A suiça existe?
A edição do Fórum Social Mundial (FSM) deste ano acontece até o dia 25 de Janeiro em Nairóbi, Quênia. O FSM, que generosamente muda de endereço a cada ano, acontecerá pela primeira vez em solo africano, desde sua criação em 2001, numa celebração de resistência e diversidade cultural. Durante o encontro, que se opõe ao famigerado Fórum Social Econômico, serão discutidas soluções imediatas para o caos social conseqüente da globalização e da onda política neoliberal. As estimativas chegam a prever cerca de 150 mil pessoas na edição do FSM deste ano, dentre elas intelectuais, artistas, articuladores civis e políticos de toda a parte comprometidos com as mais diversas causas sociais.
Quase ao mesmo tempo acontecerá em Davos, Suíça, o Fórum Econômico Mundial, este até o dia 28 de Janeiro. Enquanto Davos recebe a elite financeira e política do mundo – chefes de Estado, economistas, donos de bancos, empresários –, Nairóbi acolhe todo o resto que sofre as com as conseqüências das decisões dos frequentadores do primeiro, ou seja, todos os que não são donos de bancos, presidentes e empresários ambiociosos (desculpe a redundância).
É mais ou menos assim: quem fica de fora em Davos poderia ir reclamar em Nairóbi, deu pra entender? É fácil. Vamos pensar nas pessoas que vão a cada uma das festas. Angela Merkel, Tony Blair e Mahmoud Abbas vão a Davos; Martinho da Vila vai a Nairóbi; Lula que sempre ia aos dois, este ano só irá a Davos; Hugo Chavéz, rejeitado em Davos, vai a Nairóbi. Eu, que não vou a nenhum dos dois, se pudesse escolher iria a Nairóbi. E você, cara pálida, em qual deles gostaria de estar?
Thiago Mattos.
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