quinta-feira, março 11, 2010

O Rio de Janeiro continua lindo demais



Após um dia de chuva daqueles que param a cidade, um vídeo que mostra poeticamente a felicidade latente do povo carioca, mesmo na desgraça.

Thiago Mattos

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quinta-feira, outubro 22, 2009

"Plano de segurança"

Poucas palavras dizem tudo. A charge acima veio do blog Koostela e exprime com precisão o sentimento atual com relação às Olimpíadas e a violência brasileira, especialmente no Rio.

Quando chegamos ao ponto de não saber mais quem é o grande vilão dessa história, contra quem realmente estamos lutando, quando não se vê mais diferença entre polícia e bandido e tudo parece estar perdido, como entender esse momento?

Thiago Mattos.

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domingo, outubro 04, 2009

Rio 2016? Eu já sabia!

Na última sexta-feira (02), o Rio de Janeiro foi confirmado como a cidade-sede das Olimpíadas de 2016. Com um discurso preciso de Lula que apelava para as esperanças de 190 milhões de brasileiros ("Chegou a nossa hora") e o filme promocional de Fernando Meirelles (que escondeu até as favelas), a propaganda estava pronta para ser comprada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). E foi!
Mais do que comemorar como macacos de imitação, precisamos estar a par dos próximos passos de todos os investimentos que serão feitos na cidade e monitorá-los.

Para que a Olimpíada do Rio não se torne um grande problema para a população brasileira, é preciso que cada um realmente se intere do assunto, acompanhando e cobrando seriedade dos responsáveis envolvidos; o que é claramente difícil de acontecer.

É importante estarmos céticos e questionarmos para que tudo não passe de mais um episódio de superfaturamentos, politicagem, corrupção, roubalheira e elefantes brancos.

Queremos que a própria cidade e o país tirem proveito de sediar as Olimpíadas com avanços reais e permanentes; que os cariocas, fluminenses e brasileiros possam gozar de melhores condições de vida.



Se, ao final de tudo, nosso transporte, segurança, oportunidades de emprego e educação continuarem no mesmo nível que estão hoje, saberemos que os únicos beneficiados de 2016 terão sido as prostitutas e os seus filhos de terno por trás dos negócios.

Thiago Mattos.

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quarta-feira, julho 30, 2008

Tá tudo dominado!

O número é bem sugestivo. De acordo com um relatório confidencial da Subsecretaria de Inteligência (SSI) da Secretaria de Segurança do Rio, as milícias - quadrilhas chefiadas por policiais que dominam comunidades pobres, cobrando por "segurança", atualmente intimidando eleitores e candidatos - já estão em 171 localidades de dez cidades fluminenses, incluindo a capital. 171!

De acordo com O Estado de S. Paulo, o documento, enviado à CPI das Milícias da Assembléia, identifica 521 pessoas supostamente envolvidas, entre elas deputados, vereadores, policiais civis (18) e militares (156), integrantes do Corpo de Bombeiros (11), agentes penitenciários (3) e membros das Forças Armadas (3). Os demais são todos civis, entre os quais alguns ex-policiais.


A presença das milícias espalha-se por Magé, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belfort Roxo e Mesquita (Baixada Fluminense); Niterói e São Gonçalo (Região Metropolitana); Cabo Frio e Macaé (Região dos Lagos); e principalmente na capital (125 comunidades) - zonal norte e zona oeste.

Na zona oeste, estão em 94 bairros ou localidades (68,12%). Nessa região está a favela de Rio das Pedras - um dos primeiros locais a surgir milícias - e onde atua a chamada Liga da Justiça, grupo supostamente chefiado pelo deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM) e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães Filho (PMDB), o Jerominho.


Na zona norte, a milícia ocupou 31 locais (22,46%), e, curiosamente, um dos locais de maior expressão fica na região de Rocha Miranda, perto do 9º Batalhão da Polícia Militar.

É de se notar que uma parcela considerável de moradores apóiam as milícias. Eles realmente acreditam que suas favelas são melhores pois "não tem tráfico ou roubos" e "ninguém pisa na bola". Essas pessoas pagam a um Estado Paralelo por um serviço que depois de acordado não se pode mais reclamar. Cria-se um circulo vicioso e assim as milícias se espalham, usando o mesmo mecanismo que o tráfico, corrompendo e vendendo algo que não lhes pertence.

A lógica por trás das milícias merece ser discutida e entendida, não glamourizada na novela das oito. Alguém lembra de Juvenal Antena e da Portelinha? Pois é, aquilo não era a realidade! Favela customizada no Projac com os pobrezinhos bem vestidos, belos e malhados não dá para engolir.

Não adianta romantizar a pobreza ou enfeitar a violência. O problema é muito mais sério e o buraco é bem mais embaixo!


Thiago Mattos.

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sexta-feira, julho 13, 2007

"Panis et Circenses"

Aqui no Rio de Janeiro, Julho de 2007 será lembrado por vários eventos que puseram a cidade em destaque no cenário internacional.

No último Domingo 8, instalou-se na Praia de Copacabana a badalada série de concertos ao redor do mundo Live Earth, na qual escusos interesses governistas e corporativistas vem se promovendo, sob a égide de Al Gore, e usando o discurso do aquecimento global como pano de fundo para o espetáculo. Seja como for, ainda que o show não tivesse poluído tanto, gastado tanta energia elétrica ou tivesse realmente algum comprometimento sério, pouco importaria pois ninguém ali estava prestando atenção a nada, nem mesmo ao show.

Também em Julho, começou o evento mais importante do ano (para os anunciantes): a XV edição dos Jogos Pan-americanos, que já havia iniciado uma limpeza na cidade, desde o Complexo do Alemão. Os tantos policiais armados pelas ruas da Zona Sul – onde o Caveirão não passa – transmitem uma falsa impressão de que está tudo sob controle, sabe-se lá de quem.

O Pan, como é carinhosamente chamado, vem sendo tratado como outra grande sensação a serviço do entretenimento, onde mal há espaço para se questionar o estouro do orçamento das obras (muitas feitas sem qualquer licitação) ou as suspeitas de corrupção. Isso para não citar a remoção de moradores de áreas próximas ao evento. Sediar o Pan trará realmente algum benefício? Para quem?

Para quem vê de fora, ou se deixa ilusionar pela atmosfera festiva, a cidade maravilhosa parece estar mesmo com tudo; até uma das 7 maravilhas do mundo moderno agora é daqui. A estátua do Cristo Redentor derrotou monumentos como as Pirâmides do Egito e o Stonehenge do Reino Unido, muito mais relevantes à História, diga-se de passagem. Mas isso não muda em nada a vida de nós, cidadãos comuns, não é mesmo?

Nessa sociedade do espetáculo (onde tudo é um grande circo), vem sendo vendida e comprada a idéia de que nada mais pode ser levado a sério sob o sério risco de ser ridicularizado. Com tanta coisa acontecendo, quem de nós ainda resistirá a tão cômoda sugestão de relaxar e gozar? Quem?

Thiago Mattos.

PS: Imagem do mascote em http://subversivos.libertar.org/

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quinta-feira, abril 19, 2007

A cultura da violência (da Virgínia ao Catumbi)

Quarta-feira, meio-dia. Um helicóptero preto da Polícia Civil dá rasantes no morro do Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Os barulhos da hélice me trazem o pensamento para a possibilidade do início de mais um tiroteio no morro. Concentrar-se em escrever um texto é difícil. Espero o dia seguinte.

No cemitério do Catumbi, os velórios haviam sido suspensos. Velar um morto por lá ainda pode matar. Pois mesmo que esse pedaço do Rio de Janeiro não seja Zona Sul, Centro ou Zona Norte, é certo um lugar onde não há muita paz por aqui.

Nosso cotidiano carioca que mistura alegria, suor e tragédia quase não pode mais se espantar com a cor do sangue nem com a razão porque ele jorra dos corpos de nossos mortos.

De manhã, uma manifestação pela paz colocou 1.300 rosas num ponto da praia de Copacabana para nos lembrar quantos já morreram nesta guerra financiada pela indústria da violência tupiniquim. As rosas e o sangue têm a mesma cor, mas isso pouco importa para quem morre.

Pelo Brasil adentro brotam tantos exemplos de tragédias cotidianas que um massacre como o de Virginia Tech não pode mais nos chocar. No máximo, um pequeno susto.

Apesar da diferença em como se mata lá e aqui, chama a atenção no caso da Virgínia a frieza de um assassinato em massa onde os que ficaram não podem dirigir a raiva a alguém, já que o único suspeito está morto. Haveria ainda alguma justiça a ser feita? Como?

Mesmo que surjam vídeos, fotos ou cartas, nunca saberemos a ‘verdade verdadeira’ de uma tragédia que massacra os espectadores do mundo inteiro contra o mais novo inimigo público dos EUA: um coreano, ainda que do sul da Coréia.

Apesar de todo o sangue derramado e da surpresa em relação ao que nos lembra o que outra hora se chamou Columbine – ou tantos outros nomes de escolas nos EUA assoladas pelo mesmo mal – sabemos como poucos sobre assassinatos em massa, sejam eles cometidos por loucos ou não, com ou sem uniforme, legitimados ou não pelo aparelho repressivo do Estado.

Não precisamos de um assassino no cinema, nem de uma menina que mata os pais e tem nome alemão. Pouco precisamos de psicopatas. Nossas instituições cuidam para que essa indústria da violência siga matando em endereço certo aos nossos próprios inimigos públicos: nossos pobres.

A tragédia de mortes banalizadas que choca o mundo e é para nós uma dura realidade ainda custará muitas rosas.

Thiago Mattos.

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

"Chame o ladrão"

A piada com as fotos dos policiais cariocas tiradas com turistas estrangeiras em poses de simulação de prisão e violência não teve a menor graça – a não ser para os turistas que riram de nós. A quase inexistente credibilidade que gozava a instituição da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM-RJ) já devia ter atingido a escala negativa há muito tempo. Mas tudo de ruim que o histórico policial guarda, de um modo ou de outro, sempre tenta se superar.

Não bastasse tudo o que certos policiais militares daqui vem aprontando – participação em chacinas, corrupção ativa e passiva, envolvimento com o tráfico, conivência com jogos ilegais, entre muitíssimos outros maus exemplos de como não se deve agir – agora vem mais essa. Fotos lamentáveis de policiais que não valem o colete que usam nem as balas que carregam.

Certamente, não podemos julgar todos os membros da instituição como corruptos, assassinos e facínoras. Obviamente, sabemos das suas dificuldades no trabalho, da pouca remuneração, disso tudo e muito mais. Mas o fato é que nenhum dos argumentos justifica o comportamento desse tipo de agente que deveria proteger a população e não amedontrá-la. Além disso, já está mais que claro que a instituição – ainda que se conte as raras exceções dos bons policiais – está falida como um todo.

Alguém ainda acha estranho quando vê um carro da PM do Rio passando com os quatro vidros abertos onde canos de fuzis e metralhadoras estão expostos por todos os lados, ou já acham que isso é mesmo normal? Onde já se viu tanta truculência, tanto medo de polícia, de estar perto de um, de sempre se perguntar: “será que esse cara é mesmo um deles ou só está com o uniforme?”.

Tenho vergonha da polícia que há no meu estado, entre outras coisas. Vergonha, revolta, medo, raiva, tenho muitos sentimentos sobre os absurdos que envolvem a PM-RJ e sobre os absurdos com os quais ela se envolve. É uma pena que os poucos bons policiais de lá não sejam capaz de difundir seu exemplo.

Thiago Mattos.

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terça-feira, dezembro 05, 2006

Tudo é passageiro

Quem pega ônibus no município do Rio de Janeiro tomou um susto nesta segunda-feira com o aumento de dez centavos no preço das passagens, mas pelo o que percebi – ao contrário do que aconteceu em São Paulo há uma semana atrás – pouca gente reclamou ou fez algum protesto, o que é bem normal para os passivos cariocas.

Há pouquíssimo tempo também, os preços das passagens do metrô do Rio aumentaram e a reação da população bestializada foi a mesma: nenhuma. Taí um bom motivo para o seqüestro de um ônibus, ahn?

O incremento das despesas no bolso dos trabalhadores e estudantes aumenta ainda mais, e essa máfia, que são as empresas de ônibus com suas concessões mal avaliadas, onera de forma obscena a parte mais fraca da nossa ridícula pirâmide social, que mal tem forças para lutar, dispersada pelas telenovelas e afins.

De qualquer forma, as coisas continuam como vão, aqui ou na Venezuela – onde o presidente Hugo Chávez venceu de forma esmagadora as eleições daquele país. A impressão que fica, ainda que as eleições venezuelanas interesse a pouca gente, é a de que salta aos olhos o descontentamento dos venezuelanos com a política neoliberal de antes, e que apesar de todos os defeitos do cara-que-peita-os-EUA, ele ainda é o cara que peita os EUA, ainda que isso seja feito com uma retórica falha, com direito a fusquinha vermelho e tudo.

De um lado, o ex-jogador de beisebol que sonhava em jogar na terra do diabo; de outro, o inimigo declarado de um regime cheio de inimigos. Seja como for, ficou claro que a população venezuelana ainda o quer no poder apesar dos pesares. No final das contas, para quê mudar – pensam alguns – se tudo é passageiro, menos motorista e cobrador?

Thiago Mattos.

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quarta-feira, outubro 18, 2006

O Rio de Janeiro continua lindo?

Eu sai do Rio de Janeiro, mas o Rio de Janeiro não sai de mim. Essa semana tive que apresentar um discurso sobre qualquer tema do meu interesse: escolhi a cidade do Rio de Janeiro.

Obviamente, comecei a falar das coisas pra gringo ver, do Cristo e do Carnaval, mas falei também dos nossos problemas sociais e da nossa riqueza cultural. As pessoas ficaram fascinadas tanto pela beleza natural quanto pelas histórias que contei da cidade, do jeito carioca de ser; eu fiquei morrendo de saudades.

Acho que poucos de nós, cariocas, sabem da nossa história e do valor que tem a nossa cidade. Como carioca, sempre que saio do Rio por muito tempo sofro de abstinência. Sinto falta da calçada de Copacabana, das esquinas da Lapa, sinto falta de odiar esse calor escaldante do centro da cidade, de reclamar dos motoristas de ônibus, de xingar os filhas-da-puta conterrâneos envolvidos nos escândalos políticos, de esbarrar nas pessoas apressadas e de me sentir parte ativa do lugar onde a atmosfera brasileira está em seu ponto máximo, brasileiríssima. Mas sentir falta nao basta, tem que participar.

Bem, vocês que estão no Rio têm muita sorte, mesmo que não percebam. Sorte por pisarem em solo abençoado, com tanta gente boa e tanta coisa legal pra fazer sem ter que gastar nada, sorte pela beleza ímpar que tem nossa cidade. Nós, cariocas, temos muita sorte por isso tudo mas, a falar pelas opções dos nossos candidatos a governador, putaquiupariu! Êta, azar da porra!

Vem cá, mas e se esse azar tiver uma ligação direta com a nossa falta de conhecimento do que se passa na nossa história? E se esse azar for apenas desleixo e falta de compromisso? Se não soubermos entender e dar valor ao que temos, como saberemos cuidar do que é nosso?

Thiago Mattos.

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sábado, maio 06, 2006

Legalize já

Sempre na primeira semana de maio, cerca de 200 cidades do mundo inteiro se organizam anualmente para promover a Global Marijuana March. Esse ano, o comitê da cidade do Rio de Janeiro resolveu inovar. Após concluir que apenas a reivindicação pela legalização da maconha em si não basta para encerrar a violência ligada ao tráfico de drogas, a Marcha pela Legalização das Drogas resolveu discutir também a legalização de outras drogas ilícitas como a cocaína, a heroína e o crack.

A manifestação que marchou pelo centro da cidade reuniu dezenas de corajosas pessoas – estudantes, profissionais liberais, militantes, ativistas e transeuntes entusiastas – chamando a atenção das pessoas que saíam do trabalho. Diferentemente do que se pensa, os organizadores – Movimento Nacional Pela Legalização das Drogas e a ONG Psicotropicus – não fizeram nenhuma apologia às drogas e tampouco houve o consumo de qualquer droga ilícita durante a passeata.

“Na nossa opinião, hoje a proibição das drogas é muito pior do que os efeitos nocivos das drogas em si”, declarou Renato Cinco, um dos organizadores da Marcha. Para ele, a política de proibição das drogas está falida e a violência (tanto a gerada pela disputa de pontos de vendas entre os traficantes, quanto a que envolve a repressão policial) é inerente à questão tal qual ela funciona. “Nós não estamos fazendo um movimento para estimular ninguém a usar drogas, mas para discutir com a sociedade uma outra abordagem do problema, uma abordagem que não traga a violência como conseqüência”, disse Cinco.

O tema levanta prós e contras e precisa ser entendido através de uma discussão ampla que supere os preconceitos. Segundo os organizadores da Marcha, a legalização das drogas acompanharia uma série de medidas paralelas, como a implementação de uma política de redução de danos dando assistência aos usuários dependentes. Precisaríamos de uma forte propaganda de esclarecimento e uma anti-propaganda ao consumo, tudo isso seria feito com o dinheiro que hoje é usado no combate às drogas e arrecadado com os impostos que elas proporcionariam.

A cidade do Rio de Janeiro, entretanto, apresenta uma realidade singular, diferente de qualquer outra cidade do mundo pela maneira como o tráfico de drogas opera. Com uma visão mais marxista podemos até perceber a luta de classes que sobe os morros e anda pelos becos das favelas cariocas seja na perseguição ao traficante, seja na criminalização do usuário. Assim, o discurso ideológico que vem se difundindo é o mesmo que justifica o uso da violência pelo Estado contra as populações mais pobres, que vivem nos morros.

A guerra cotidiana do tráfico no Rio de Janeiro criminalizou a pobreza e, desta forma, as favelas cariocas são tratadas como se fossem territórios inimigos. A polícia corrompida não mais protege; ela invade, ocupa e mata. O traficante, vítima do sistema que usa a droga como pano de fundo, é apenas um parafuso descartável de toda a engrenagem que movimenta grandes somas de dinheiro e poder. O usuário, jogado no mesmo caso de gatos, é achacado pelos mesmos policiais e culpado pelo seu prazer.

De qualquer forma, a discussão puxada pela Marcha não se encerra aqui. Precisamos trocar experiências, nos informar acerca dos interesses existentes por trás da política anti-drogas, entender o que e a quem o tráfico de drogas está sustentando e, antes de tudo, estarmos dispostos a reconsiderar nossa opinião. O tema é rico e a discussão é urgentemente válida.

Thiago Mattos.

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segunda-feira, abril 24, 2006

Depois dos feriados

Após duas semanas seguidas de feriado, o sangue d barata renova seu sangue verde e volta com entradas semanais. Como diz o Zé Simão, se o bom do feriado é que o país pára, o ruim é que quando acaba o feriado ele volta a andar... pra trás! Mas de qualquer forma, o mundo continua girando e as notícias acontecendo, tudo como sempre esteve.

As eleições na Itália (onde o candidato da oposição Romano Prodi derrotou numa disputa apertadíssima o dono da Itália, Silvio Berlusconi) e no Peru (onde haverá segundo turno) evidenciam a tendência cada vez mais polarizada entre dois candidatos que as disputas eleitorais vêm ganhando. Algum palpite do que acontecerá por aqui nas eleições de outubro?

Aqui no Brasil, por mais que os celulares estejam explodindo e muitos querendo mais é que o mundo se exploda, quem está prestes a explodir é a Varig (se é que já não o fez). A cia. aérea anunciou uma dívida acumulada de R$ 7 bilhões e teve o pedido de ajuda financeira negada pelo governo. Fica a pergunta: Como uma empresa que já foi líder do setor no Brasil, detém agora menos de 20% do mercado? É o mundo girando...

Saiu no Washington Post uma matéria sobre a ampliação do conceito de ‘guerra total’ pelos EUA, num plano militar recém aprovado pelo secretário de defesa norte-americano Donald Rumsfeld, que já está tendo a sua cabeça pedida por 6 generais reformados, diga-se de passagem. Entre os pontos principais do plano está a ampliação do raio de ação do país além dos atuais palcos de guerra. Detalhe: Entre os locais de destino da América Latina está incluído o Brasil. Fica outra pergunta: de onde sai tanto dinheiro que aumentou o orçamento da “guerra do terror” em 60% desde 2003? São as notícias acontecendo...

A última novidade é daqui mesmo da cidade do Rio de Janeiro, onde metrôs e trens começaram a pôr em prática nesta segunda-feira a lei estadual 4733/06, do deputado Jorge Picciani, que determina pelo menos um vagão destinado exclusivamente às mulheres; homem não entra. A lei tem um horário específico (de 2ª. a 6ª. entre 6h às 9h e entre 17h e 20h) e é no mínimo curiosa. Mas isso já é assunto pra outro dia.

Thiago Mattos.

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