quinta-feira, março 15, 2007

Cachaça versus Whisky

De vez em quando, escrevo uns artigos para um site bem legal dos EUA, thesequitur.com. Acabaram de publicar por lá um artigo meu sobre o tour do presidente norte-americano George W. Bush pela América Latina e sua parada estratégica no Brasil, que deu direito a conversas etílicas, samba, protesto de mulher pelada e revolta em São Paulo.
De qualquer forma, o interesse dos gringos no Brasil aumenta cada vez mais. Uma vez ouvi da boca do próprio Bill Clinton, numa palestra para estudantes da qual participei em Los Angeles, que os americanos deviam olhar para o exemplo do Brasil na questão do álcool, um combustível limpo, dizia ele - A Califórnia é o estado americano onde o ar é o mais poluído. A preocupação deles com o meio ambiente começava a virar uma coisa cool.
Pois bem, Bush (ex-alcólatra) passou por aqui e viu como se tira o etanol da cana - lá eles fazem o mesmo processo através do milho - mas pouco se avançou nas negociações concretas. Todo o alarde em cima de sua visita relâmpago, todo o absurdo do que foi semana passada aqui foi descrita no artigo publicado por lá.
Enfim, para quem quiser conferir o artigo, é só clicar aqui.

Thiago Mattos.

PS: Essas e muito mais fotos da visita de Bush no Brasil podem ser encontradas em http://knuttz.net/hosted_pages/George-W-Bush-in-Brazil-20070313

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sábado, março 10, 2007

Êta nóis

Desde a última quarta-feira de Cinzas, muitas coisas aconteceram. O ano começou de verdade e pra valer. Houve um recall de Toddynho nos supermercados, mais buracos se abriram na terra e o presidente George W. Bush veio ao Brasil tirar um sarro e dançar um samba, enquanto Lula vinha com suas metáforas sexuais de tudo que era jeito.

Não se falava em outra coisa, a não ser de etanol. No entanto, toda a conversa em cima da potencialidade do biocombustível brasileiro produzido através da cana-de-açucar pode trazer a reboque conseqüências mais nefastas que as altas taxas de importação cobradas pelos Estados Unidos. Nenhum jornal falou disso, exceto o The Guardian.

O jornal britânico denuncia o que há por trás da tão aclamada tecnologia brasileira, lançada durante o regime militar: o trabalho escravo dos cortadores de cana movendo as engrenagens do mega negócio verde e amarelo. E alerta para os abusos cometidos contra trabalhadores que mal fazem 410 reais por mês em condições calamitosas, morrendo aos montes por excesso de trabalho. É realmente muito grave.

Fica a lição: de que adianta termos um biocombustível “limpo”, ecologicamente correto, sermos líderes internacionais na sua produção, se essa liderança é conseguida de modo sujo e pérfido, agredindo básicos direitos sociais? Ainda há muito o que se descobrir.

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