Como se chamará a próxima operação?
Março Branco, Curupira, Lion Tech, Big Brother, Petisco, Roupa Suja, Tentáculos III, Canaã e Overbox, Mandrake, Capitão Gancho II, Fim da Linha, Branca de Neve, Geralda Toco Preto, entre outras.Apesar dos nomes engraçados (quiçá também por isso), as operações que a Polícia Federal (PF) vem realizando merecem atenção. A última delas, chamada sabe-se lá porque de Hurricane em inglês e não de Furacão em português, prendeu peixes graúdos da contravenção e tocou num ponto que há muito se fala e pouco se comenta: como se vencem os títulos das Escolas de Samba e a ligação destas com o “mecenato” do Jogo do Bicho.
Como foi dito, “há fortes indícios” de que o resultado do carnaval carioca tenha sido comprado em negociação entre o patrono da Beija-Flor e o presidente da Liga das Escolas de Samba (Liesa). Muita surpresa?
A recente operação da PF que descobriu paredes falsas cheias de dinheiro e nos relembrou o poder do Jogo do Bicho, comprometeu figuras como magistrados, empresários, policiais civis e federais, advogados e até mesmo um membro do Ministério Público Federal (MPF), revelando os tentáculos de uma organização que interfere nos três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.
Mas fica uma pergunta no ar, queridos leitores: os resultados anteriores de outros carnavais também teriam sido comprados ou isso é uma novidade deste ano?
Jogo do Bicho e Carnaval (e mesmo até alguns clubes de futebol) sempre andaram lado a lado. Não sabemos quanto tempo ficarão presas pessoas tão influentes e com tanto poder. De qualquer forma, os questionamentos estão lançados, envolvendo um jogo tão habitual e aparentemente ingênuo da nossa realidade e uma tradição ritualística do mês de fevereiro que determina todo o nosso ano.
Pelo visto, o Carnaval não é mais o mesmo. Ou talvez nunca tenha sido como nós pensávamos. Mas os nomes das operações da PF continuam se superando.
Thiago Mattos.
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