terça-feira, janeiro 26, 2010

Herdeiro de uma herança maldita

A Obamamania acabou, clamam os analistas. A recente derrota democrata em Massachussetts parece ter marcado o fim de uma era que, como alguns insistem, durou um ano.

A suada reforma da saúde, que ainda não está encerrada, e a enorme ajuda aos bancos e à General Motors parecem ter ponteado esse o primeiro ano de governo, revelando desafios que vão tornando o lema de campanha cada vez mais distante. Em vez daquela afirmação pungente (“Sim, nós podemos” ), a pergunta que todos fazem agora é “Podemos mesmo?”

Apesar de tudo, ainda é cedo para uma avaliação mais precisa de um governo que já chegou causando frisson e, ao deparar-se com obstáculos quase intransponíveis, causa o mesmo alvoroço – seja entre críticos ou partidários.

O governo Obama, pelo menos por enquanto, é um herdeiro de uma herança maldita. Mas é bom que não se esqueça: pode – e deve – ser muito mais que isso.

Thiago Mattos.

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terça-feira, outubro 13, 2009

O prêmio Nobel da Paz e a dinamite

Terminada a distribuição dos prêmios Nobeis de 2009, que dá a cada nome laureado o equivalente a US$ 1,4 milhão, ainda fica a mesma pergunta: como assim Barack Obama ganhou o prêmio Nobel da Paz?

Escolha política ou falta de opção?

Quando anunciou sua escolha, o comitê Nobel norueguês destacou os "extraordinários esforços" de Obama para "fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos", mas a repercussão na mídia internacional gerou polêmica imediata.

O jornal Washington Post lembrou que o prêmio tenha vindo depois de o presidente ter estado há menos de nove meses no governo e que, além disso, Obama não obteve nenhum resultado maior no plano internacional.

O Daily Mirror afirmou que o prêmio foi "uma das maiores surpresas que o comitê Nobel jamais provocou", uma vez que as candidaturas ao prêmio foram encerradas 12 dias após a posse de Obama, o quarto presidente dos EUA a ganhar o prêmio.

Seja como for, as pressões sobre ele serão ainda maiores. No momento, seu governo estuda um possível envio de mais 40 mil soldados ao Afegasnistão e entre seus maiores desafios no plano internacional estão as negociações entre Israelenses e Palestinos e o programa nuclear do Irã. Quem sabe este prêmio possa ajudá-lo a conquistar o que ainda lhe falta para merece-lô?

* * *

Os outros ganhadores do prêmio Nobel de 2009:

Economia: Elinor Ostrom e Oliver Williamson

Literatura: Herta Mueller

Medicina: Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak

Física: Charles Kao, Willard Boyle e George Smith

Química: Venkatraman Ramakrishnan, Thomas Steitz e Ada Yonath.

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Curiosidades:

O prêmio chama-se Nobel por causa de Alfred Nobel, o inventor da dinamite, e é distribuído desde 1901. Apesar de sua invenção, está lá escrito no site do Nobel Prize: Alfred Nobel era um pacifista. Olhando para os vencedores do passado, podemos ver que a distância entre estar perto do prêmio e da dinamite não é tão longe assim.

Thiago Mattos.

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terça-feira, abril 28, 2009

Gripe suína, Obama e Susan Boyle

A gripe suína veio com tudo e desbancou o que seria a pauta mais importante do mês: os 100 dias de Barack Obama no poder.

Numa cobertura que ronda a linha tênue que frequentemente separa a informação do sensacionalismo, a imprensa mundial tenta divulgar os fatos sem espalhar o pânico - difícil tarefa.

Vale destacar a contribuição de um tal de Niman, usuário do
Google Maps que diz ser "pesquisador de biomedicina em Pittsburgh", na Pensilvânia.

Niman está monitorando pelo Google Maps os casos e as aparições de gripe suína pelos quatro continentes - América do Sul e do Norte, Europa e Oceania.

A doença foi detectada primeiramente no México em meados de abril, espalhando-se rapidamente pelos Estados Unidos, Canadá, e logo chegando à Europa.
As vítimas fatais da variante do vírus H1N1 (que caracteriza a gripe suína), por enquanto, só foram confirmadas no México.

No Brasil, apesar de uma dúzia de pessoas estarem sendo monitoradas, nenhum caso ainda foi confirmado.

Enquanto isso, os 100 dias de Obama no poder tem chamado menos atenção que a Susan Boyle.


Thiago Mattos.


Imagem: Andy Marlette

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quinta-feira, abril 02, 2009

Os pontos altos do G-20


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O encontro do G-20 nesta semana em Londres merece nossa atenção.


Além da aprovação do maior plano econômico da história para sair da crise, com a injeção de um trilhão de dólares em dinheiro e uma série de outras medidas que devem representar cinco trilhões de dólares até 2010, os pontos altos do encontro foram outros.

O abraço de Michele Obama na intocável rainha Elizabeth II no Palácio de Buckingham causou alvoroço por lá. A polêmica se deu por causa de um gesto com a mão feito pela rainha, como se fosse abraçar Obama, quando então a primeira-dama norte-americana quis retribuir o gesto.

Segundo aquela norma, é proibido tocar a rainha – embora a realeza possa tocar seus convidados. Times, Daily Telepgraph e outros veículos de comunicação ingleses se incomodaram com a quebra de protocolo. Mas alguém ainda se espanta com a imprensa britânica?

Outra cena que vai ficar marcada foi a gravada pela BBC, quando Barack Obama rasga a ceda de Lula antes do início da cúpula, dizendo: "Ele é o cara... Eu adoro esse cara! Ele é o político mais popular da Terra!", e emendando: "Isso é porque ele é boa pinta".


Ao final do encontro, Lula ainda tirou um sarro: "Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?".

Bem, se Obama ama Lula ou se Lula é o mais popular da Terra eu não sei, mas "boa pinta"?!? Cá entre nós, Mr. President, pegou pesado, hein?

Thiago Mattos.

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