntando até quando o povo brasileiro ia ficar quieto, assistindo a tudo passivo, moribundo como o homem do Planalto que sangra, sangra mas não morre. Fechando o ciclo desses 12 meses após o início das denúncias, manifestantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra resolveram invadiram a pau e pedra a Câmara dos Deputados numa demonstração clara que nem todo mundo está parado, sem fazer nada. O ato de cara foi repreendido duramente pela grande imprensa, que os chamou de vândalos ao invadir a Casa do Povo. Mas, cá entre nós, o Congresso já deixou de ser do povo há muito tempo.

Thiago Mattos.

Marcadores: , , ,

quarta-feira, maio 03, 2006

Um outro primeiro de maio


O primeiro de maio na Bolívia foi um pouco diferente. O presidente Evo Morales, cumprindo uma de suas promessas de campanha, determinou através do ‘decreto de nacionalização dos hidrocarbonetos’ que todas as etapas da exploração e comercialização do gás e do petróleo no país fossem nacionalizadas. As tropas do exército invadiram campos de produção, dutos, refinarias, incluindo unidades da Petrobrás para anunciar as novas medidas, acertando em cheio a cia. brasileira que tem investimentos de mais de US$1 bilhão.

Dentre os pontos frágeis do lado de cá está o consumo de gás natural do Brasil: cerca de 50% vem de lá. Outra medida aumenta a tributação sobre o gás de 50% para 82%. Além disso, o Estado boliviano assumirá o controle acionário das duas refinarias da Petrobras instaladas em Santa Cruz e Cochabamba através da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), que além de assumir a comercialização de gás e petróleo, definirá condições, volumes e preços tanto para o mercado interno quanto para exportação. Caso as empresas não aceitem as medidas, terão de deixar o país em 180 dias.

O governo brasileiro foi surpreendido e considerou grave a decisão de Morales. Há uma semana, Lula, em gesto simbólico, manchava suas mãos no petróleo anunciando a auto-suficiência da Petrobras. Agora veio o balde de água fria.

A medida de Evo Morales (essencialmente de esquerda) não era nenhuma novidade, já que constituía uma de suas plataformas de campanha. Sua intenção é a de diminuir os lucros recordes que as cias. vêm registrando a cada ano. Segundo o decreto do governo boliviano, 82% dos valores arrecadados com a venda de gás e petróleo devem ir para o Estado, ficando apenas 18% para as empresas.

Analistas do mundo inteiro consideram a medida precipitada; possivelmente o povo brasileiro sofrerá tanto com o aumento do preço quanto com o racionamento de gás futuramente. Ao contrário do que muitos hermanos possam pensar, estamos muito longe de exercermos um papel imperialista na América do Sul. Milhões de pessoas vivem no Brasil em condições de miséria. O mais importante de toda essa discussão é tanto Brasil quanto Bolívia lembrarem que a união dos povos da América Latina é uma arma vital para enfrentar o real imperialismo que vem lá de cima e fortalecer cada um dos povos de cada um dos países.

Thiago Mattos.

Marcadores: , , ,