Após ter sido vetado durante o governo do nosso presidente-sociólogo, sob a desculpa de que faltava infra-estrutura e professores, o Conselho Nacional de Educação (CNE) decidiu nesta sexta-feira, por unanimidade, que a Sociologia e a Filosofia serão disciplinas obrigatórias nas escolas do Ensino Médio.O ensino da Sociologia, que já havia saído e voltado diversas vezes nas tantas Reformas Educacionais que tivemos, pode trazer avanços a um sistema educacional tão medíocre como é o nosso. Os pessimistas têm o mesmo argumento: mais conteúdo para dar conta no vestibular? Aí a gente se pergunta por que devemos aprender quanto é 3x – 4 = 5, o que é uma guanina e uma citosina, qual a massa atômica do plutônio ou coisas do tipo. Toda área do conhecimento pode ou não ser válida, dependendo do uso que se faz dela. Pessoalmente, não preciso saber que materiais compõe a lava vulcânica ou que dia nasceu Pedro Álvarez Cabral. Toco minha vida sem complicações pela falta desse saber.
Entretanto, estou convencido de que todos precisamos ter uma certa base educacional, que pode e deve ser útil se relacionada à nossa realidade prática. Dessa forma, será importante compreender que na equação acima x=3, porque posso aplicar a variável para descobrir a solução de uma problema que fará a diferença no meu cotidiano, se tem um sentido prático; otherwise, será apenas um x qualquer, e se for 3 ou 4 não fará a menor diferença para mim.
Não podemos privar os estudantes, que já são tão oprimidos pela panóptica de Foucault, de aprenderem também matérias mais subjetivas, como é o caso da Sociologia e da Filosofia – que mexem com uma outra parte da sensibilidade na cognição. O ensino da Sociologia, por exemplo, traz uma contribuição maior ao estudante, lhe ensinando a pensar diferente, com um conteúdo que faz parte da vida de todos.
Não será mais apenas um raciocínio puramente lógico, já que entender os fenômenos sociais requer um outro grau de abstração - e não que a mátematica ou a física não tenha, só é diferente. Quando a gente pensa numa molécula, num número, num fato histórico ou numa sintaxe, tudo isso a gente vê de fora. Agora, quando estudamos o suicídio, o crime, a migração, os problemas do campo, qualquer uma dessas áreas da Sociologia, somos parte desse macrocosmos que é a sociedade. Precisamos a aprender a desnaturalizar o que é naturalizado pela sociedade. A Sociologia nos fornece conceitos que nos ajudam a compreender isso, e essa discussão não pode excluir ninguém, todos nós fazemos parte disso.
No mundo de hoje, onde o consumo é tão imediato e não temos tempo para pensar, trazer essas matérias – que com certeza ainda terão um peso ridículo em comparação a outras matérias – já é um avanço para as cabeças que precisam mais do que cabelo.
Thiago Mattos.
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