Sangue de Barata x Poesia & Cia. (parte um)
Quem a encontrar, salva-se a si mesmo"
"Quem faz um poema salva um afogado"
Mário Quintana
Março foi o mês de aniversário do blog mais sanguíneo da rede. Passou-se um ano desde que finalmente brotou uma continuidade internética (por assim dizer) da vontade de pôr o dedo na ferida do mundo; o que outrora se manifestava num fanzine do qual eu fazia parte na transição dos milênios, o Poesia&Cia.
Através dele, um grupo de jovens organizava mensalmente sua concepção de um mundo melhor inspirado na poesia e em todas as manifestações artísticas que lhe fizessem companhia. O fanzine durou três anos, mas o que ele transformou em nossas vidas dura até hoje.
Durante esses anos, descobrimos poetas fora e dentro de nós e, da mesma forma, descobrimos o mundo. Construímos nossa visão particular da realidade, fizemos amizades duradouras, encaramos de frente nossa própria ignorância e, penso, aprendemos a ser gente.
De lá pra cá, pouco no mundo mudou – não fosse a Internet e seus efeitos. Não mudaram os governantes, nem os heróis, nem os inimigos. Vivemos hoje num tempo tão absurdo – e tão absurdamente longe – quanto aquele de uns dez anos atrás, onde não existiam palavras como blog ou download.
Como tudo na distância da memória fica mais doce: bons tempos aqueles. Quem compartilhou, lembra. Um tempo em que achávamos que poderíamos salvar o mundo com caneta e papel na mão. Agora sabemos que precisamos de, no mínimo, um teclado e um mouse. Ah, e é claro, da Internet.
Thiago Mattos.


