
No dia 31 de março de 1967, os Beatles vestiram-se como uma banda lisérgica em uniformes coloridos e espalhafatosos, posando para a capa do álbum mais importante de todos os tempos: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, que rompia com tudo o que havia sido feito até então.
Antes do álbum idealizado por Peter Blake (que rejeitava o som da banda e até hoje reclama de ter sido mal pago), as capas de disco exerciam a mera função de serem capas de disco; não tinham qualquer preocupação artística ou sequer comunicavam algo além da ficha técnica – nem mesmo continham as letras das músicas.
A partir do Sgt. Pepper's, o gênio criativo dos Beatles aflorava em sua expressão máxima, firmando-os como uma referência definitiva dos anos sessenta e de tudo o que viria depois. A obra transcendia a música, com suas inúmeras referências artísticas, políticas, intelectuais nos rostos ali emoldurados de figuras definitivas daquela e de outras gerações.
Circulava entre elas nomes como o mago Aleister Crowley, o poeta beat William Burroughs, o escritor Oscar Wilde, o guru indiano Sri Yukteswar Giri, a atriz norte-americana Mae West, o dançarino Fred Astaire, o músico Bob Dylan e muitos outros. Os próprios Beatles apareciam em estátuas de cera do museu Madame Tussaud ao lado da Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta (livre tradução), como se aquilo tudo não fosse mesmo eles, mas um alter-ego da banda.

Um ano mais tarde, na primeira de muitas paródias feitas sobre o disco, Frank Zappa lançaria uma crítica corrosiva ao movimento hippie com o Mothers Of Invention no disco We’re Only In It For The Money. Mas muito ainda seria dito sobre aquela capa que até hoje provoca curiosidade e encantamento.
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band marcou uma espécie de rito de passagem na trajetória musical da banda e o lançamento do disco, meses depois, lançava por terra qualquer dúvida sobre a qualidade e o papel dos Beatles na história da música mundial.
Thiago Mattos.
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