Ainda não foi dessa vez
Depois de tanta torcida pela morte do homem, a série de fotos publicadas nesta segunda-feira no site do jornal cubano Granma, para as comemorações dos 80 anos do Comandante en Jefe, mostrando um ainda doente porém vivo Fidel Castro, desanimou os entusiastas de sua morte, que o deram como morto tão logo seu irmão Raúl assumiu o poder.O silêncio sobre suas condições de saúde, depois de ter sido internado, fez com que jornalistas de toda parte ficassem ouriçados atrás de análises dos cientistas políticos sobre a nova conjuntura mundial pós-Fidel, a fuga em massa da ilha, os preços da bolsa, blá blá blá.
Pelo menos por enquanto a especulação não deu em nada, só deu para perceber o quanto o mundo quer ver o velhinho morto, o quanto querem que a “pureza” da isolada ilha tropical se renda à modernidade e ao consumismo. Mas essa não foi a primeira vez que o mundo se animou com um possível adeus do cara-que-simplesmente-fez-a-revolução-cubana.
Quando há dois anos atrás todos os jornais do mundo publicaram uma foto de Fidel tropeçando diante das câmeras de um evento internacional, manchetes de jornais como “Fidel cai” chegavam a irritar, tamanha era a sugestão e o desejo por uma queda não apenas literal. As piadas tipo “nunca vi ninguém fugir nadando de Miami” voltavam a provocar gargalhadas e pouquíssimos recordam do que foi a suada Revolução Cubana e de que um outro carinha chamado Che Guevara também estava lá.Mais um vez fica a falsa euforia de um gol anulado, aquela carinha triste de tanta gente, aquele “ah, que peninha”, mais uma vez não foi dessa vez.
Thiago Mattos.
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