segunda-feira, setembro 21, 2009

Se o mundo tivesse 100 pessoas ("100 people")



"100 people" é um vídeo que já ganhou diversos prêmios, dentre eles o International Advertising Festival em Cannes (2001).

A mensagem é profunda e faz as contas de quem e como vive neste mundo. Um minuto imperdível!

Thiago Mattos.

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terça-feira, setembro 08, 2009

Previsão do tempo (A gente merece este país)

Na volta do feriadão de 7 de Setembro, brasileiros de várias capitais do sul e do sudeste foram surpreendidos com o grande volume de chuva que toma das regiões.

Em Santa Catarina, quatro pessoas morreram em uma só madrugada; os prejuízos já atingem mais de 30 cidades no estado. Nos outros estados do sul, ventos acima de 100km/h também provocaram estragos.

Aqui em São Paulo, a situação é caótica. Praticamente não dá para sair de casa quando chove assim. Seja você pedestre ou motorista, certamente vai se arrepender de ter saído. Chove desde às 8h da manhã sem parar - 70% da chuva prevista para todo o mês de setembro.

Os rios Tietê e Pinheiros transbordaram e, além disso, foram registrados pelo menos 40 pontos de alagamento em toda a cidade. O conhecido e odiado trânsito paulista ficou ainda pior. Em decorrência do enorme volume de chuva, serviços de telefonia móvel e fixa deram pane.

Mas é apenas quando as chuvas caem que podemos ver como nossas grandes cidades são estruturadas para esse tipo de problemas. O lixo sobe, a água entope os bueiros, os carros ficam cobertos d'água, os trabalhadores enxarcados, finalmente a cidade que não pode parar é parada!

Aqui no Brasil, temos dinheiro para comprarmos submarinos, helicópteros e caças de guerra franceses (R$ 37,5 bilhões), temos a "dádiva" do pré-sal (valor ainda incalculável), vamos construir nosso trem-bala (estimado em R$34 bilhões)! Oba!

Pelo jeito, só não temos vergonha na cara. Ainda jogamos lixo na rua e também continuamos votando - dois péssimos hábitos, duas porcarias!

A previsão do tempo para os próximos anos: todos já sabemos: mau, muito mau!


Thiago Mattos.

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quarta-feira, agosto 12, 2009

Voce faz xixi no banho?



Se alguém ainda acha nojento, agora não tem mais jeito. Se você quer ser ecologicamente correto, não basta apenas abolir as sacolas plásticas da sua vida, fechar a porta da geladeira ou fazer coisas óbvias que todo mundo já está careca de saber. A onda agora é fazer xixi no banho.

A ideia da campanha da Fundação SOS Mata Atlântica é incentivar as pessoas a não desperdiçarem tanta água na descarga de um simples xixizinho. Fazendo xixi no banho, garantem eles, é possível economizar até 4.380 litros de água por ano.

Além de dar informações bacanas sobre ecologia, o site esclarece todas as dúvidas: "Xixi no banho não é nojento, nem transmite doenças - 95% do xixi é feito de água e os outros 5 % são ureia e sal".

"Apenas lembre-se de fazer o xixi logo no início do banho", lembra o site.

A moda tem tudo para pegar. E quem faz xixi está convidado!

Thiago Mattos.

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quinta-feira, novembro 20, 2008

Consciência brasileira

Há cinco anos comemoramos o Dia da Consciência Negra no Brasil. Contudo, o feriado que lembra a morte de Zumbi dos Palmares em 1695 e tenta levantar a auto-estima de um povo que tem sido paulatinamente desprezado, ainda é pouco levado a sério no país.

Muitos questionam a importância da data. Das 27 capitais, apenas São Paulo, Rio, Manaus, Cuiabá e Maceió instituíram feriado. No nordeste, onde a maioria da população é negra, apenas seis cidades fazem recesso. Na Bahia, estado onde há notadamente a maior população negra do país, o feriado só é reconhecido em um município: Itaparica. Em Salvador (78% de negros), os baianos trabalham.

A relação entre a pouca atenção dispensada à data e a falta de força e organização do movimento negro parece clara. Como parte integrante desta sociedade desorganizada por excelência como um todo, um movimento negro que imprima maior firmeza e seriedade na busca pelo reconhecimento de suas causas enfrentará uma óbvia rejeição.

Mas essa falta de organização brasileira – o que mais encanta e espanta no país – não pode servir de desculpa para o fracasso na busca pelas demandas do movimento. Ao contrário, exige soluções criativas e inteligentes. Como envolver um povo que nada parece levar a sério, como integrar e unir um povo essencialmente descompromissado?

Responder a essas questões parece ser o melhor caminho para entendermos o cerne da questão. Já que tudo acaba em festa ou pizza, talvez sejam esses os melhores caminhos para abrir os olhos de quem parece querer continuar cego – e feliz.

No final, cada um se entende com a sua consciência - ou com a falta dela.

Thiago Mattos.

Imagem: http://rasuralivre.blogspot.com/

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sexta-feira, novembro 14, 2008

Caixinha de boas idéias

Sacos Plasticos
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Uma caixinha de boas idéias por si só já é uma boa idéia. Para aqueles comprometidos com a melhora do mundo - trabaho infinito de formiguinha - aí vai um importante item dessa caixinha: acabarmos com nosso vício pelos sacos plásticos já!

O mais importante é sempre lembrarmos de levar conosco uma bolsa ou algo que o valha e, assim, na hora de empacotar as compras, podemos dar o exemplo e fazer com que essa moda pegue de uma vez. Pelo bem da economia e principalmente da natureza! É ou não é uma boa moda para ser copiada?

Thiago Mattos.

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segunda-feira, outubro 06, 2008

Pádua dá exemplo de insatisfação

Parece até que os eleitores da cidade de Santo Antônio de Pádua (RJ) leram a última postagem do blog, onde sugeri o voto nulo como um voto de protesto.

Mais de 50% dos eleitores da cidade do norte fluminense anularam o voto - fenômeno raríssimo! - e dos três candidatos a prefeito, dois deles não receberam um voto sequer - ao que tudo indica nem deles mesmos!

Parabéns aos eleitores de Pádua que deram uma lição bem dada nos políticos mostrando sua insatisfação de forma bem explícita nas urnas. Como seria bom se a moda pegasse, seria ou não seria?

Thiago Mattos.

Imagem: http://rasuralivre.blogspot.com/

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sábado, outubro 04, 2008

"O analfabeto político"

Eleições chegando. Momento propício para lembrarmos de Berthold Brecht. O dramaturgo e poeta alemão, infelizmente, continua atualíssimo com suas palavras contundentes e arrebatadoras sobre a vida político-social.

Seu teatro épico prestrou-se a integrar a arte e o povo. Sua visão de mundo era de uma sobriedade ímpar. Para nos inspirarmos neste momento eleitoral, um pouco de Brecht.

Com vocês, o pior analfabeto:

O Analfabeto Político
(Berthold Brecht)

O pior analfabeto
é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política,
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista, pilantra, corrupto
e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.


Eleições vêm e vão, mas enquanto não mudarmos a nós mesmos como cidadãos, pouco na vida social pode mudar. Afinal, falar de política numa nação de corruptos é o mesmo que escrever num país de analfabetos.

Thiago Mattos.

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terça-feira, setembro 09, 2008

Brasil: Retrato das Desigualdades

Num país que se enxerga livre de qualquer tipo de preconceitos, racismo ou sexismo, e, ainda por cima, se gaba por ser multirracial, pode soar chocante o estudo do Instituto Econômico de Pesquisa Aplicada (IPEA) publicado essa semana que diz que mulheres e negros ainda têm muita desvantagem comparados aos homens brancos. Chama-se Retrato das desigualdades de gênero e raça.

Entre os tantos dados, chamam a atenção principalmente o fato de que a renda média de uma mulher corresponde a dois terços da renda de um homem e - pasmem - a renda média dos negros corresponde a metade da de um branco.

O estudo do IPEA, apontando uma ínfima melhora ao longo dos anos, reconhece que essa melhora não provocou mudanças efetivas nas condições de vida entre mulheres e negros - maioria da populção brasileira. E lembra: "os negros trabalham mais durante mais tempo ao longo da vida, entrando mais cedo e saindo mais tarde do trabalho".

Como ficam a propaganda que exalta a mulata e o discurso de que somos um país multicolor, justo e igual? Quantos estudos mais serão necessários para que se implementem políticas públicas que reconheçam que a questão no Brasil não se reduz a apenas ser "pobre" ou "despreparado"? Parece às vezes que quanto mais sabemos, menos queremos saber.

Estranho... Estamos todos no mesmo Brasil?

Thiago Mattos.

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quarta-feira, julho 30, 2008

Tá tudo dominado!

O número é bem sugestivo. De acordo com um relatório confidencial da Subsecretaria de Inteligência (SSI) da Secretaria de Segurança do Rio, as milícias - quadrilhas chefiadas por policiais que dominam comunidades pobres, cobrando por "segurança", atualmente intimidando eleitores e candidatos - já estão em 171 localidades de dez cidades fluminenses, incluindo a capital. 171!

De acordo com O Estado de S. Paulo, o documento, enviado à CPI das Milícias da Assembléia, identifica 521 pessoas supostamente envolvidas, entre elas deputados, vereadores, policiais civis (18) e militares (156), integrantes do Corpo de Bombeiros (11), agentes penitenciários (3) e membros das Forças Armadas (3). Os demais são todos civis, entre os quais alguns ex-policiais.


A presença das milícias espalha-se por Magé, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belfort Roxo e Mesquita (Baixada Fluminense); Niterói e São Gonçalo (Região Metropolitana); Cabo Frio e Macaé (Região dos Lagos); e principalmente na capital (125 comunidades) - zonal norte e zona oeste.

Na zona oeste, estão em 94 bairros ou localidades (68,12%). Nessa região está a favela de Rio das Pedras - um dos primeiros locais a surgir milícias - e onde atua a chamada Liga da Justiça, grupo supostamente chefiado pelo deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM) e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães Filho (PMDB), o Jerominho.


Na zona norte, a milícia ocupou 31 locais (22,46%), e, curiosamente, um dos locais de maior expressão fica na região de Rocha Miranda, perto do 9º Batalhão da Polícia Militar.

É de se notar que uma parcela considerável de moradores apóiam as milícias. Eles realmente acreditam que suas favelas são melhores pois "não tem tráfico ou roubos" e "ninguém pisa na bola". Essas pessoas pagam a um Estado Paralelo por um serviço que depois de acordado não se pode mais reclamar. Cria-se um circulo vicioso e assim as milícias se espalham, usando o mesmo mecanismo que o tráfico, corrompendo e vendendo algo que não lhes pertence.

A lógica por trás das milícias merece ser discutida e entendida, não glamourizada na novela das oito. Alguém lembra de Juvenal Antena e da Portelinha? Pois é, aquilo não era a realidade! Favela customizada no Projac com os pobrezinhos bem vestidos, belos e malhados não dá para engolir.

Não adianta romantizar a pobreza ou enfeitar a violência. O problema é muito mais sério e o buraco é bem mais embaixo!


Thiago Mattos.

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quarta-feira, abril 23, 2008

Seria cômico se não fosse trágico (o metrô de SP)


A semelhança com a realidade paulistana não é mera coincidência. Por isso, não pude deixar de reproduzir aqui o vídeo acima com imagens do sufoco que é o metrô de Tokyo - onde os funcionários espremem o quanto podem as sardinhas enlatadas que são os passageiros.

Uma sutil diferença entretanto chama a atenção: a extensão do metrô de Tokyo quase chega aos 290km, enquanto o metrô de SP possui apenas pouco mais de 60km. Além disso, algumas linhas chegam a comportar 9 pessoas por metro quadrado em horários de pico - em São Paulo, é claro.

Fazendo a conta com o número de usuários (10 milhões de passageiros por km em SP; 8,3 milhões/km em Tokyo) em relação ao tamanho da malha de cada um, adivinha qual metrô é o mais apertado... Precisa responder?

Em São Paulo, os vagões incham na mesma medida em que crescem os engarrafamentos dos carros lá em cima, nas ruas da cidade. Sem falar do atraso e das brigas crescentes entre passageiros, que às vezes brigam pelo simples direito de pisar no chão.

Alguns chegam a culpar a parcela da população que passou a utilizar o metrô a partir do sistema de integração com os ônibus, permitido pelo Bilhete Único. Mas será que conseguir um bode expiatório resolve o problema sufocante? A quem vão culpar pelos terríveis engarrafamentos da cidade? Aos pobres coitados que passaram a poder comprar um carro?

Seria cômico se não fosse trágico, alguém diria. Mas assim é São Paulo.

Thiago Mattos.

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terça-feira, novembro 20, 2007

Viva Zumbi!

No dia em que se celebra a consciência negra no país, está sendo divulgado mais um estudo (dos pesquisadores Marcelo Paixão e Luiz Carvano) sobre a desigualdade racial brasileira analisada a partir do padrão de mortalidade. O estudo mostra, entre outras coisas, que a violência é a maior causa de mortes entre homens negros.

De 1999 a 2005, a taxa de assassinatos por 100 mil homens brancos caiu de 36 para 34 mortes. No mesmo período, a mesma taxa entre os homens negros aumentou de 52 para 61 por 100 mil. Uma melhoria dos índices entre os brancos e uma piora entre os negros é expressiva. Fica claro que a cor determina muito as chances de ser assassinado, quanto mais negro a pessoa for.

Sabemos que o racismo é um dos piores problemas da sociedade brasileira, e a tentativa constante de renegar esse assunto-tabu é uma das barreiras à sua superação. Uma sistemática exclusão dos negros é o argumento-chave para as medidas de inclusão serem postas em prática de uma vez por todas. Um debate neste sentido precisa envolver toda a sociedade.

A consciência negra precisa ser ampliada e reconhecida para que assim finalmente alcançemos a tão sonhada e mítica democracia racial. Precisamos dialogar, compreender e pôr em prática os caminhos para uma urgente igualdade racial. Não podemos mais rir das piadas racistas e preconceituosas, não podemos mais compactuar com a idiotice, nem sermos apáticos frente à estupidez que passa de geração a geração, no automático.

Olhemos para nós mesmos e nossa riqueza multicolorida, olhemos para o protagonismo essencial do negro em nossa história, para que assim possamos ver que não há mais porque ninguém ter vergonha de ser negro. Aí então, ninguém mais vai querer alisar o cabelo nem usar lentes azuis, e muito menos deixar passar em vão piadas racistas que fazem de idiota aos que ouvem e de estúpido quem a conta.

Viva Zumbi dos Palmares!

Thiago Mattos.

PS: Imagens de http://www.ribimbocadaparafuseta.blogspot.com/

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segunda-feira, outubro 08, 2007

Extrabrasileiros

O artigo publicado recentemente pelo apresentador de TV Luciano Huck na Folha de S. Paulo é desmoralizante, indigno e repugnante. Contudo, temos uma oportunidade ímpar de entender a cabeça de nossa elite financeira, que cisma em não olhar para onde vivemos – esse país estranho chamado Brasil.

O apresentador reclama por conta de um relógio que lhe fora roubado por “dois pobres coitados”, se diz revoltado e pede para chamar o Capitão Nascimento (o anti-herói do filme Tropa de Elite que executa sumariamente outros “pobres coitados” nas favelas).

Huck diz estar à procura de um salvador da pátria, alguém que lhe garanta proteção, cuide de sua propriedade e lhe tranqüilize ao andar com seu Rolex de sabe-se lá quantos zeros no país do faz de contas (já que paga uma fortuna de impostos).

Ao longo do seu texto, chamou-me a atenção em especial um termo usado por ele nesta frase: “Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de ‘extraterrestres’ fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?

A palavra ‘extraterrestres’ é pontual e explica muito a lógica deste sistema, onde os pobres (coitados ou não) são domesticados com a ajuda de estúpidos programas de TV, de modo a tornarem-se apáticos em relação à injusta distribuição da riqueza social no país, percebendo-a ainda como a ordem natural das coisas – como se fossem excluídos por acaso, e ninguém tivesse nada a ver com isso.

Extraterrestres. É exatamente assim como são vistos os “pobres coitados” que roubam, vendem mercadorias ilegais, CDs piratas, drogas e matam por nada. E, como se não fossem deste planeta, como se não pertencessem a este país, vagam pelas ruas em busca da sobrevivência, da existência social, por assim dizer.

São ignorados em todos os sentidos do termo e, a não ser quando percorrem as páginas policiais, praticamente não existem. Quando a realidade nos forca a vê-los, a encará-los, não os reconhecemos como compatriotas. Tudo é diferente: seu jeito de falar, de andar, de se comportar, de dançar e também seu jeito de roubar.

Não queremos vê-los ou entendê-los, queremos nos ver livres deles. São para nós equivalentes aos imigrantes ilegais dos EUA, com uma pequena diferença de sermos do mesmo país. Vá lá, são extrabrasileiros.

No fim de tudo, o cidadão que se diz humilhado ao ter um 38 na testa e quase morrer por causa de um relógio compartilha sua dor com outros tantos que são lembrados a toda hora que a realidade existe. Porém, não adianta tentar maquiá-la com projetos sociais ou tentar modificá-la com a pena de morte promovida pelo tal Capitão Nascimento. Essa não é a solução.

Nada funcionará se não mudarmos nossa maneira de enxergar a lama em que estamos e como nós mesmos a fazemos e a deixamos fazer. Nada mudará se não percebermos nossa maneira peculiar de enxergá-la, nosso distanciamento e nossos preconceitos. Nossa cegueira cega que não quer ver que não está vendo.

Vejam por si só, acreditem em mim: extrabrasileiros existem.

Thiago Mattos.

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domingo, fevereiro 11, 2007

Olho por olho, dente por dente

O que dizer da mais nova polêmica promovida pela grande mídia corporativista: a pena de morte. Que os bandidos responsáveis pela morte de uma criança inocente também devem ser mortos a fim de que tudo se resolva em paz? Que os facínoras não são mais humanos e, portanto, perderam seus direitos? E, por conseguinte, devem ser torturados e arrastados no mesmo trajeto para sentirem a mesma dor e pagarem o que fizeram?

Não há dúvida de que ninguém aceita a impunidade. Todos nós, chamados cidadãos de bem, queremos justiça, de um modo ou de outro. Mas até que ponto essa justiça com as próprias mãos resolve o problema? Seria mesmo esse o melhor exemplo a ser dado? Olho por olho e dente por dente, seria essa a justiça ideal?

Há muitas perguntas e sugestões do que deve ser feito. No entanto, para qualquer dessas possibilidades, pouco se entende do que se fala e, no sentido oposto, pouco se faz. É óbvio que uma pena de morte não institucionalizada já existe e é praticada no Brasil. Destina-se a um público alvo. Quem disse que nossa polícia não é boa? Quando o assunto é matar, ela é exemplar.

Mesmo que houvesse uma redução da maioridade penal e a imediata instalação da pena de morte (que sou veementemente contra, diga-se de passagem), me parece que de nada adiantaria se não fossem melhoradas as condições das prisões, da polícia, do Judiciário e de todo um tecido social que está carcomido por dentro.

Estamos todos desesperados por soluções imediatas, carentes de uma esperança de que tudo possa melhorar. A morte de um inocente em quaisquer circunstâncias gera comoção e revolta. Mas qualquer solução encontrada num momento como este, onde todos querem sentir o gosto de mais sangue derramado, não parece ser de bom-senso. Precisamos parar um pouco de reclamar e ir à reunião de condomínio. Isso para começar.

Thiago Mattos.

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domingo, janeiro 14, 2007

Alguém entende a política brasileira?

A iminente eleição que ronda o Congresso Nacional representa bem como nossos atuais políticos estão cada vez mais iguais entre si. Ambos os candidatos que disputam a presidência da Câmara em Brasília, o petista Arlindo Chinaglia (PT-SP) e o ex-comunista Aldo Rebelo (PCdoB – SP), defenderam abertamente o aumento dos subsídios dos parlamentares em troca de votos, recentemente. Ambos os candidatos são insípidos e insipientes; não há ali qualquer traço de uma política feita com algum propósito, senão a da manutenção de um certo grupo no poder. Que mal lhe perguntem a vocês que acompanham, mas alguém estranhou o apoio do PSDB a um candidato petista?

Cá entre nós, mesmo que toda essa politicagem mesquinha pensada em curto prazo e feita com a ideologia do fisiologismo tenha nascido antes do chamado “presidencialismo de coalizão” – nosso contemporâneo – suas raízes na atual política brasileira não param de crescer. Como então interromper esse ciclo de donos e mais donos do poder, que tão logo tomam posse não podem mais desgrudar de seus privilégios e confundem constantemente o público com o privado?

O interesse único e imediato dos partidos tem sido de longa data o mesmo: ocupar os espaços políticos, conseguir pastas e ministérios, nomeações e o que mais valha a sobrevivência política. Entender esse nosso complexo sistema de mil partidos – todos partidos por dentro – não é de forma alguma tarefa fácil. Leva tempo, paciência e dá desgosto quando se começa a entender.

De qualquer forma, podemos pensar que os políticos vêm do seio da sociedade (no nosso caso, da sociedade brasileira, onde também pertencemos); compartilham o mesmo sistema de valor que nós e, portanto, se há algo errado com eles, também devemos considerar que talvez haja algo de errado conosco e com esse imenso lugar chamado Brasil.

Até aqui, isso não é novidade para ninguém, qualquer criancinha sabe. Mas o que precisamos ter em mente é que, se por um lado os políticos brasileiros têm uma enorme responsabilidade na condução do destino do nosso país, por outro, nós cidadãos brasileiros – que não vamos sequer a eleição de síndico do prédio – também temos. Cabe agora a cada um de nós, ao invés de reclamarmos, pensarmos como.

Thiago Mattos.

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quarta-feira, outubro 18, 2006

O Rio de Janeiro continua lindo?

Eu sai do Rio de Janeiro, mas o Rio de Janeiro não sai de mim. Essa semana tive que apresentar um discurso sobre qualquer tema do meu interesse: escolhi a cidade do Rio de Janeiro.

Obviamente, comecei a falar das coisas pra gringo ver, do Cristo e do Carnaval, mas falei também dos nossos problemas sociais e da nossa riqueza cultural. As pessoas ficaram fascinadas tanto pela beleza natural quanto pelas histórias que contei da cidade, do jeito carioca de ser; eu fiquei morrendo de saudades.

Acho que poucos de nós, cariocas, sabem da nossa história e do valor que tem a nossa cidade. Como carioca, sempre que saio do Rio por muito tempo sofro de abstinência. Sinto falta da calçada de Copacabana, das esquinas da Lapa, sinto falta de odiar esse calor escaldante do centro da cidade, de reclamar dos motoristas de ônibus, de xingar os filhas-da-puta conterrâneos envolvidos nos escândalos políticos, de esbarrar nas pessoas apressadas e de me sentir parte ativa do lugar onde a atmosfera brasileira está em seu ponto máximo, brasileiríssima. Mas sentir falta nao basta, tem que participar.

Bem, vocês que estão no Rio têm muita sorte, mesmo que não percebam. Sorte por pisarem em solo abençoado, com tanta gente boa e tanta coisa legal pra fazer sem ter que gastar nada, sorte pela beleza ímpar que tem nossa cidade. Nós, cariocas, temos muita sorte por isso tudo mas, a falar pelas opções dos nossos candidatos a governador, putaquiupariu! Êta, azar da porra!

Vem cá, mas e se esse azar tiver uma ligação direta com a nossa falta de conhecimento do que se passa na nossa história? E se esse azar for apenas desleixo e falta de compromisso? Se não soubermos entender e dar valor ao que temos, como saberemos cuidar do que é nosso?

Thiago Mattos.

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sexta-feira, abril 07, 2006

'Alegria de palhaço é ver o circo pegando fogo'


Pois bem. Morreu o saudoso palhaço brasileiro Carequinha, o primeiro que veio pra carimbar a nossa condição de povo circense, e a sua morte não poderia vir em melhor hora para marcar no tempo a era da palhaçada que o país está atravessando (há muito tempo, diga-se de passagem).

Um assaltante é morto com três tiros na cabeça em plena Avenida Nossa Senhora de Copacabana às 6 da tarde, após uma perseguição cinematográfica pelas ruas do bairro por policiais depois de roubar um apartamento e ninguém acredita na letalidade da nossa policia, novamente confirmada, que não respeita o direto à vida e atira para matar. Enquanto isso, a gente assiste a tudo quieto sem reclamar, sorrindo aliviados com a morte de menos um bandido no mundo.

Deputados estão sendo absolvidos sucessivamente, mesmo após confessarem que receberam dinheiro ilegal, a classe política sendo ridicularizada e o povo dando risada, dizendo que se estivessem lá em Brasília roubariam também. Os presidenciáveis sendo engolidos na areia movediça que criaram, tergiversando desculpas e todo mundo dando gargalhada. Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor!

A verdade é que ninguém está nem aí. Exemplo simples e próximo: quando eu escrevo aqui neste blog expondo as besteiras do orkut, todos se inflamam e se manifestam. Entretanto, se aqui neste mesmo espaço proponho a discussão de temas mais políticos, por assim dizer, só 2 ou 3 pessoas deixam comentários. Se falasse sobre quem vai comer quem na novela talvez houvesse uma participação ainda maior dos meus leitores. Hoje tem goiabada? Tem, sim senhor!

De qualquer forma, agora que nosso ícone da palhaçada se foi, só precisamos nos olhar no espelho para rir da nossa própria condição burlesca de povo bestializado e besta. O circo está pegando fogo mas, de tanta gargalhada, o povo não percebe que está morrendo queimado.

Thiago Mattos

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sexta-feira, março 24, 2006

Você está aqui

É isso aí! A história está acontecendo. Daqui a um tempo, tudo isso estará nos livros de história e na boca do povo. Diremos coisas como “No meu tempo, eu entrava por trás no ônibus” ou “Eu sou do tempo que o PT era vermelho”. Mas a história acontece sem pedir licença e só nos resta escolhermos que papel ocuparemos nisso tudo.

Se você estivesse agora em Paris, onde estão tacando fogo na cidade e
os estudantes não param de protestar contra a lei do primeiro emprego, de que lado você estaria? Se estivesse no Iraque, onde os atentados já viraram rotina e a próxima vítima pode ser você, o que você estaria fazendo? Se sua sorte te pusesse nos desunidos Estados Unidos, o que você estaria comprando?

Podemos pensar em um monte de exemplos e muitos diriam: “Eu não queria estar preso em
Guantánamo” ou “Eu não queria ser uma mulher afegã”, mas essas coisas a gente não escolhe. Nos é dado uma realidade e dali pra frente é com a gente mesmo.

Acontece que somos brasileiros. Alguns de nós estamos asfixiados nas favelas, outros escandalizados no Congresso, outros vestidos pretenciosamente em seus paletós, outros fazendo blogs. Mas muitos não sabem onde estão!

Precisamos nos encontrar enquanto a história acontece para podermos decidir onde estaremos quando ela for contada: partes ativas e determinantes da nossa própria realidade ou apenas mansos espectadores perdidos.

Thiago Mattos.

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