quinta-feira, outubro 16, 2008

Manchetes brasileiras

Na primeira página do UOL: "Policiais civis entram em confronto com policiais militares em SP".

No Globo Online: (Após libertar refém) "Rapaz blefa com a polícia e volta a fazer duas reféns em Santo André".

Primeira página do Jornal da Tarde, de SP: "Justiça passa fax para local errado e PF solta líder do PCC".

A quem estamos entregues?

Chamem o ladrão!

Thiago Mattos.

PS: Imagem: http://rasuralivre.blogspot.com/

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terça-feira, agosto 19, 2008

E você acredita em quê?

Os curiosos números das estatísticas mais uma vez estão aí: mais da metade (56,1%) da população que vive na região metropolitana do Rio não confia na Polícia Militar (PM), segundo a Pesquisa de Condições de Vida e Vitimização feita pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

O mesmo estudo diz que 36% confiam em parte e 6,9% confiam totalmente, acredita? 6,9% é um número considerável, tendo em mente que representa uma parcela superior à quantidade de mães, esposas e familiares dos policiais!

Resta saber agora onde estão esses que
ainda acreditam em alguma coisa e encomendar outra pesquisa com o mesmo recorte.

Sugestões para perguntas:

Você que ainda acredita na PM, também acredita:
- No Papai Noel?
- No Coelhinho da Páscoa?
- No Presidente Bush?
- Nas boas intenções do seu candidato esse ano?
- Na potência olímpica eternamente injustiçada que é o Brasil?

Isso é que seria uma pesquisa bem feita!

Thiago Mattos.

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terça-feira, julho 08, 2008

Somos ridículos


Não há palavras que descrevam a (vergonhososa? desastrosa? assassina?)
atuação da Polícia Militar do Rio de Janeiro que terminou na morte de mais uma criança neste último Domingo, dia 6 de Julho, a 50 metros do prédio onde morava, durante uma perseguição de policiais a bandidos na zona norte da cidade.

Desta vez a vítima foi um menino de 4 anos incompletos, João Roberto Amorim Soares. Mas a pior notícia infelizmente nem é essa. Aí vai: do que jeito que vão as coisas, infelizmente não foi a última.

Quantos inocentes ainda precisam morrer para que tomem vergonha na cara quem têm poder para fazer as mudanças necessárias e que se façam, para que realmente levem a sério os problemas estruturais pelos quais passam nossa sociedade, dentre os quais figura entre os primeiros a violência policial, para que nós também ponhamos a mão na massa?

Compartilho a revolta que se abate neste momento sobre a nossa sociedade em cacos, falida, maquilada por números e dados que mal escondem o cotidiano de tragédias diárias por miséria, doenças, fome e assassinatos. Mas sentir revolta e não transformá-la em algo de útil é apenas balela.

Entregues a loucos, não temos nem ao menos o poder de nos organizarmos - também nem queremos ter, desde que haja alguém que nos diga o que fazer e nos governe. Somos dependentes e viciados num sistema corrupto e corruptível. Somos passivos, bobos, alegres e ainda cantamos: "tô nem aí". Somos ridículos.

Thiago Mattos.

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

"Chame o ladrão"

A piada com as fotos dos policiais cariocas tiradas com turistas estrangeiras em poses de simulação de prisão e violência não teve a menor graça – a não ser para os turistas que riram de nós. A quase inexistente credibilidade que gozava a instituição da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM-RJ) já devia ter atingido a escala negativa há muito tempo. Mas tudo de ruim que o histórico policial guarda, de um modo ou de outro, sempre tenta se superar.

Não bastasse tudo o que certos policiais militares daqui vem aprontando – participação em chacinas, corrupção ativa e passiva, envolvimento com o tráfico, conivência com jogos ilegais, entre muitíssimos outros maus exemplos de como não se deve agir – agora vem mais essa. Fotos lamentáveis de policiais que não valem o colete que usam nem as balas que carregam.

Certamente, não podemos julgar todos os membros da instituição como corruptos, assassinos e facínoras. Obviamente, sabemos das suas dificuldades no trabalho, da pouca remuneração, disso tudo e muito mais. Mas o fato é que nenhum dos argumentos justifica o comportamento desse tipo de agente que deveria proteger a população e não amedontrá-la. Além disso, já está mais que claro que a instituição – ainda que se conte as raras exceções dos bons policiais – está falida como um todo.

Alguém ainda acha estranho quando vê um carro da PM do Rio passando com os quatro vidros abertos onde canos de fuzis e metralhadoras estão expostos por todos os lados, ou já acham que isso é mesmo normal? Onde já se viu tanta truculência, tanto medo de polícia, de estar perto de um, de sempre se perguntar: “será que esse cara é mesmo um deles ou só está com o uniforme?”.

Tenho vergonha da polícia que há no meu estado, entre outras coisas. Vergonha, revolta, medo, raiva, tenho muitos sentimentos sobre os absurdos que envolvem a PM-RJ e sobre os absurdos com os quais ela se envolve. É uma pena que os poucos bons policiais de lá não sejam capaz de difundir seu exemplo.

Thiago Mattos.

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sexta-feira, abril 07, 2006

'Alegria de palhaço é ver o circo pegando fogo'


Pois bem. Morreu o saudoso palhaço brasileiro Carequinha, o primeiro que veio pra carimbar a nossa condição de povo circense, e a sua morte não poderia vir em melhor hora para marcar no tempo a era da palhaçada que o país está atravessando (há muito tempo, diga-se de passagem).

Um assaltante é morto com três tiros na cabeça em plena Avenida Nossa Senhora de Copacabana às 6 da tarde, após uma perseguição cinematográfica pelas ruas do bairro por policiais depois de roubar um apartamento e ninguém acredita na letalidade da nossa policia, novamente confirmada, que não respeita o direto à vida e atira para matar. Enquanto isso, a gente assiste a tudo quieto sem reclamar, sorrindo aliviados com a morte de menos um bandido no mundo.

Deputados estão sendo absolvidos sucessivamente, mesmo após confessarem que receberam dinheiro ilegal, a classe política sendo ridicularizada e o povo dando risada, dizendo que se estivessem lá em Brasília roubariam também. Os presidenciáveis sendo engolidos na areia movediça que criaram, tergiversando desculpas e todo mundo dando gargalhada. Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor!

A verdade é que ninguém está nem aí. Exemplo simples e próximo: quando eu escrevo aqui neste blog expondo as besteiras do orkut, todos se inflamam e se manifestam. Entretanto, se aqui neste mesmo espaço proponho a discussão de temas mais políticos, por assim dizer, só 2 ou 3 pessoas deixam comentários. Se falasse sobre quem vai comer quem na novela talvez houvesse uma participação ainda maior dos meus leitores. Hoje tem goiabada? Tem, sim senhor!

De qualquer forma, agora que nosso ícone da palhaçada se foi, só precisamos nos olhar no espelho para rir da nossa própria condição burlesca de povo bestializado e besta. O circo está pegando fogo mas, de tanta gargalhada, o povo não percebe que está morrendo queimado.

Thiago Mattos

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