terça-feira, maio 22, 2007

CPI em todo mundo!

Sidarta Gautama (que na história budista largou sua vida de príncipe para atingir o nirvana) - quem diria - teria seu nome associado à construtora que, segundo os relatórios da Polícia Federal (PF), pagou uma propina de R$ 100 mil ao então ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau. A explicação é que o dono da Gautama (construtora) se diz budista. Sabe-se lá que budismo é esse.

Todo esse estardalhaço para nada, pois qualquer brasileiro sabe que no Brasil funciona assim: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”, isto é, a Igualdade escrita em nossa Carta Magna nunca foi igual. Quanto melhor um cidadão se coloca na esfera pública – seja exercendo um mandato ou ocupando um cargo – mais privilégios ele tem a sua disposição e, logo, é mais difícil de puni-lo.

Fico maravilhado em como a PF trabalha bem e traz resultados. A cada mês, um novo escândalo político. Ora, ou corrompemos de modo muito sedutor (e por isso tanta coisa podre aparecendo), ou tudo está sendo transformado em espetáculo, passível de venda e consumo.

Não ponho minha mão no fogo por ninguém. Estudo os problemas deste país e nossa história de corrupção. Sei como é difícil pôr na cabeça de quem ocupa um posto público que aquilo não é seu – esse ranço patrimonialista grudou. Posto isto, não pretendo eximir ninguém de culpa. A probabilidade de que tudo ainda seja muito pior do que mostram os jornais é grande.

Fatos como o desespero dos parlamentares frente a qualquer sugestão de criação de uma CPI dentro do Congresso (apenas defendida pelo PSOL e PPS) e investigando os indícios de aliciamento de parlamentares em troca de emendas, diz muito. No fim das contas, os partidos se protegem. É vergonhoso.

Por outro lado, não consigo deixar de pensar que há algo de podre em nosso reino quando um assunto é alardeado sem ser discutido do jeito que é. Por exemplo, por que a grande imprensa não explora o tema do financiamento de campanha, ou da relação entre os mandatos de Brasília e as emendas vendidas? Por que não é divulgado quem banca cada ocupante de uma cadeira no Congresso? Quem representa os interesses de quem?

No final, com tanta informação truncada e acusação atrás de acusação, parece que nossa grande mídia corporativa (aquela que precisa vender) apenas nos entretém. Caso contrário, poderia ter seu calcanhar de Aquiles exposto. Afinal, quem lhe disse que sua ficha é limpa?

Já sei. Vamos mandar a PF investigar!

Thiago Mattos.

Imagem:
http://www.ribimbocadaparafuseta.blogspot.com/

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segunda-feira, abril 16, 2007

Como se chamará a próxima operação?


Apesar dos nomes engraçados (quiçá também por isso), as operações que a Polícia Federal (PF) vem realizando merecem atenção. A última delas, chamada sabe-se lá porque de Hurricane em inglês e não de Furacão em português, prendeu peixes graúdos da contravenção e tocou num ponto que há muito se fala e pouco se comenta: como se vencem os títulos das Escolas de Samba e a ligação destas com o mecenato do Jogo do Bicho.

Como foi dito, “há fortes indícios” de que o resultado do carnaval carioca tenha sido comprado em negociação entre o patrono da Beija-Flor e o presidente da Liga das Escolas de Samba (Liesa). Muita surpresa?

A recente operação da PF que descobriu paredes falsas cheias de dinheiro e nos relembrou o poder do Jogo do Bicho, comprometeu figuras como magistrados, empresários, policiais civis e federais, advogados e até mesmo um membro do Ministério Público Federal (MPF), revelando os tentáculos de uma organização que interfere nos três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.

Mas fica uma pergunta no ar, queridos leitores: os resultados anteriores de outros carnavais também teriam sido comprados ou isso é uma novidade deste ano?

Jogo do Bicho e Carnaval (e mesmo até alguns clubes de futebol) sempre andaram lado a lado. Não sabemos quanto tempo ficarão presas pessoas tão influentes e com tanto poder. De qualquer forma, os questionamentos estão lançados, envolvendo um jogo tão habitual e aparentemente ingênuo da nossa realidade e uma tradição ritualística do mês de fevereiro que determina todo o nosso ano.

Pelo visto, o Carnaval não é mais o mesmo. Ou talvez nunca tenha sido como nós pensávamos. Mas os nomes das operações da PF continuam se superando.

Thiago Mattos.

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