terça-feira, setembro 08, 2009

Previsão do tempo (A gente merece este país)

Na volta do feriadão de 7 de Setembro, brasileiros de várias capitais do sul e do sudeste foram surpreendidos com o grande volume de chuva que toma das regiões.

Em Santa Catarina, quatro pessoas morreram em uma só madrugada; os prejuízos já atingem mais de 30 cidades no estado. Nos outros estados do sul, ventos acima de 100km/h também provocaram estragos.

Aqui em São Paulo, a situação é caótica. Praticamente não dá para sair de casa quando chove assim. Seja você pedestre ou motorista, certamente vai se arrepender de ter saído. Chove desde às 8h da manhã sem parar - 70% da chuva prevista para todo o mês de setembro.

Os rios Tietê e Pinheiros transbordaram e, além disso, foram registrados pelo menos 40 pontos de alagamento em toda a cidade. O conhecido e odiado trânsito paulista ficou ainda pior. Em decorrência do enorme volume de chuva, serviços de telefonia móvel e fixa deram pane.

Mas é apenas quando as chuvas caem que podemos ver como nossas grandes cidades são estruturadas para esse tipo de problemas. O lixo sobe, a água entope os bueiros, os carros ficam cobertos d'água, os trabalhadores enxarcados, finalmente a cidade que não pode parar é parada!

Aqui no Brasil, temos dinheiro para comprarmos submarinos, helicópteros e caças de guerra franceses (R$ 37,5 bilhões), temos a "dádiva" do pré-sal (valor ainda incalculável), vamos construir nosso trem-bala (estimado em R$34 bilhões)! Oba!

Pelo jeito, só não temos vergonha na cara. Ainda jogamos lixo na rua e também continuamos votando - dois péssimos hábitos, duas porcarias!

A previsão do tempo para os próximos anos: todos já sabemos: mau, muito mau!


Thiago Mattos.

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terça-feira, julho 14, 2009

Liberté, Égalité, Fraternité

O dia 14 de Julho é comemorado na França como um dos mais importantes feriados nacionais, celebrando a queda da Bastilha (prisão símbolo do absolutismo da época) em 1789. A data marcou o início da Revolução Francesa e trouxe os ideiais da nova nação que ali surgia: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Hoje quem visita Paris a procura da famosa prisão encontra uma estação de metrô batizada com o mesmo nome e uma praça com um monumento em forma de um enorme pilar com um anjo dourado no topo. E só.

É certo que por onde se ande em Paris, respira-se história, mas a pergunta é inevitável: o quanto da Revolução Francesa, de tudo o que ela representou, realmente vingou?

O quanto da liberdade, da igualdade e da fraternidade ainda há na França de hoje?


O desfile militar no Champs Elysée, os fogos de artifício, as crianças plantando uma árvore e os amigos se reunindo para comer e celebrar, tudo isso é feito para relembrar a todos a importância da Revolução e das lutas para a formação da identidade nacional tal qual ela é hoje, mas o que ficou disso tudo quando olhamos para a realidade em que hoje se encontra o país?

A identidade francesa hoje está em conflito, os problemas já são outros. Um bom filme lançado recentemente aborda a questão das diferenças étnicas, culturais e sociais que hoje vive o país. Entre Les Murs (Entre os Muros da Escola, em português) vale a pena ser visto.

A colcha de retalhos que atualmente é a França compõe-se de uma diversidade de povos e cultura muitas vezes em choque e num impasse. De qualquer forma, o país é um laboratório social vivo, fascinante e cheio de história. Seja lá o que ficou da Revolução, embora o que se veja hoje pareça ainda distante, vale a pena lembrar do significado do sonho de homens livres, iguais e fraternos.

Thiago Mattos.

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quarta-feira, maio 28, 2008

Vai parar?

A nova campanha do Ministério da Saúde traz uma questão interessante: as imagens chocantes impressas nos maços de cigarro conseguem, afinal, atingir seus objetivos? Alguém realmente deixa de fumar de tanto ver fetos podres, pulmões estragados, cabeças abertas ensangüentadas, etc. etc. etc? Não tenho tanta certeza.

Os fumantes (de maneira geral) sabem dos riscos do cigarro à saúde, mas as informações sobre tais malefícios não fazem (por si só) alguém parar de fumar.

Todos já sabem que “este produto contém mais de 4.700 substâncias tóxicas” mas o vício e o prazer de fumar acabam falando mais alto.

Então qual é o verdadeiro impacto causado pelas referências ao aborto espontâneo, derrame, envelhecimento precoce, impotência sexual (entre outros problemas)? Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que as fortes imagens, se não fazem as pessoas largarem imediatamente o vício, ao menos as fazem repensar.

De qualquer forma, a nova campanha está aí, amparada por números e números.

200 mil pessoas morrem por ano no Brasil em decorrência de doenças associadas ao tabaco - o que gera uma despesa de R$ 400 milhões por ano somente em atendimento médico. O Brasil tem cerca de 23 milhões de fumantes. Faça você mesmo as contas.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defende ainda a taxação dos cigarros, já que o preço no Brasil é um dos mais baixos no mundo. Para se ter uma idéia, um maço de cigarros na França custa em média € 5 (quase R$ 15). Além disso, uma medida ainda sem data para ser votada no Congresso quer proibir o fumo em ambientes fechados.

Mas fica a pergunta que não quer calar: se não informação, fortes imagens ou o que mais vier para esclarecer e alertar os malefícios do cigarro, o que realmente é preciso para parar?

Thiago Mattos.

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segunda-feira, maio 07, 2007

E daqui a cinco anos?

O povo francês escolheu seu novo presidente. Com 53% dos votos, o conservador Nicolas Sarkozy derrotou a socialista Ségolène Royal, que chegou aos 47%. Diferentemente do que acontece no Brasil, o voto na França não é obrigatório. Mesmo assim, o país registrou o maior índice de participação nas urnas em 20 anos – cerca de 85% dos franceses votaram.

As notícias publicadas sobre a vitória de Sarko – como o chamam seus entusiastas – vão de especulações de cenários mais caóticos sobre o incerto futuro francês às possibilidades mais férteis de uma mudança para melhor no país. Em muitos casos, as informações parecem chegar poluídas, dependendo de quem as escreve.

Acompanhei os debates, a votação e a cobertura internacional da eleição. Logo após o fechamento das urnas, saiu o resultado parcial dos votos – que é super-rápido na França. Ségolène Royal prontamente reconheceu sua derrota, dizendo que “o sufrágio universal se expressou” – os socialistas estão longe do Palais de l’Elysées desde 1995, último ano de François Mitterrand no poder.

Minutos depois, Sarkozy faria seu discurso de vitória tentando ser conciliador e causando surpresa entre os que o ouviam. Mostrando respeito pelas as idéias de sua rival socialista, disse que seria o presidente de todos os franceses. Também mandou um recado aos “amigos americanos”, lembrando da amizade entre os dois países: “amizade é aceitar que seus amigos podem pensar diferente” – frase que deixa dúvidas quanto a tão propagada admiração de Sarkozy pela política de George W. Bush.

Sarkozy ainda lançou um apelo ecológico ao seu amigo que fala inglês: “uma grande nação como os EUA tem a responsabilidade de não fazer obstáculo na luta contra o aquecimento global mas, ao contrário, assumir essa luta pois o que está em risco é o destino da humanidade”.

Claro que sabemos que uma coisa são as palavras do discurso, outra será a prática. Teme-se que as promessas do conservador custarão muitos direitos sociais do povo francês. Sarkozy venceu dizendo que vai trazer a França de volta ao trabalho.

Dentre os pontos do seu programa de governo, destacam-se a flexibilização da carga máxima de 35 horas semanais de trabalho, a diminuição de impostos sobre as horas extras e a criação de um Ministério da Imigração que enfrentará com uma postura mais rígida os imigrantes ilegais no país.

Filho de um imigrante húngaro, Sarkozy chamou de racaille (algo como ‘gentalha’) os jovens filhos de imigrantes das periferias envolvidos nos protestos, causando ainda mais revolta entre eles. Na mesma noite em que saiu o resultado das eleições francesas, 367 carros foram queimados e 270 pessoas foram presas após enfrentamento com policiais. Os violentos protestos tomaram conta da Place de la Bastille em Paris e de outras cidades como Lyon, Toulouse e Marseille. A truculência policial não é exclusividade brasileira.

Com quase metade do eleitorado insatisfeito, os desafios de Sarkozy à frente da sexta maior economia industrial serão muitos. Unir a França é apenas um deles. O desemprego no país chega a 10% e já em Junho terá de enfrentar as eleições legislativas. Além disso, precisará de muito manejo político para lidar com a situação do refém francês nas mãos do Talibã e as conseqüências do veto a Turquia na União Européia.

Fica agora a curiosidade de saber como será a França nos próximos cinco anos.

Thiago Mattos.

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