segunda-feira, dezembro 15, 2008

Como encerrar um mandato (ou desviar de sapatos)



Emblemática foi a despedida do Presidente George W. Bush no Iraque.

Há menos de um mês para terminar seu mandato, Bush resolveu fazer uma visita surpresa ao Iraque - a quarta desde a invasão de 2003.

Durante uma coletiva de imprensa ao lado do Primeiro Ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, Bush foi surpreendido por um repórter de TV que lhe atirou seus sapatos - hábito considerado extremamente ofensivo na cultura árabe - gritando em árabe:

"Isto é um beijo de adeus do povo iraquiano, cachorro! Isto é pelas viúvas, pelos órfãos e por aqueles que foram mortos no Iraque".

Infelizmente, Bush conseguiu desviar a tempo e não foi atingido. O repórter foi detido pela lerda segurança, e Bush ainda tirou um sarro: "tudo o que posso dizer é que é um tamanho 42".

Thiago Mattos.

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quinta-feira, setembro 11, 2008

VII d.11/09

Há sete anos, o dia 11 de Setembro entraria para o vocabulário internacional como um marco que dividiria tudo o que aconteceu em antes e depois dele. Estamos no ano VII d.11/09 e a História continua.

A dimensão das mudanças causadas por esta data ainda não puderam ser suficientemente assimiladas, mas todos nós sabemos que algo incrivelmente assustador e terrível aconteceu em Nova York há sete anos atrás envolvendo dois prédios, dois aviões e quase 3 mil pessoas - vimos pela TV! Já não podemos dizer o mesmo sobre o ataque ao Pentágono. Alguém já ouviu falar de Shanksville?

De qualquer forma, naquele dia o mundo estava mudando para nunca mais ser o mesmo e nos foi relembrado - do jeito mais cruel - qual o valor de uma vida comparado ao de uma causa ou de uma idéia.

Muitas perguntas ainda restam. Ficamos com três:

Como a CIA - a tão aclamada "maior inteligência do mundo" - que tem células espalhadas pelos quatro cantos, não consegue achar Osama Bin Laden, e nem ao menos os figurões da Al-Qaeda, se até um jornalista espanhol de bons contatos conseguiu?

Como puderam ser ignoradas as suspeitas do FBI com relação a um assunto tão sério quanto o ataque das Torres Gêmeas do World Trade Centre? A desculpa de que sempre recebem por lá ameaças de todos os tipos e não podem dar conta de todas é no mínimo ingênua. Sabemos que agentes do governo, policiais e políticos não fazem o tipo.

Já que existem regras que não podem ser quebradas de maneira alguma por um avião no espaço aéreo dos EUA, sob pena de ser interceptado e abatido por caças da Forca Aérea em questão de segundos, como explicar os atrasos nos avisos das Bases Aéreas? Como simplesmente cruzaram os braços?

Entre as tantas teorias extra-oficiais, as que mais chamam a atenção é a de que Bin Laden seja um ex-agente da CIA e a de que as torres do WTC, na verdade, teriam caído por uma implosão e não pelo impacto dos Boeings 767 e 757. Seja como for, a verdade um dia surgirá.

O silêncio do presidente George W. Bush durante as cerimônias de aniversário da tragédia ano após ano soa sempre como a metáfora de um silêncio incômodo. Mas, com todas as respostas que estão sendo escondidas, muitas perguntas não conseguem calar.

Thiago Mattos.

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quinta-feira, março 15, 2007

Cachaça versus Whisky

De vez em quando, escrevo uns artigos para um site bem legal dos EUA, thesequitur.com. Acabaram de publicar por lá um artigo meu sobre o tour do presidente norte-americano George W. Bush pela América Latina e sua parada estratégica no Brasil, que deu direito a conversas etílicas, samba, protesto de mulher pelada e revolta em São Paulo.
De qualquer forma, o interesse dos gringos no Brasil aumenta cada vez mais. Uma vez ouvi da boca do próprio Bill Clinton, numa palestra para estudantes da qual participei em Los Angeles, que os americanos deviam olhar para o exemplo do Brasil na questão do álcool, um combustível limpo, dizia ele - A Califórnia é o estado americano onde o ar é o mais poluído. A preocupação deles com o meio ambiente começava a virar uma coisa cool.
Pois bem, Bush (ex-alcólatra) passou por aqui e viu como se tira o etanol da cana - lá eles fazem o mesmo processo através do milho - mas pouco se avançou nas negociações concretas. Todo o alarde em cima de sua visita relâmpago, todo o absurdo do que foi semana passada aqui foi descrita no artigo publicado por lá.
Enfim, para quem quiser conferir o artigo, é só clicar aqui.

Thiago Mattos.

PS: Essas e muito mais fotos da visita de Bush no Brasil podem ser encontradas em http://knuttz.net/hosted_pages/George-W-Bush-in-Brazil-20070313

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sábado, março 10, 2007

Êta nóis

Desde a última quarta-feira de Cinzas, muitas coisas aconteceram. O ano começou de verdade e pra valer. Houve um recall de Toddynho nos supermercados, mais buracos se abriram na terra e o presidente George W. Bush veio ao Brasil tirar um sarro e dançar um samba, enquanto Lula vinha com suas metáforas sexuais de tudo que era jeito.

Não se falava em outra coisa, a não ser de etanol. No entanto, toda a conversa em cima da potencialidade do biocombustível brasileiro produzido através da cana-de-açucar pode trazer a reboque conseqüências mais nefastas que as altas taxas de importação cobradas pelos Estados Unidos. Nenhum jornal falou disso, exceto o The Guardian.

O jornal britânico denuncia o que há por trás da tão aclamada tecnologia brasileira, lançada durante o regime militar: o trabalho escravo dos cortadores de cana movendo as engrenagens do mega negócio verde e amarelo. E alerta para os abusos cometidos contra trabalhadores que mal fazem 410 reais por mês em condições calamitosas, morrendo aos montes por excesso de trabalho. É realmente muito grave.

Fica a lição: de que adianta termos um biocombustível “limpo”, ecologicamente correto, sermos líderes internacionais na sua produção, se essa liderança é conseguida de modo sujo e pérfido, agredindo básicos direitos sociais? Ainda há muito o que se descobrir.

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domingo, julho 30, 2006

Desculpas para tudo

A curiosa moção recentemente aprovada na Câmara dos Representantes dos EUA, pedindo a criação de uma força-tarefa na Tríplice Fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai) que “assista e combata a proliferação das organizações terroristas”, causou por aqui uma certa surpresa. Apesar de todas as evidências dizerem que não, o projeto de autoria da republicana Ileana Ros-Lehtinen, da Flórida, especula que haja ali um possível braço da Al Qaeda e que terroristas estariam vindo para o Brasil e indo daqui até o México, tentando assim entrar em american soil.

Desde então, diversos congressistas que discordam dos termos do pedido se manifestaram a favor do governo brasileiro, ressaltando a “ativa participação e liderança” do Brasil no programa de segurança do grupo 3+1, formado pelos três países da região mais os EUA. O ponto nevrálgico é que a moção sugere uma militarização da região sob a desculpa da luta contra o terrorismo, conceito ainda vago e impreciso.

O presidente venezuelano Hugo Chavéz já cansou de declarar suas intenções de transformar a Venezuela numa potência militar. Há algumas semanas, a Guiana anunciou a participação de uma força militar americana para vigiar sua parte da floresta amazônica. Há também presença militar dos EUA até Dezembro deste ano em território paraguaio para “exercícios militares”.

Apesar de problemas localizados na Colômbia com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), a América do Sul é um dos poucos pontos ainda pacíficos do planeta; as tentativas de militarização, ao contrário do que se pense, não trarão qualquer garantia de paz para a região. Entretanto, notamos que as investidas na direção contrária estão cada vez mais fortes.

A região da Tríplice Fronteira, vale lembrar, tem uma importância estratégica, já que ali está situado o aqüífero Guarani, a maior reserva de água doce do subsolo americano. Já não bastam as constantes ameaças de internacionalização da Amazônia, isso sim um terror, qualquer passo dado na direção de uma intervenção que ameace a soberania desses países deve ser tratado com respeito e cuidado.
Thiago Mattos.

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quinta-feira, julho 20, 2006

Merda acontece!

As engrenagens do Senhor da Guerra precisam de mais sangue para azeitar os lucros e assim começa mais um combate em nome da honra e da pátria. Israel, em busca de dois soldados capturados pelo Hizbollah, abre uma ofensiva contra o Líbano, mas até agora só civis estão morrendo – os números crescem a cada dia.

Aqui no “Ocidente Médio”, mais conhecido como São Paulo, as coisas não são muito diferentes. Bem, não temos nenhum tzahal envolvido mas é como se fosse. A cor do sangue é sempre a mesma e a dor grita em uníssono aos surdos.

O presidente estadunidense disse que tem que fazer o Hizbollah parar essa merda, com essas palavras em alto e mau inglês. Bem, ao menos uma merda bem colocada. Concordo com o W. Bush mas, presidente, diga como ahn?

Por aqui, a disputa eleitoral amplifica um embate tacanho e medíocre da parte dos candidatos. Por que não pagamos a todos eles uma excursão ao Líbano? Ok, sem generalizações. Deixa eu tentar de novo.

Em Brasília, a CPI dos Sanguessugas (nenhum deles é sangue bom, vale lembrar) cada vez incha mais a lista dos nomes que “não são necessariamente culpados”, ressalva Vossa Excelência. Até parece... O fato é que as legendas mais envolvidas são casualmente as dos partidos que participaram também com o mesmo vigor nos outros escândalos políticos, inclusive no ‘mensalão’. Alguém ainda topa a vaquinha mandando eles para o Líbano?

Bem, entre tantas merdas acontecendo no mundo há quem prefira ver a novela ou comprar o novo lote do trio da lvete, há quem fique falando mal de tudo escrevendo blogs e há quem só fique lendo. Que merda, hein!

Thiago Mattos.

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