A covardia só muda de sotaque
A notícia de que cinco jovens moradores de condomínios de luxo na Barra da Tijuca espancaram covardemente uma empregada doméstica e roubaram sua bolsa na madrugada de sábado revela um triste lado de nosso país, evidenciado especialmente nas grandes cidades.Esse comportamento sádico dos agressores estudantes de turismo, administração, gastronomia, informática e direito, que justificam tamanha barbaridade dizendo que confundiram a vítima com uma prostituta – pasmem! – apenas reflete a maneira como nossas elites em geral tratam nossos pobres: com a mais pura e sincera humilhação, com vontade de matar.
Os cinco fortes jovenzinhos da Barra da Tijuca, que demonstraram o estrago que fazem juntos em uma só mulher, em nada diferem dos que atearam fogo a um índio pataxó há 10 anos atrás em Brasília. Ou dos falsos punks que mataram um garçom a facadas também nesse último final de semana em São Paulo. Todos são privilegiados financeiramente em relação à realidade da maioria das famílias brasileiras e nenhum deles têm qualquer noção de ética, bondade ou respeito. A corvadia só muda de sotaque.
Estão sendo formados pelos seus pais para serem esse tipo de gente mesmo, sem qualquer compromisso ou consciência social. Daqui a alguns anos, muitos se tornarão diretores de importantes empresas, respeitáveis advogados, executivos que estarão à frente de funções que lhe garantam suficiente poder para dar continuidade ao mesmo projeto de vida que mantém nosso país como é: desigual e injusto, seletivamente cruel e bárbaro, de modo que a política de extermínio aos pobres continue vagarosa e imperceptivelmente.
Assim os poderosos conservam seu poder e assim tem sido há 500 anos. Não sabemos quanto tempo os jovens-de-comportamento-desviante ficarão presos, nem tampouco se ficarão. A impunidade é um privilégio para poucos nesse país. E é claro que tudo seria bem diferente se fossem “favelados” agredindo uma empresária. De qualquer forma, tentemos vislumbrar uma esperança nisso tudo.
Temos a sorte de podermos contar cada vez mais com gente disposta a fazer justiça como o taxista que anotou a placa do carro dos jovens agressores, ato heróico de um anônimo. Talvez nem tudo esteja perdido, ainda que o futuro da nação esteja nas mãos dessa juventude doentia e ignorante – reflexo piorado de todas as gerações anteriores.
Thiago Mattos.
Marcadores: brasil, comportamento, maioridade penal, violência


