Os 200 anos que mudaram o mundo
Do site http://www.gapminder.org
Thiago Mattos
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ESSE É O SANGUE BOM!
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Pelo que já se mostra esse finalzinho de ano, 2010 será um ano bem diferente e inesperado. Diante de tantos novos desafios, resolvi me render a duas tecnologias pelas quais guardava uma certo receio: twitter e facebook. Minha pergunta central sempre foi: Há realmente tanto para se dizer?Marcadores: facebook, internet, tecnologia, twitter
Por mais que queiramos o contrário, a questão racial - a discriminação e o preconceito - insite em ser uma polêmica atual. Um episódio recente nos lembra o quanto o assunto ainda rende.
Quando chegou à Polônia, a mesma imagem havia sido alterada de modo simplório, removendo apenas o rosto do negro (deixando seu corpo na mesma postura) e o substituindo pelo rosto de um branco. A colagem é clara e não deixa mentir.
Muitas têm sido as manifestações de quem não vê ali qualquer sinal de racismo, mas apenas uma adaptação à realidade polonesa. Seguindo esse raciocínio, não seria de bom gosto mostrar etnias diferentes das que compõem o lugar de destino de uma propaganda. Assim, apenas judeus barbudos devem estar nos anúncios que vão para Israel, somente mulheres de burka na publicidade islâmica, só orientais nas propagandas da Ásia e apenas negros podem ser vistos na África.
Isso seria praticamente uma versão globalizada do apartheid, onde os diversos povos deste planeta não comprariam um produto representado por um "estranho", ou seja, alguém que não represente os padrões de beleza exigido pelos países globalizadores.
O tempo inteiro somos bombardeados por um repertório de anúncios que não necessariamente se encaixam em nossa realidade. A globalização, quando é feita no sentido contrário parece incomodar. Assistimos à reality shows, ouvimos música americana e comemos hambúgueres, queremos bolsas italianas e perfumes franceses, compramos tecnologia japonesa... e tudo isso sem reclamar!Marcadores: anúncios, globalização, microsoft, polônia, propaganda, racismo, tecnologia
Genial! Não há melhor palavra para definir a louvável iniciativa da banda inglesa Radiohead, que a partir de hoje disponibiliza para download seu novo álbum In Rainbows pela quantia de £quanto-você-quiser-pagar. Isso mesmo, quanto você quiser!A sacada da banda deixou de cabelo em pé os executivos da indústria musical, até porque iniciativas como esta já haviam sido tomadas por outras bandas como The Charlatans, e ao que tudo indica será mesmo o destino de outras tantas, como Oasis e Jamiroquai.
A empreitada “aventureira” não tem nada de ingênua e tem tudo para dar certo. Ao que tudo indica, o Radiohead faturará ainda mais do que se ainda estivesse atrelado às garras gananciosas de uma grande gravadora – somente a pré-publicidade em torno do lançamento já foi capaz de lhes gerar uma pequena fortuna.
Eu mesmo já comprei meu álbum, não tanto pela música (que poderia conseguir de graça numa questão de horas), mas principalmente pela oportunidade de participar e aplaudir esta iniciativa histórica.
Quem acompanha os rumos da indústria musical sabe que não dá mais para jogar o mesmo jogo com as regras antigas. O mundo está mudando e a indústria também precisa mudar, ou não sobreviverá – a constante queda na venda de CDs não deixa dúvidas.
Pôr a culpa na pirataria então, nem se fala. Não dá mais para engolir essa hipocrisia. Quando não existia Internet já podíamos gravar nossas músicas preferidas em fitas cassetes, seja de um LP emprestado ou diretamente da rádio, e isso não era considerado pirataria nenhuma. O que acontece hoje é a mesma coisa, só que numa escala infinitamente maior e com uma qualidade extremamente superior.
Ter a possibilidade de acessar a uma nova informação, descobrir uma banda de um lugar que nunca se poderia imaginar que existe, tudo isso sem sair de casa é ou não é o máximo? Por que não abraçar isso?
Quem escreve isso é uma pessoa que ama música, respira música, faz música e musica música. Também quando tiver minhas músicas gravadas vou permitir que façam cópias, que a divulguem, que a espalhem como um vírus, porque sei que isso, apesar de não ser do interesse das grandes gravadoras, é bom para o artista. Há mais coisas envolvidas neste jogo; principalmente quando há uma corporação que morde boa parte da quantia que o artista deveria receber.
Quem compra uma música não compra o som, nem o material físico; mais que isso, compra uma idéia. E a idéia não fica velha, não desbota nem arranha. A idéia não tem preço: está por toda a obra e é indivisível, ou você compra aquela idéia ou não – e muitas vezes as idéias não cobram nada por isso.
Boas idéias, é disso o que precisamos.
Thiago Mattos.
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Depois veio o imeiu. “Cara, você não tem e-mail? Ta por fora, hein!” Era o que me diziam (familiar isso?), então tinha que arrumar o tal. Ninguém mais me escrevia cartas, (e olha que eu recebia cada carta de dar inveja a locutor de programa de rádio AM). Assim, eu também fui parando de escrevê-las, de tanto que era bombardeado pela propaganda do imeiu.
Agora, esse negócio de orkut, francamente hein... Imagina só: uma vitrine virtual exibindo quem você é, do que você gosta, do que você não gosta, do que você – além de não gostar – odeia, quem são seus amigos, seus inimigos, onde você vai, se você bebe, se você fuma, se você cheira, putaquiupariu! Sai pra lá! Que que é isso, minha gente? Todos querem os seus 15 minutos de fama, todos querem ser importantes e mostrarem como são únicos, como são especiais por gostarem de música gótica espanhola, lerem Fitzgerald e comerem rúcula. Que carência é essa?
“Viu o que ele escreveu pra mim, Gertrudes?”
“Menina, se a Zilcreide ler aquilo tu tá fritinha da silva”
Essa alienação voluntária no maravilhoso mundo do controle social camufla um estilo de vida servil à uma idéia que não é nossa, compramos gato por lebre sem percebermos ou nos questionarmos o que tem por trás disso, sem essa de teoria da conspiração mas toda essa exacerbação da imagem e da individualidade não faz ninguém especial. Ao contrário, somos só mais uma ovelha no meio de um rebanho subjugado, dominado e cego. O problema é que com todo esse glamour anestésico fica difícil qualquer acorrentado se libertar da confortável caverna de Platão.
Thiago Mattos
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