terça-feira, março 11, 2008

Vai explodir...

Para usar um termo que vem bem a calhar, este blog tem andado jogado às baratas. E os leitores merecem explicações: após uma longa viagem que me impediu de postar regularmente, o Sangue de Barata agora mudou de cidade. E isso dá trabalho.

Sem tempo para sentar e dividir com vocês minhas modestas e simplórias opiniões sobre o que se passa no mundo, a última atualização do blog já faz quase um mês - o que é terrível quando se tem tanto a dizer.

Muitas são as coisas que merecem ser debatidas para serem entendidas e este espaço deve logo logo voltar à ativa - a eleição nos EUA, o frisson em torno das células-tronco, o ridículo bate-boca dos presidentes latino-americanos que não conseguem se entender mesmo falando a mesma língua, e - o assunto que mais tem mexido comigo - o trânsito infernal de São Paulo, que a cada semana bate novos recordes de congestionamento. Eu tô avisando: essa cidade vai explodir...

Enquanto isso, fiquem mais um pouquinho com os posts anteriores - volto já.

Thiago Mattos.

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sábado, maio 19, 2007

¡Viva la Revolución!

Nem a notícia de que o príncipe levado não vai mais à guerra, nem a demissão de Paul Wolfowitz do Banco Mundial (bom exemplo para alguns de nossos políticos que cismam em promover os seus), nem outra descoberta de mais esquemas de corrupção envolvendo nomes de parlamentares subornados a liberar verbas para obras irregulares, muito menos a proposta desesperada do governo sugerindo dar dinheiro como prêmio aos alunos de escola pública que passem de ano.

Nada tem me chamado mais atenção do que o fenômeno dos blogs impulsionados pela revolução silenciosa que se forja na Internet, mudando hábitos e determinando toda uma nova cultura moderna e dinâmica.

A qualidade de muitos desses blogs - seja em qual língua for - desafia e compete com as mais conceituadas agências de notícias, já que, por estarem fora dos grandes veículos de comunicação, providenciam um diferencial inigualável no olhar sobre as coisas. A Internet tem permitido que essa diversidade de olhares se expresse e interaja com uma força nunca vista antes - a tão falada web 2.0.

As grandes corporações detentoras da verdade – por aqui apelidadas de imprensalão - estão de cabelo em pé, pois o monopólio sobre os fatos escorrega de suas mãos de maneira rápida e irreversível. Nada pode ser mais atraente do que um mesmo mundo com seus diversos olhares e contribuições.

Eu mesmo, quando quero ler sobre uma notícia na Internet, raramente vou correndo aos jornais – e nunca somente a eles. Fanzineiro antes mesmo de me tornar um blogueiro, leio os blogs hoje como quem lia os fanzines tempos atrás. O cheiro artesanal não é o mesmo mas a essência punk do-it-yourself se mantém. Só que agora em maior escala.

Descobrir que um montão de gente por aí pensa como você, perceber opiniões diferentes das suas ou simplesmente ter acesso ao conteúdo produzido e criticado por pessoas que tem tanto a dizer mas nunca teriam chance numa mídia vertical, tudo isso é fascinante.

A dedicação impagável de pessoas comprometidas apenas em democratizar a informação, suas contribuições dentro dessa revolução silenciosa feita por cada um de nós em tempo real, as vozes que potencializam e cada interferência ativa nossa no processo, enfim, o papel dos blogueiros está mudando o mundo.

E duvido que nos exigirão diplomas pra isso.

Thiago Mattos.

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sexta-feira, março 30, 2007

Sangue de Barata x Poesia & Cia. (parte um)

"Cada poema é uma garrafa de náugrafo jogada às águas...
Quem a encontrar, salva-se a si mesmo"

"Quem faz um poema salva um afogado"
Mário Quintana

Março foi o mês de aniversário do blog mais sanguíneo da rede. Passou-se um ano desde que finalmente brotou uma continuidade internética (por assim dizer) da vontade de pôr o dedo na ferida do mundo; o que outrora se manifestava num fanzine do qual eu fazia parte na transição dos milênios, o Poesia&Cia.


Através dele, um grupo de jovens organizava mensalmente sua concepção de um mundo melhor inspirado na poesia e em todas as manifestações artísticas que lhe fizessem companhia. O fanzine durou três anos, mas o que ele transformou em nossas vidas dura até hoje.

Durante esses anos, descobrimos poetas fora e dentro de nós e, da mesma forma, descobrimos o mundo. Construímos nossa visão particular da realidade, fizemos amizades duradouras, encaramos de frente nossa própria ignorância e, penso, aprendemos a ser gente.

De lá pra cá, pouco no mundo mudou – não fosse a Internet e seus efeitos. Não mudaram os governantes, nem os heróis, nem os inimigos. Vivemos hoje num tempo tão absurdo – e tão absurdamente longe – quanto aquele de uns dez anos atrás, onde não existiam palavras como blog ou download.

Como tudo na distância da memória fica mais doce: bons tempos aqueles. Quem compartilhou, lembra. Um tempo em que achávamos que poderíamos salvar o mundo com caneta e papel na mão. Agora sabemos que precisamos de, no mínimo, um teclado e um mouse. Ah, e é claro, da Internet.

Thiago Mattos.

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segunda-feira, dezembro 18, 2006

A personalidade do ano


Segundo a edição desta semana da revista TIME, fui eleito a Personalidade do Ano. Está lá escrito para quem quiser ler no editorial: “Por tomarem as rédeas dos meios globais, por fundarem e forjarem a nova democracia digital, por trabalharem de graça e superarem os profissionais no jogo deles, a Personalidade do Ano da TIME é você”.

Eu? Sim, evidentemente não apenas eu quem vos escreve – Thiago Mattos – mas muitas facetas que compõe esta pessoa chamada de “você” pela revista, da qual fazem parte blogueiros motivados apenas pela paixão e desejo de colaborar socialmente; contribuintes do YouTube, que mostram do que é feito o mundo com os mais diversos tipos de vídeos, que podem ter usos múltiplos na democratização da informação; usuários de redes como MySpace, que podem divulgar suas canções; leitores interativos da Wikipedia, enciclopédia virtual e livre, onde todos podem editar; nos podcasts e em muitos outros exemplos trazidos juntos com o que os consultores do Vale do Silício chamam de Web 2.0, a revolução da Internet.

Na minha modesta e agora importante opinião – endossada pela TIME – é por aqui que podemos de forma mais ativa e pungente atuar socialmente, seja na denúncia aos escandalosos aumentos de salários que os nossos parlamentares se auto-concedem ou nos eventos menores, mas não menos importantes, como a pouco-vergonhosa inauguração de uma linha do metrô que não funciona, como a estação Cantagalo em Copacabana.

Aqui, neste imenso latifúndio chamado Internet, com nosso humilde trabalho de formiguinha – voluntário e impagável – nós, usuários-contribuintes, mostramos que fazemos parte do mundo como ele está, queremos ter nossa voz ecoada por termos algo a dizer e fazemos por onde torná-la ouvida. Essa explosão de produtividade e inovação, como destaca a revista, está apenas começando e é uma oportunidade única para fazermos – de cidadão a cidadão – um novo modo de compreensão e interação social.

Por isso tudo, parabéns a mim que escrevo e a você que lê, comenta e interfere nisso tudo, mostrando que, mesmo que ainda não percebamos a dimensão disso tudo, algo está mudando no jeito de nos comunicarmos. É ou não é, malandro?

Thiago Mattos.

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terça-feira, novembro 28, 2006

Que mundo é esse?

Digamos que a morte do Jece Valadão, ícone inspirador dos cafajestes brasileiros, e o aparecimento do meu caro amigo André Luiz Coelho no programa da TVE ontem à noite, falando sobre as eleições equatorianas, me tiraram do meu ostracismo virtual, coisa que acontece mesmo com quem escreve em blog uma hora ou outra. Chega uma hora em que dá no saco e você tem uma leve porém não desmentida sensação de quem ninguém está te lendo. Aliás, por que o fariam?


Aí então pensei: do que adianta você querer puxar um assunto sobre os altos salários dos ministros ou dos desembargadores, ou ainda especular sobre os assaltos a turistas, até mesmo a chamada “crise aérea” se você está falando sozinho? A verdade mesmo é que ninguém está interessado nem nos foguetes qassam nem em quem vai ser o próximo presidente do Equador, infelizmente.

Logo assim que comecei o Sangue, publiquei um texto falando por que não estava no Orkut. Um tempo depois resolvi estar e provar minha tese dos problemas que ele causa. Não deu outra. As pessoas perguntavam e se espantavam: Não acredito! Viu o mal que a língua faz? E as risadas de hiena ecoavam. Isso foi notícia durante um tempo: Você sabia que o Thiago entrou no orkut? Menina, que coisa! Que mundo é esse em que estamos?!

Pois é, minha vida volta e meia vira notícia, basta eu fazer alguma coisa e, quando as pessoas descobrem da coisa inicial, acaba que alguém me conta de algo que nem sabia que tinha feito. Essa é a notícia mais falada, a da boca pequena, o que acontece do outro lado da parede, a vidinha da amiga da tua prima que fez 3 abortos ou do teu vizinho traficante careca que tem uma namorada vesga e cheia de tatuagens.

Será que se eu começar a contar minhas estórias e aventuras, confessar meus erros e vangloriar-me de minhas vitórias, mentir e ser sincero, ser simplesmente humano e falar das coisas mais mesquinhas e íntimas as pessoas se interessariam? Porque ter um blog, uma banda, fazer uma peça, ser artista, tudo isso é se expor. E tenho descoberto os perigos e males de se expor. De ser simplesmente quem você é mas em olhos desfocados e alheios de quem não te é.

Thiago Mattos.

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sexta-feira, março 03, 2006

Vai que você não entende...

Coisa pra falar é o que não falta. E não falta meeeesmo! É só abrir os jornais de qualquer cidadezinha do interior ou sair pelas ruas percebendo a história acontecendo. Gente pra falar também não; todos falam de tudo, impostando uma propriedade harvardiana, argumentos cheios de estatísticas bradados irrefutavelmente.

Bom, se tem coisa à beça pra ser falada e gente que nem doido pra falar, por que é que euzinho da silva vou ficar de fora? Nananinanão! Também quero a parte que me cabe desse latifúndio virtual chamado internet.

E por falar em internet (olha quem fala) é no mínimo admirável (e no máximo aterrorizante) essa mudança interativa por qual passamos nós, usuários dependentes e incuráveis. Mudança essa que já mostra claros sinais nas relações pessoais (se é que isso pode ser assim chamado) que acontecem virtualmente.

Se você tem fotolog, orkut, messenger, blog, site, email, o raio que o parta, você corre sérios riscos de ser vítima do desentendimento virtual. É isso mesmo! Conheço um monte que sofre desse mal diariamente, eu mesmo já terminei um namoro por causa disso e sei de pessoas que perderam o emprego, amigos, até dinheiro por causa do desentendimento virtual.

O camarada tá ali batendo um papinho inofensivo no messenger até que chega uma hora que ele não entende exatamente o que o outro quis dizer quando não disse nada e já parte pra agressão. E se a titular vê no orkut um recadinho da sua ex dizendo “Oi, gostoso! Já achei sua cueca que você deixou aqui ontem a noite”, na melhor das hipóteses o tempo já fecha. Uma foto perigosa que foi postada pode denunciar o que nunca houve. A resposta de uma informação que você pede por e-mail pode ter uma P.A. de interpretações diferentes, será que você vai escolher a certa?

Qualquer passo em falso pode ser uma boa isca para o desentendimento virtual. Desconfie principalmente de textos sobre o tema. Vai que você não entende...

Thiago Mattos

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