sexta-feira, abril 23, 2010

Brasil, mostra a tua cara

Chamou pouquíssima atenção essa semana o lançamento de uma ferramenta do Google que revela todos os países que já pediram a retirada de algum conteúdo ou informações sobre usuários da internet. E menos atenção ainda o fato de que o Brasil lidera a lista (alguns países problemáticos, como a China, não aparecem na contagem).

Foram 3.663 pedidos de informação e 291 solicitações de remoção de conteúdo vindos do Brasil, de acordo com a gigante da internet. A Google diz ainda que 82,5% das 291 solicitações de remoção de conteúdo que partiram do Brasil foram parcial ou totalmente atendidas.

Se por um lado, autoridades da Alemanha, Canadá, França e outros sete países já levantam questões com relação ao modo como o Google lida com a privacidade, por outro é bom que o acesso a dados públicos estajam disponíveis a todos.

E é bom que todos - inclusive governos e empresas - saibam a diferença entre um e outro.

Thiago Mattos

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terça-feira, abril 06, 2010

Japan: A Strange Country


Japan: The Strange Country ainda não tem uma legenda em inglês mas fica a dica para esse precioso vídeo que encontrei, do designer Kenichi Tanaka.


O vídeo nos apresenta curiosidades sobre um dos paises mais ricos do mundo e nos conta detalhes de hábitos culturais e suas consequências.

Por exemplo, como os japoneses tratam o desperdício de comida e de onde vêm tantos palitinhos de sushi? Aliás, por que o atum já está sendo considerado um animal em extinção? E o que acontece com a importação de toda a água potável consumida por lá?


As questões não param por aí. O vídeo também aborda temas como anorexia, futilidade e suicídio. Imperdível para quem entende inglês. Aliás, para quem não entende também.

Thiago Mattos

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quarta-feira, janeiro 27, 2010

A batalha pela livre circulação do conhecimento

Na última segunda-feira (25), o editor-chefe do jornal britânico The Guardian, Alan Rusbridger, deu uma resposta à altura para a campanha ferrenha do bilionário Rupert Murdoch de introduzir formas de cobrança nos sites de notícia.

Segundo Rusbridger, a cobrança universal pelo conteúdo desses sites acabaria por tirar a indústria jornalística da revolução digital que está permitindo, como nunca, o engajamento entre os leitores e os jornais. Ele defende um diferente modelo de negócio, que leve em conta um acesso majoritariamente grátis, onde haveria cobranças apenas em alguns casos – como conteúdos especiais, por exemplo.

Numa outra ponta da discussão está Murdoch e seu império da comunicação, que inclui, entre outros, The Wall Street Journal e The Times. Murdoch já anunciou para ainda este ano a cobrança nas versões online dos dois jornais anteriormente citados. Seu maior argumento é que “jornalismo de qualidade não é barato”. Ao que Rusbridger, o defensor das notícias grátis, responde lembrando o corte no preço dos jornais promovido deliberadamente por Murdoch, para vencer seus competidores.

Esta é uma discussão atualíssima e deve interessar a todos que se relacionam com meios de comunicação, a todos que vendem ou consomem notícias. As decisões que estão prestes a ser tomadas, e o modo como serão recebidas, podem afetar a vida de todos nós.

Recentemente, The New York Times também optou pelo modelo da cobrança de conteúdo, que será feito a partir de 2011. Ao que tudo indica, a cobrança pelo conteúdo da versão online do jornal nova-iorquino se dará por um aplicativo produzido pela Apple – que acabou de anunciar o seu iPad, uma espécie de “I-Phonão” que permitirá, entre outras coisas, a leitura de jornais e revistas com uma incrível qualidade visual.

O certo é que muita coisa está acontecendo e precisamos ficar atentos. Consumimos e somos engolidos pelas mais diversas mídias – TV, jornais, revistas, rádios, vídeo-games, propagandas, internet, celulares. Em meio a tudo isso, cobrar pelo que pode ser obtido de graça é, no mínimo, oportunista.

Nesse fim da primeira década deste começo de milênio, é cada vez mais fácil obter informação de qualquer tipo. Mais que uma aposta segura – há uma torcida – para que Murdoch esteja errado. E que assim continue a livre circulação do conhecimento.

Thiago Mattos.

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quarta-feira, dezembro 09, 2009

Twitter e Facebook: caindo dentro!

Pelo que já se mostra esse finalzinho de ano, 2010 será um ano bem diferente e inesperado. Diante de tantos novos desafios, resolvi me render a duas tecnologias pelas quais guardava uma certo receio: twitter e facebook. Minha pergunta central sempre foi: Há realmente tanto para se dizer?

Então, vamos ver se twitter e facebook estão com tudo mesmo, conforme dizem.

Sigam-me os bons!

Twitter: http://twitter.com/thiagoelmattos

Facebook: http://www.facebook.com/thmattos

Thiago Mattos

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quarta-feira, julho 29, 2009

Colaboração no Portal Imprensa: Chicago Tribune aposta em interatividade para fugir da crise

Esta é uma matéria inspirada numa reportagem publicada no site Journalism.co.uk escrita e traduzida por mim, com a edição da Thais Naldoni. Segue o texto:

da Redação do Portal IMPRENSA

Com o lançamento oficial de uma nova rede de blogs, batizada de ChicagoNow, além da contratação de blogueiros inovadores, o grupo Chicago Tribune Media pretende usar a inovação para fugir das conseqüências da crise financeira que atinge os veículos de comunicação dos Estados Unidos.

Desde o lançamento de sua versão beta (de testes) em maio, o ChicagoNow contém mais de 60 blogs que falam sobre assuntos de interesse dos moradores de Chicago. "Pensamos nisso como uma praça online para a Chicago de agora - a cidade que deu um presidente ao mundo e pode sediar uma Olimpíada", informa a página da rede.

Tracy S. Schmidt, diretora-executiva do ChicagoNow, disse ao Journalism.co.uk que a ideia é atingir rapidamente um novo público online e local. "Não vamos atingir esse público com o ChicagoTribune.com, então criamos um site que vai falar para uma variedade de leitores", disse.

O site é formado por uma rede de colaboradores, contratados pela empresa por terem destaque em seus blogs pessoais, além de celebridades locais que receberam um treinamento para blogar. Leitores do Chicago Tribune também tiveram sua chance e muitos dos que se ofereceram para fazer parte da rede foram aceitos.

Outros 20 blogs serão adicionados no próximo mês (quando acontecerá o lançamento oficial do ChicagoNow) e há planos para mais. O grupo está fazendo experiências para promover os blogs por outros veículos como rádio e TV.

Segundo Schmidt, o alvo é duplo: atingir novos leitores online e prover mais conteúdo para os já existentes. Além disso, há um objetivo comercial: cada blogueiro tem seu próprio editor e é pago pelo conteúdo publicado.

"O ChicagoNow será um sucesso? Ele já é. Para Julho, estamos esperando receber um milhão de visitas no mês. Isso em menos de dois meses após lançar a versão beta e antes de termos feito qualquer marketing formal. Temos muito trabalho a fazer nos próximos meses, mas não podíamos ter tido um começo melhor", conclui Schmidt.

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sexta-feira, março 13, 2009

The Pirate Bay já fez história, agora está criando o futuro.

O julgamento dos quatro suecos responsáveis pelo site The Pirate Bay (TPB) já foi um sucesso e está por escrever mais um capítulo da história da internet no próximo mês de Abril.

Transmissões ao vivo pela internet, disputa por lugares no tribunal e milhões de mensagens de apoio via "tweets, e-mails, torrents, blog posts, artigos, traduções, etc." mostraram a popularidade e força do 102a. site mais visitado do mundo, segundo a Alexa.

Os camaradas do TPB estão sendo processados por grandes empresas de mídia como Warner Bros, MGM, 20th Century Fox e Sony BMG por facilitar a violação de direitos autorais. E isso se dá através de uma ferramenta elementar da internet: os links, que, dependendo do veredicto do dia 17 de Abril, podem vir a ser proibidos. Imaginem só o absurdo!

O TPB é um buscador de torrents que chega a ter mais de 25 milhões de pessoas conectadas simultaneamente. Seguindo essa lógica, até mesmo o partido socialista norueguês Rødt (Vermelho) lançou a campanha This Is What a Criminal Looks Like ("É assim que um criminoso se parece"), pedindo para que usuários do site postem suas fotos, mostrando seu apoio ao site.

Novidades do caso podem ser acompanhadas no blog Spectrial - mistura de "julgamento" e "espetáculo", em inglês - onde os suecos também defendem seus argumentos.

Ao que tudo indica, não haverá mais como lutar contra essa grande corrente que veio para ficar, mais conhecida como "a democratização da informação". Nós a apoiamos e isto basta para sua força.

A falta de criatividade dos grandes empresários da comunicação e mídia ainda podem lhes custar muito caro. Assim esperamos e que assim seja!


Thiago Mattos.
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Assunto de interesse comum a todos que, de uma forma ou outra, usam a internet: o vídeo A História da Internet. Para a versão original, clique aqui (History Of The Internet).


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sábado, setembro 27, 2008

"Tas na Zona... Eleitoral"








(Pausar a Rádio Sangue Bom para assistir aos vídeos)

O jornalista-ator-comediante Marcelo Tas realizou em quatro episódios a série "Tas na Zona... Eleitoral", onde discute política e eleição de um jeito bem cool.

Do primeiro ao último episódio, ele ouve o povo, especialistas e políticos. O resultado é bem interessante. Pelo que parece, até o Jornal Nacional produziu uma série muito similar com a mesma pauta.


De qualquer forma, aqui vai minha declaração de voto: não.

Thiago Mattos.

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terça-feira, setembro 02, 2008

Google Chrome chegou!

Seguindo os conselhos do meu amigo Carlos de Castro, fui conferir, baixei e já estou usando a mais nova investida da Google que ainda vai dar muito o que falar: o navegador Google Chrome.

Lançado em versão Beta em 43 idiomas, o Chrome reúne minimalismo e sofisticação num só lugar.

Disponível inicialmente para Windows Vista e XP, O Chrome veio com tudo para brigar de igual para igual contra o
Internet Explorer 8 da Microsoft e até mesmo contra o tão aclamado Firefox 3 da Mozilla.

Entre as novidades, o aplicativo permite visualizar em janelas reduzidas os sites mais visitados e acessá-los com apenas um clique e oferece opções de endereços eletrônicos assim que palavras começam a ser digitadas (já que combina o buscador do Google com a própria barra de endereços).

Também possibilita o acesso a vários recursos ao mesmo tempo e, segundo a empresa, é mais estável, seguro e rápido. Agora é só conferir e ver se é tudo isso mesmo. De qualquer forma, a primeira impressão agradou. Naturalmente, só restam as preocupações em relação às intenções duvidosas da Google em vigiar a todos os seus usuários.

Mas o que será que o pessoal da Google ainda falta inventar? Microsoft e Mozilla que se cuidem. E, quiça, nós também!

Thiago Mattos.

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domingo, julho 27, 2008

"Você se parece com todo mundo"

Inspirado na extrema semelhança física entre alguns famosos, Totally Looks Like é um site que faria muito sucesso no Brasil, onde as pessoas adoram dizer que alguém é igualzinho a outrem. Lá, qualquer um pode mandar um e-mail com 2 fotos, associando as figuras conhecidas . Assim, os leitores votam e comentam.

Impressionate como algumas fotos de famosos cara-de-um-focinho-de-outro chegam realmente a parecer a mesma criatura. Entre outras, estão o cantor do U2 Bono Vox e o ator Robin Williams; o cantor do Metallica James Hetfield e o leão covarde do Mágico de Oz; e o papa Bento XVI e o Darth Sidious de Guerra nas Estrelas.

Aqui no Brasil ainda não achei nenhum site equivalente, mas fica fácil pensarmos nas óbvias semelhanças entre algumas figurinhas.
Exemplos:

O apresentador de TV Luciano Huck e o goleiro Rogério Ceni

Jar Jar Binks (Guerra nas Estrelas) e Ronaldinho Gaúcho

Agnes (mãe do diretor Skinner, dos Simpson) e Dercy GonçalvesCá entre nós, há quem jure que Thiago Mattos (o blogueiro que vos fala) seja a cara do cantor Jorge Vercilo. Mas, por mais que insistam, é claro que não temos nada a ver... Está aí a foto para provar de vez.

Enfim, quem tiver mais idéias de quem-se-parece-com-quem aqui no Brasil, é só registrar aqui nos comentários. De qualquer forma, tá aí uma boa idéia pra alguém criar uma versão tupiniquim do site.

Thiago Mattos.

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sábado, maio 19, 2007

¡Viva la Revolución!

Nem a notícia de que o príncipe levado não vai mais à guerra, nem a demissão de Paul Wolfowitz do Banco Mundial (bom exemplo para alguns de nossos políticos que cismam em promover os seus), nem outra descoberta de mais esquemas de corrupção envolvendo nomes de parlamentares subornados a liberar verbas para obras irregulares, muito menos a proposta desesperada do governo sugerindo dar dinheiro como prêmio aos alunos de escola pública que passem de ano.

Nada tem me chamado mais atenção do que o fenômeno dos blogs impulsionados pela revolução silenciosa que se forja na Internet, mudando hábitos e determinando toda uma nova cultura moderna e dinâmica.

A qualidade de muitos desses blogs - seja em qual língua for - desafia e compete com as mais conceituadas agências de notícias, já que, por estarem fora dos grandes veículos de comunicação, providenciam um diferencial inigualável no olhar sobre as coisas. A Internet tem permitido que essa diversidade de olhares se expresse e interaja com uma força nunca vista antes - a tão falada web 2.0.

As grandes corporações detentoras da verdade – por aqui apelidadas de imprensalão - estão de cabelo em pé, pois o monopólio sobre os fatos escorrega de suas mãos de maneira rápida e irreversível. Nada pode ser mais atraente do que um mesmo mundo com seus diversos olhares e contribuições.

Eu mesmo, quando quero ler sobre uma notícia na Internet, raramente vou correndo aos jornais – e nunca somente a eles. Fanzineiro antes mesmo de me tornar um blogueiro, leio os blogs hoje como quem lia os fanzines tempos atrás. O cheiro artesanal não é o mesmo mas a essência punk do-it-yourself se mantém. Só que agora em maior escala.

Descobrir que um montão de gente por aí pensa como você, perceber opiniões diferentes das suas ou simplesmente ter acesso ao conteúdo produzido e criticado por pessoas que tem tanto a dizer mas nunca teriam chance numa mídia vertical, tudo isso é fascinante.

A dedicação impagável de pessoas comprometidas apenas em democratizar a informação, suas contribuições dentro dessa revolução silenciosa feita por cada um de nós em tempo real, as vozes que potencializam e cada interferência ativa nossa no processo, enfim, o papel dos blogueiros está mudando o mundo.

E duvido que nos exigirão diplomas pra isso.

Thiago Mattos.

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terça-feira, janeiro 09, 2007

Foi-se o tempo de olhar no buraco da fechadura

A determinação judicial que bloqueou o acesso de 5 milhões de internautas brasileiros ao YouTube é mais que ridículo, é uma vergonha iniciada por uma modelo-manequim-ex-de-jogador sem-vergonha, talvez não por ter dado publicamente para seu namorado numa praia da Espanha, mas por ter imposto na Internet brasileira uma censura digna do Chairman Mao. Se bem que a comparação chinesa nem precisa ir tão longe – alguém se lembra do que aconteceu com o governo chinês e a Google recentemente?

A exposição da pobre moça, que foi pega de calça curta, tem sido uma das notícias mais comentadas da semana. Agora, imaginem se pega a moda da censura na Internet. Sites sendo bloqueados, blogs sendo filtrados, alguns liberados, e-mails vasculhados... Realidade distante, será? Do jeito que a coisa vai, fica difícil de saber.

Polêmicas sobre o uso da Internet e da divulgação de material produzido na rede tem sido uma constante e que, ao que parece, continuará sendo enquanto for discutido hipocritamente. O que chama mais a atenção neste caso específico é que não houve qualquer invasão de privacidade da dita-cuja, mas, ao contrário, uma evasão.

Foi ela (vocês sabem quem) que resolveu deliberadamente se expor publicamente para quem quisesse ver, filmar ou tirar fotos, virando notícia na Espanha, no Brasil e em todo canto. Depois ainda teve a cara-de-pau de abrir um processo judicial em cima de sua própria falta. Foi-se o tempo de olhar no buraco da fechadura. Agora, quem precisa dos paparazzi, quando todos querem se mostrar?

Thiago Mattos.

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segunda-feira, dezembro 18, 2006

A personalidade do ano


Segundo a edição desta semana da revista TIME, fui eleito a Personalidade do Ano. Está lá escrito para quem quiser ler no editorial: “Por tomarem as rédeas dos meios globais, por fundarem e forjarem a nova democracia digital, por trabalharem de graça e superarem os profissionais no jogo deles, a Personalidade do Ano da TIME é você”.

Eu? Sim, evidentemente não apenas eu quem vos escreve – Thiago Mattos – mas muitas facetas que compõe esta pessoa chamada de “você” pela revista, da qual fazem parte blogueiros motivados apenas pela paixão e desejo de colaborar socialmente; contribuintes do YouTube, que mostram do que é feito o mundo com os mais diversos tipos de vídeos, que podem ter usos múltiplos na democratização da informação; usuários de redes como MySpace, que podem divulgar suas canções; leitores interativos da Wikipedia, enciclopédia virtual e livre, onde todos podem editar; nos podcasts e em muitos outros exemplos trazidos juntos com o que os consultores do Vale do Silício chamam de Web 2.0, a revolução da Internet.

Na minha modesta e agora importante opinião – endossada pela TIME – é por aqui que podemos de forma mais ativa e pungente atuar socialmente, seja na denúncia aos escandalosos aumentos de salários que os nossos parlamentares se auto-concedem ou nos eventos menores, mas não menos importantes, como a pouco-vergonhosa inauguração de uma linha do metrô que não funciona, como a estação Cantagalo em Copacabana.

Aqui, neste imenso latifúndio chamado Internet, com nosso humilde trabalho de formiguinha – voluntário e impagável – nós, usuários-contribuintes, mostramos que fazemos parte do mundo como ele está, queremos ter nossa voz ecoada por termos algo a dizer e fazemos por onde torná-la ouvida. Essa explosão de produtividade e inovação, como destaca a revista, está apenas começando e é uma oportunidade única para fazermos – de cidadão a cidadão – um novo modo de compreensão e interação social.

Por isso tudo, parabéns a mim que escrevo e a você que lê, comenta e interfere nisso tudo, mostrando que, mesmo que ainda não percebamos a dimensão disso tudo, algo está mudando no jeito de nos comunicarmos. É ou não é, malandro?

Thiago Mattos.

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segunda-feira, março 20, 2006

Me dá seu orkut?

Ok, você venceu! Batata frita! É assim que me sinto conforme vou me deixando seduzir pouco a pouco pelas vicissitudes tecnológicas. Primeiro foi o celular: durante um bom tempo eu me recusava a andar por aí carregando um tamagochi que além de falar também faz você falar onde você está. Até que um dia me rendi ao uso do maldito. Rapaz, passei por cada situação...

Depois veio o imeiu. “Cara, você não tem e-mail? Ta por fora, hein!” Era o que me diziam (familiar isso?), então tinha que arrumar o tal. Ninguém mais me escrevia cartas, (e olha que eu recebia cada carta de dar inveja a locutor de programa de rádio AM). Assim, eu também fui parando de escrevê-las, de tanto que era bombardeado pela propaganda do imeiu. Aí, veio o famoso messenger. “Mermão, tu tem que ter! É chuchu beleza, funciona que é uma maravilha! Pá pum, rapidim”.

Agora, esse negócio de orkut, francamente hein... Imagina só: uma vitrine virtual exibindo quem você é, do que você gosta, do que você não gosta, do que você – além de não gostar – odeia, quem são seus amigos, seus inimigos, onde você vai, se você bebe, se você fuma, se você cheira, putaquiupariu! Sai pra lá! Que que é isso, minha gente? Todos querem os seus 15 minutos de fama, todos querem ser importantes e mostrarem como são únicos, como são especiais por gostarem de música gótica espanhola, lerem Fitzgerald e comerem rúcula. Que carência é essa?

“Viu o que ele escreveu pra mim, Gertrudes?”

“Menina, se a Zilcreide ler aquilo tu tá fritinha da silva”

E olha que eu não estou nem tocando na questão política disso. A coisa fica feia mesmo quando a gente pensa que mesmo vivendo em plena era do “Sorria, você está sendo filmado” a gente quer mais é aparecer bem na fita, ali atrás da repórter. “Galvão, filma nóis!”. A gente quer mais é mostrar que existe, sonhamos em sermos os próximos a aparecer na revista Caras, nos desesperamos para sermos sorteados no Big Brother Brasil.

Essa alienação voluntária no maravilhoso mundo do controle social camufla um estilo de vida servil à uma idéia que não é nossa, compramos gato por lebre sem percebermos ou nos questionarmos o que tem por trás disso, sem essa de teoria da conspiração mas toda essa exacerbação da imagem e da individualidade não faz ninguém especial. Ao contrário, somos só mais uma ovelha no meio de um rebanho subjugado, dominado e cego. O problema é que com todo esse glamour anestésico fica difícil qualquer acorrentado se libertar da confortável caverna de Platão.

Thiago Mattos

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sexta-feira, março 03, 2006

Vai que você não entende...

Coisa pra falar é o que não falta. E não falta meeeesmo! É só abrir os jornais de qualquer cidadezinha do interior ou sair pelas ruas percebendo a história acontecendo. Gente pra falar também não; todos falam de tudo, impostando uma propriedade harvardiana, argumentos cheios de estatísticas bradados irrefutavelmente.

Bom, se tem coisa à beça pra ser falada e gente que nem doido pra falar, por que é que euzinho da silva vou ficar de fora? Nananinanão! Também quero a parte que me cabe desse latifúndio virtual chamado internet.

E por falar em internet (olha quem fala) é no mínimo admirável (e no máximo aterrorizante) essa mudança interativa por qual passamos nós, usuários dependentes e incuráveis. Mudança essa que já mostra claros sinais nas relações pessoais (se é que isso pode ser assim chamado) que acontecem virtualmente.

Se você tem fotolog, orkut, messenger, blog, site, email, o raio que o parta, você corre sérios riscos de ser vítima do desentendimento virtual. É isso mesmo! Conheço um monte que sofre desse mal diariamente, eu mesmo já terminei um namoro por causa disso e sei de pessoas que perderam o emprego, amigos, até dinheiro por causa do desentendimento virtual.

O camarada tá ali batendo um papinho inofensivo no messenger até que chega uma hora que ele não entende exatamente o que o outro quis dizer quando não disse nada e já parte pra agressão. E se a titular vê no orkut um recadinho da sua ex dizendo “Oi, gostoso! Já achei sua cueca que você deixou aqui ontem a noite”, na melhor das hipóteses o tempo já fecha. Uma foto perigosa que foi postada pode denunciar o que nunca houve. A resposta de uma informação que você pede por e-mail pode ter uma P.A. de interpretações diferentes, será que você vai escolher a certa?

Qualquer passo em falso pode ser uma boa isca para o desentendimento virtual. Desconfie principalmente de textos sobre o tema. Vai que você não entende...

Thiago Mattos

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